Crônicas da Velha Ribeira (84)

Casarões

Periodicamente, reacende-se a discussão em torno das mudanças ocorridas nesta Velha Ribeira. Uns cobram – com saudosismo – providências do poder público no sentido de que sejam procedidas reformas para que o velho bairro volte a ter atrativos de lazer, com um toque de boemia, a exemplo do que ocorreu em anos recentes no chamado marco zero e adjacências do Recife Velho, na CapitalPernambucana e na zona portuária de Fortaleza. Aqui, ações de menor porte, em relação às grandes mudanças ocorridas nas citadas Capitais, levadas a efeito nas áreas das ruas Chile e Frei Miguelinho, estimularam investimentos voltados ao lazer, que atraem público para eventos programados, mas sem a afluência maciça, como ocorre naquelas praças.

Mas, falando em saudosistas, os que quiserem experimentar esse sentimento e recordar coisas do passado, revendo cenários antigos, aconselho fazer uma boa caminhada – coisa aliás tão em moda, nestes tempos de sedentarismo – e prestar atenção a alguns casarões que ainda se mantém intactos e com suas aparências originais, começando mais ou menos nos limites entre Cidade Alta e Ribeira, com o sobrado da viúva Machado, na praça Dom Vital ao lado da igreja do Rosário. Dali, o caminhante poderá descer a Junqueira Aires – atualmente Câmara Cascudo – e apreciar a belíssima construção do Solar Bela Vista, construído no comecinho do século passado pelo Coronel Aureliano Medeiros, um dos homens ricos da época. Essa monumental construção, atualmente pertence ao SESI e vai da avenida Câmara Cascudo à rua
São Tomé, na qual, um pouco acima, na direção da Cidade Alta, tem a casa da família do médico Hellen Costa, ainda mantida – segundo consta, por determinação pessoal dele – totalmente no modo original.

Tomando-se a avenida Rio Branco e descendo em direção à Ribeira, poderá ser visto outro monumento ao passado. Este, não propriamente um casarão, mas uma casa de tamanho médio, cujo proprietário também a conserva nos moldes antigos e até mesmo já
foi objeto de reportagem num jornal local. Talvez a única diferença observada no vistoso imóvel, em relação à sua originalidade, seja um gradeado de ferro no terraço, com certeza ali colocado face a notória insegurança com a qual convivemos…

Uma guinada à esquerda, em direção à praça Augusto Severo,
levará o saudosista a outro monumento do antigo casario. Ali onde funciona o Colégio Salesiano, era a residência dos Barreto, um casarão enorme, que ainda conserva aspectos originais no lado da antiga Junqueira Aires, esquina com a Juvino Barreto, cujo nome é homenagem ao patriarca da família.

Um pouco acima, tem a antiga residência do mestre Câmara Cascudo, no trecho da avenida que recebeu seu nome. Finalizando o passeio nostálgico, o caminhante poderá descer à avenida Duque de Caxias e apreciar o casarão que serviu de residência ao comerciante Fortunato Aranha, hoje uma repartição estadual. O imóvel ainda
exibe as características originais, mas sua conservação não é das melhores.

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