Mais de 1,2 mil crianças aguardam atendimento psicológico em Mossoró e fila acumula casos urgentes

Foto: Dreamstime

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Fila ultrapassa 1,2 mil casos e concentra demandas sem atendimento na rede pública

Um levantamento do Ministério Público do Rio Grande do Norte identificou que 1.288 crianças e adolescentes aguardam atendimento psicológico na rede municipal de Mossoró. O volume representa praticamente toda a demanda registrada, com 99,1% das solicitações ainda pendentes no sistema.

Os dados revelam que a fila não é pontual, mas acumulada ao longo do tempo, indicando incapacidade contínua de absorção da demanda por parte da estrutura pública. A concentração de pedidos sem resposta transforma a fila em indicador de estrangulamento do serviço.

Esse cenário altera o papel da lista de espera, que deixa de ser etapa de organização e passa a funcionar como mecanismo de retenção de pacientes sem atendimento.

Casos urgentes permanecem sem resposta e ampliam risco clínico

Entre os registros, 321 casos foram classificados como prioridade zero, considerados emergenciais, e outros 346 como prioridade um, de urgência. Mesmo com essa classificação, os pacientes continuam sem atendimento imediato.

A permanência desses casos na fila indica falha na priorização clínica, já que o sistema não consegue converter classificação de risco em acesso efetivo ao serviço.

Esse descompasso entre gravidade e atendimento aumenta o risco de agravamento dos quadros, especialmente em uma população em fase de desenvolvimento.

Tempo de espera chega a dois anos e transforma demanda em quadro crônico

O levantamento aponta que ao menos 388 pacientes aguardam entre um e dois anos pelo primeiro atendimento psicológico. Esse intervalo desloca o problema do campo da espera para o campo da cronicidade.

A demora prolongada compromete a efetividade da intervenção, já que muitos casos dependem de acompanhamento precoce para evitar agravamento.

Esse tipo de atraso altera o custo do atendimento, pois quadros simples podem evoluir para situações mais complexas, exigindo maior estrutura no futuro.

Estrutura limitada e falhas na triagem ampliam gargalo no sistema

A rede conta com apenas quatro psicólogos no principal ambulatório identificado, cada um com carga de 20 horas semanais e média de 60 atendimentos por mês. A capacidade instalada é insuficiente para absorver a demanda acumulada.

Além da limitação de profissionais, o relatório aponta falhas no preenchimento dos diagnósticos, com uso de códigos genéricos em 96,1% dos casos. Isso dificulta a triagem e compromete a definição de prioridades no sistema.

A combinação entre baixa capacidade operacional e fragilidade na classificação dos casos mantém o fluxo travado, impedindo que a rede responda à demanda existente.

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