EUA derrubam tarifas e RN pode avançar em mercado bilionário

Porto de Natal - Foto: divulgação.

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A recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que invalidou tarifas comerciais impostas com base em poderes emergenciais do Executivo, redesenha o mapa das exportações brasileiras. No centro desse novo tabuleiro, um dado chama atenção: até US$ 21,6 bilhões em vendas externas do Brasil podem ser beneficiadas, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Para o Rio Grande do Norte, cuja pauta exportadora é fortemente concentrada em produtos sensíveis a preço e previsibilidade, a medida representa mais do que um alívio conjuntural. Trata-se de uma janela concreta de reposicionamento competitivo.

Uma decisão doméstica com impacto global

A controvérsia tem origem no uso, pelo governo americano, da International Emergency Economic Powers Act (IEEPA) para impor tarifas adicionais a diversos países. A Suprema Corte considerou indevida essa aplicação, derrubando a base jurídica das sobretaxas.

Na prática, isso significa que produtos brasileiros que enfrentavam encargos adicionais — em alguns casos superiores a 30% — retornam ao mercado americano em condições mais competitivas.

Ainda assim, o ambiente permanece instável. Há indicativos de que os Estados Unidos possam:

O efeito, portanto, é imediato, mas potencialmente temporário.

O RN no radar do comércio exterior

Em 2025, o Rio Grande do Norte exportou cerca de US$ 1,086 bilhão, segundo dados da FIERN. Desse total:

Embora não seja um grande player nacional, o RN possui uma característica decisiva: atua em nichos onde pequenas variações de custo geram grandes deslocamentos de mercado.

Fruticultura: onde centavos viram contratos

A fruticultura irrigada, especialmente melão e melancia, é o coração exportador do estado — e um dos setores mais impactados pela decisão.

Nesse mercado:

Com a retirada das tarifas, o produto potiguar ganha espaço para:

Sal e pescados: disputa na margem, impacto no volume

O mesmo raciocínio se aplica ao sal marinho e aos pescados.

A eliminação das tarifas atua como um fator de reequilíbrio competitivo, permitindo ao RN disputar mercado em condições mais justas.

Efeito multiplicador: crescimento silencioso, impacto real

Considerando o volume exportado pelo RN aos EUA em 2025 (US$ 91,2 milhões), cenários moderados indicam:

Embora não sejam cifras explosivas, os efeitos são relevantes:

É o tipo de crescimento que se infiltra na economia e altera suas bases ao longo do tempo.

Um cenário ainda sob tensão

O otimismo convive com riscos claros:

Isso impõe um elemento-chave: tempo.

Entre a janela e a estratégia

Diante desse cenário, o desafio não é apenas aproveitar a decisão, mas fazê-lo com rapidez e coordenação estratégica. A redução das tarifas melhora a competitividade dos produtos potiguares, mas o ganho só se concretiza se for convertido em contratos, previsibilidade de embarques e presença contínua no mercado americano.

Nesse contexto, três fatores se mostram decisivos:

Se bem articuladas, essas frentes podem transformar um alívio tarifário momentâneo em avanço consistente das exportações. Caso contrário, o risco é que a oportunidade se dilua antes de produzir efeitos estruturais, sobretudo em um ambiente global ainda marcado por incertezas.

Conclusão

A decisão da Suprema Corte americana abre uma janela relevante para o comércio exterior brasileiro. Para o Rio Grande do Norte, essa abertura incide diretamente sobre setores estratégicos de sua economia.

Mais do que uma oportunidade, trata-se de um teste de capacidade: quem agir rápido, avança; quem hesitar, assiste.

E, no comércio internacional, raramente há segunda chamada.

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