Estudo da UFRN aponta que semente de tamarindo pode ajudar no controle da glicose

Foto: Google/reprodução

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Pesquisa da UFRN investiga potencial da semente de tamarindo no controle glicêmico

Um estudo desenvolvido na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) identificou que compostos presentes na semente de tamarindo podem ajudar no controle do açúcar no sangue. A pesquisa apontou que a substância atua reduzindo a atividade de uma enzima ligada à digestão de carboidratos, mecanismo que influencia diretamente os níveis de glicose após as refeições.

O trabalho foi conduzido no Programa de Pós-Graduação em Nutrição (PPGNUT/UFRN) e investigou o chamado inibidor de tripsina presente na semente do fruto. Segundo os pesquisadores, o composto apresentou capacidade de reduzir a ação da enzima α-amilase, responsável por transformar carboidratos em açúcares simples absorvidos pelo organismo.

A descoberta amplia o interesse científico sobre compostos bioativos de origem vegetal utilizados em pesquisas voltadas ao metabolismo e controle glicêmico, principalmente em um cenário de aumento global de doenças associadas ao excesso de açúcar no sangue.

Testes laboratoriais registraram redução superior a 37% na atividade da enzima

De acordo com os resultados apresentados pela equipe da UFRN, os testes laboratoriais identificaram redução superior a 37% na atividade enzimática relacionada à digestão dos carboidratos. A diminuição chamou atenção dos pesquisadores por indicar potencial funcional do composto natural presente na semente de tamarindo.

Os experimentos combinaram análises laboratoriais in vitro e simulações computacionais avançadas realizadas com apoio do Núcleo de Processamento de Alto Desempenho (NPAD) da universidade. As modelagens ajudaram a compreender como as moléculas presentes no composto interagem diretamente com a enzima responsável pelo processo digestivo dos carboidratos.

A utilização de ferramentas computacionais amplia a precisão da pesquisa ao permitir visualização detalhada das interações moleculares antes de futuras etapas experimentais envolvendo testes clínicos mais complexos.

Pesquisa ainda está em fase experimental e não representa tratamento imediato

Apesar dos resultados considerados promissores, os próprios pesquisadores afirmam que o estudo ainda se encontra em fase experimental e não representa aplicação clínica imediata. Segundo a professora responsável pela orientação da pesquisa, os dados obtidos ampliam o conhecimento científico sobre compostos vegetais bioativos, mas ainda exigem validação adicional antes de qualquer uso terapêutico.

Os cientistas afirmam que novas etapas deverão avaliar segurança, eficácia e possíveis aplicações tecnológicas do composto extraído da semente de tamarindo. Entre as possibilidades analisadas estão o desenvolvimento de alimentos funcionais e nutracêuticos voltados ao controle metabólico.

Essa cautela acompanha o padrão das pesquisas biomédicas envolvendo compostos naturais, em que resultados laboratoriais iniciais frequentemente precisam passar por anos de validação antes de eventual utilização clínica ou comercial.

Estudo reforça interesse científico em compostos naturais ligados ao metabolismo

Segundo os pesquisadores, os resultados também reforçam investigações anteriores que já apontavam possíveis efeitos metabólicos positivos associados ao extrato da semente de tamarindo. Estudos prévios mencionados pela equipe indicavam potencial impacto sobre saciedade e processos inflamatórios relacionados ao metabolismo.

O avanço dessas pesquisas acompanha um movimento internacional de busca por compostos naturais capazes de auxiliar no controle metabólico e glicêmico, especialmente diante do crescimento de doenças como diabetes tipo 2 e obesidade em diferentes países. Nesse cenário, universidades e centros de pesquisa ampliaram estudos envolvendo alimentos, sementes e substâncias vegetais com possível aplicação funcional.

A investigação desenvolvida na UFRN insere a universidade potiguar dentro dessa linha científica voltada à exploração de compostos naturais e ao desenvolvimento de estratégias complementares ligadas ao controle do açúcar no sangue.

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