Projeto chega ao litoral e leva cinema a municípios sem acesso a salas de exibição
O projeto Anima Gostoso iniciou nova etapa de atividades no litoral do Rio Grande do Norte, levando oficinas de animação para municípios onde o acesso ao cinema é praticamente inexistente. A ação ocorre entre março e junho e percorre cidades como Galinhos, Guamaré, Macau e Areia Branca, com foco em estudantes da rede pública.
A proposta inclui a realização de oficinas práticas em que crianças e adolescentes produzem seus próprios filmes a partir de materiais disponíveis, incluindo recicláveis. As atividades também preveem exibição das produções em mostras locais e distribuição online dos conteúdos.
A chegada do projeto altera temporariamente a oferta cultural nesses municípios, que não contam com infraestrutura regular de exibição audiovisual, ampliando o contato com a linguagem cinematográfica.
Dados mostram concentração do acesso ao cinema e limitam circulação cultural no estado
Segundo a organização do projeto, apenas cerca de 5% das cidades do Rio Grande do Norte possuem salas de cinema, o que restringe o acesso a esse tipo de conteúdo para grande parte da população.
Essa concentração faz com que iniciativas itinerantes se tornem, em muitos casos, o único ponto de contato de crianças e jovens com produções audiovisuais fora do ambiente digital. A ausência de equipamentos culturais impacta diretamente a formação de público e a circulação de conteúdos no interior.
Com isso, o acesso ao cinema deixa de ser um serviço distribuído territorialmente e passa a depender de ações pontuais, geralmente vinculadas a projetos financiados por editais ou parcerias.
Oficinas combinam produção audiovisual e uso de materiais recicláveis
Durante as atividades, os participantes utilizam embalagens e outros materiais reutilizados para criar personagens e narrativas animadas, incorporando elementos de sustentabilidade ao processo criativo.
As oficinas incluem orientação sobre técnicas básicas de animação e organização de histórias, permitindo que os próprios alunos participem de todas as etapas da produção. O resultado final é exibido para a comunidade local.
Esse modelo transforma o processo de criação em ferramenta pedagógica e amplia o uso de espaços escolares como ambientes de produção cultural.
Expansão do projeto depende de financiamento público e parcerias institucionais
Criado em 2023 em São Miguel do Gostoso, o projeto vem ampliando sua atuação e já passou por municípios da região do Mato Grande, consolidando uma rede de oficinas em áreas com baixa oferta cultural.
Em 2026, a iniciativa conta com apoio da Neoenergia Cosern e do Instituto Neoenergia, por meio de edital viabilizado pelo Programa Cultural Câmara Cascudo, do Governo do Estado. O financiamento garante a execução das atividades nos municípios atendidos.
A continuidade e expansão do projeto estão diretamente ligadas à disponibilidade de recursos e parcerias, o que condiciona a permanência desse tipo de ação em regiões fora dos principais centros urbanos.

