Chuvas favorecem avanço do caramujo africano em Natal
O aumento das chuvas em Natal voltou a provocar o avanço do caramujo gigante africano em bairros da capital potiguar e levou a Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) a emitir alerta para riscos de contaminação e proliferação da espécie invasora. O molusco tem aparecido com maior frequência em quintais, terrenos baldios, hortas e áreas úmidas após o período chuvoso.
Segundo a Vigilância de Zoonoses, o ambiente quente e úmido favorece rapidamente a reprodução do animal, que possui alta capacidade de proliferação e praticamente não encontra predadores naturais no Brasil.
A orientação é que moradores evitem contato direto com os caramujos e realizem o descarte correto dos animais para reduzir riscos sanitários.
Espécie invasora pode transmitir doenças
Conhecido cientificamente como Achatina fulica, o caramujo africano foi introduzido ilegalmente no Brasil na década de 1980 como alternativa comercial ao escargot. Com o passar dos anos, a espécie se espalhou pelo país e passou a ser considerada uma praga urbana e agrícola.
Além dos impactos ambientais, o principal alerta envolve riscos à saúde humana. Segundo a Vigilância de Zoonoses, o animal pode transmitir angiostrongilíase, doença causada por vermes presentes no molusco.
A contaminação pode ocorrer principalmente através do contato com o muco deixado pelo caramujo em frutas, verduras, legumes e superfícies úmidas. O risco aumenta quando os alimentos são consumidos sem higienização adequada.
Proliferação aumenta em locais úmidos e sem limpeza
Segundo os técnicos da Vigilância, terrenos com acúmulo de lixo, vegetação alta, entulho e umidade constante funcionam como ambiente ideal para reprodução da espécie. O período chuvoso amplia ainda mais essas condições, favorecendo crescimento acelerado da infestação.
O caramujo gigante africano pode atingir até 15 centímetros de comprimento e possui concha alongada marrom com listras claras. Os ovos são pequenos, arredondados e apresentam coloração branco-amarelada.
A capacidade reprodutiva elevada é justamente um dos fatores que dificultam o controle da espécie em áreas urbanas.
Descarte inadequado pode ampliar riscos sanitários
A Vigilância de Zoonoses orienta que o recolhimento dos animais seja feito utilizando luvas ou sacos plásticos para evitar contato direto com o muco. Após a coleta, os caramujos devem ser colocados em recipientes contendo água sanitária, sal ou cloro antes do descarte no lixo comum.
As conchas também precisam ser quebradas para impedir acúmulo de água parada, evitando a proliferação do mosquito da dengue.
O órgão alerta ainda para a necessidade de diferenciar o caramujo africano das espécies nativas, que possuem função ecológica importante e não representam risco sanitário semelhante.
Expansão da espécie expõe fragilidade do controle urbano
O avanço contínuo do caramujo africano revela um problema recorrente das cidades brasileiras: a dificuldade de controle ambiental em áreas urbanas marcadas por descarte irregular de resíduos, terrenos abandonados e drenagem insuficiente.
Espécies invasoras encontram nesses ambientes condições ideais para reprodução rápida, sobretudo em períodos de chuva intensa e temperaturas elevadas.
No caso do caramujo africano, o problema ultrapassa o impacto ambiental e passa a envolver diretamente saúde pública, limpeza urbana e risco de contaminação alimentar.
Mais do que um incômodo doméstico provocado pelas chuvas, a presença crescente do molusco em Natal expõe como problemas ambientais urbanos acabam se transformando também em ameaças sanitárias permanentes dentro das cidades.

