‘Não me sinto à vontade para combater o movimento’, diz procurador sobre ação contra paralisação da Polícia Civil do RN

Publicidade

Designado para fazer ação contra mobilização dos agentes, Luis Marcelo Cavalcanti de Sousa afirmou que se solidariza com servidores e só atuará com salários em dia.

“Não me sinto à vontade para combater referido movimento, antes, com ele me solidarizo, porque na mesma situação me encontro de total inconformimos com os atrasos salariais”, afirmou o procurador do estado do Rio Grande do Norte Luis Marcelo Cavalcanti de Sousa sobre a paralisação dos policiais civis do estado.

A declaração está em um despacho ao Procurador Geral do Estado. A Delegacia Geral de Polícia Civil quer pedir à Justiça a irregularidade da greve. O caso foi designado em caráter de urgência ao procurador Luis Marcelo, mas ele o recusou e pediu redistribuição do processo, através de sorteio, entre seus colegas.

O procurador ainda avisou que “caso seja eu o sorteado para atuar no feito só o farei depois que estiver com meus salários em dia, dispensando ao Governo o mesmo tratamento que dele tenho recebido”.

O procurador confirmou a autenticidade do documento. Ele ainda afirmou que geralmente os casos são distribuídos por meio de sorteio, mas em casos urgentes ou mais importantes, o procurador geral pode distribuir para algum procurador que tenha mais afinidade com o tema, por exemplo.

Em despacho, procurador do RN se nega a fazer ação contra paralisação de policiais civis — Foto: Reprodução

“Eu acredito que foi distribuído para mim porque eu fiz quase todas as ações de greve no atual governo, principalmente na área de segurança, e nós tivemos sucesso em todas. Mas a situação chegou a um nível alarmante e eu resolvi adotar uma postura mais radical, porque todas as categorias estão prejudicadas, inclusive os procuradores”, afirmou.

Luis Marcelo ainda afirmou que os procuradores do estado também estamos sofrendo atrasos salariais e ainda não recebeu o salário de novembro, o 13º salário de 2017 e de 2018 e segue sem expetativa quanto ao salário de dezembro. “Eu me solidarizo porque estou vivendo o mesmo drama. Então não me sinto a vontade de combater essa greve”, reforçou

O procurador ainda reforçou que, no entendimento do Supremo Tribunal Federal, a única hipótese que impede o corte de salário de servidores grevistas é justamente o atraso de salários.

Paralisação

Os policiais civis paralisaram os serviços na manhã desta quarta-feira (26) em todo o estado, cobrando pagamento do 13º salário de 2017 e um calendário de pagamento de outros salários atrasados. De acordo com o Sindicato dos Policiais Civis, a mobilização atingiu pelo menos 95% das delegacias potiguares.

O governo realizou uma reunião com o sindicato na manhã desta quinta-feira (27) e ofereceu, como proposta, pagar o 13º salário de 2017 à categoria, nesta sexta-feira (28), mas apenas aos ativos. O acordo foi rejeitado pela categoria em assembleia no final da manhã.

Fonte: G1

Sair da versão mobile