Novo livro de Juliano Freire mistura leitura, infância e cotidiano urbano popular

Foto: divulgação

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Juliano Freire lança livro infantil inspirado em memória afetiva e cotidiano popular

O jornalista e escritor potiguar Juliano Freire lança nesta sexta-feira (8), em Natal, o livro infantil “A cachorrinha que aprendeu a ler”, obra que utiliza situações do cotidiano familiar para construir uma narrativa sobre leitura, afeto e descoberta. O evento ocorrerá a partir das 17h, na Pó & Companhia, em Natal, com publicação da editora Asinha e distribuição também em plataformas digitais.

O livro acompanha a trajetória de uma cachorrinha que passa a reconhecer palavras e significados ao conviver diariamente com uma família urbana habituada à leitura. A narrativa utiliza elementos simples do cotidiano doméstico para discutir formação de leitores, convivência familiar e relação afetiva construída em torno dos livros.

A escolha desse universo aproxima a literatura infantil de experiências comuns da vida urbana popular, deslocando a narrativa para ambientes familiares reconhecíveis e afastando-se de modelos excessivamente idealizados frequentemente presentes em parte da produção infantil tradicional.

Autor afirma que literatura infantil exige compromisso com formação de leitores

Segundo Juliano Freire, escrever para crianças ultrapassa a ideia de simplificação narrativa e envolve responsabilidade direta na formação de novos leitores. O autor afirma que a literatura infantil ocupa papel central na construção do hábito de leitura e na relação futura das crianças com diferentes gêneros literários.

A aproximação com a escrita começou ainda na infância, quando produzia histórias influenciado por seriados de televisão e romances policiais. Posteriormente, a experiência profissional no jornalismo passou a influenciar diretamente sua construção narrativa, especialmente na organização das histórias e no encadeamento textual.

O autor afirma que técnicas aprendidas na reportagem ajudaram a estruturar a produção literária, incorporando objetividade, observação e construção narrativa ao processo criativo voltado ao público infantil.

Paternidade impulsionou entrada definitiva na literatura infantil

Embora já escrevesse anteriormente, Juliano Freire afirma que a entrada definitiva na literatura infantil ocorreu após a experiência da paternidade. Segundo ele, o filho se tornou primeiro ouvinte e também primeiro crítico das histórias criadas oralmente dentro de casa.

A partir dessa experiência doméstica, o escritor passou a transformar narrativas familiares em livros voltados ao público infantil. Sua produção reúne personagens populares, situações cotidianas e histórias atravessadas por elementos de descoberta, transformação e sensibilidade.

Entre os títulos publicados anteriormente estão “Doninha e o Marimbondo”, “Pereyra – o menino bom de bola” e “Felizardo contra a bruxa da feira”, obras que também utilizam referências culturais próximas da realidade popular nordestina.

Novo livro aborda leitura como experiência cotidiana dentro da família

Em “A cachorrinha que aprendeu a ler”, a protagonista convive com Dona Gertrudes e sua neta, Lúcia, integrantes de uma família miscigenada e trabalhadora que mantém a leitura incorporada à rotina da casa. Segundo Juliano, a cachorrinha funciona como uma espécie de observadora silenciosa do ambiente doméstico e da relação afetiva construída em torno das palavras.

A narrativa utiliza situações simples da vida cotidiana para discutir acesso ao conhecimento e democratização da leitura. O autor afirma que a escolha de uma família urbana comum como cenário central busca aproximar o livro da realidade social brasileira e reforçar a leitura como prática possível dentro de diferentes contextos econômicos e culturais.

Essa construção narrativa desloca a literatura infantil para espaços reconhecíveis da vida cotidiana e tenta romper a ideia de que formação leitora depende exclusivamente de ambientes socialmente privilegiados.

Livro também discute acesso à leitura e desigualdade cultural

Ao longo da entrevista concedida ao portal original, Juliano Freire afirma que o livro também carrega reflexão sobre acesso desigual à leitura no Brasil. Segundo ele, apesar de parte da população enfrentar dificuldades econômicas e culturais relacionadas ao acesso aos livros, a leitura continua sendo ferramenta decisiva para desenvolvimento intelectual e social.

O escritor relaciona essa percepção à própria trajetória pessoal. Nascido e criado no bairro do Alecrim, em Natal, ele afirma ter crescido em uma casa sem luxo, mas cercada por livros, revistas e enciclopédias. A experiência familiar ajudou a consolidar a relação com a leitura desde a infância.

Segundo o autor, a literatura infantil funciona como porta de entrada para diferentes formas de leitura e permanece essencial mesmo em um cenário marcado pela disputa de atenção com telas, jogos eletrônicos e redes sociais.

Produção potiguar busca ampliar espaço dentro da literatura infantil nacional

Juliano Freire também utiliza o lançamento para defender maior valorização da literatura infantil produzida no Rio Grande do Norte. Segundo ele, o estado possui autores e autoras com capacidade de inserção nacional, mas ainda enfrenta limitações ligadas à circulação editorial e acesso ao mercado literário brasileiro.

O novo livro começou a ser desenvolvido no início de 2025 e levou cerca de um ano até chegar à versão final publicada. O autor afirma que suas histórias surgem inicialmente de imagens, cenas e personagens construídos mentalmente antes da escrita propriamente dita.

O lançamento reforça um movimento recente da produção literária potiguar voltada à infância que busca aproximar literatura, memória afetiva e cotidiano popular dentro de narrativas conectadas à experiência social nordestina contemporânea.

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