Constituir uma nova geração de músicos voltados ao jazz no Rio Grande do Norte é o principal objetivo do Coletivo Maturi Instrumental. O projeto de extensão é promovido pela Escola de Música da UFRN (EMUFRN) e busca estabelecer parcerias para fomentar o crescimento da música instrumental. Entre as principais ações desenvolvidas pelo coletivo estão masterclasses, workshops musicais e a organização de apresentações.
O Coletivo Maturi Instrumental surgiu, antes mesmo de se constituir como projeto de extensão universitária, a partir de uma demanda dos alunos de música popular e da comunidade natalense. Sua concepção vem sendo desenvolvida há dois anos, a partir de diálogos entre o coordenador e estudantes da classe de saxofone, nos quais foram discutidas questões relacionadas ao mercado de trabalho, ao repertório em estudo e à escassez de espaços de performance profissional na cidade de Natal.
Segundo o professor Anderson Pessoa, coordenador do coletivo, a motivação surgiu da percepção de que a Universidade forma instrumentistas capacitados, mas o mercado local ainda oferece poucas oportunidades para esse perfil de músico. “A cidade de Natal não se recuperou tão bem no âmbito da música instrumental após a pandemia. Esse cenário tem dificultado o desenvolvimento dos músicos, que não encontram demanda para trabalhar”, afirma.
“A gente começou a discutir o que os alunos fariam depois do curso e surgiu a ideia de movimentar a cidade para criar espaço para uma música que não fosse apenas comercial”, completa o professor. O movimento ganhou força no último ano com o surgimento de grupos formados por estudantes da Escola de Música, como o Influência do Jazz, grupo formado exclusivamente por mulheres, além do Bibópi, Poti Groove e Maraca Jazz.
A partir dessas reflexões, surgiu a ideia da formação de um coletivo de músicos orientado pelo propósito de fomentar e ampliar os espaços dedicados à música instrumental, em especial ao jazz, na capital potiguar. Foram estabelecidos diálogos com proprietários de espaços tradicionalmente vinculados à música instrumental que, apesar das dificuldades enfrentadas, sobretudo em razão da diminuição do público para o gênero, demonstraram abertura para a retomada de suas programações, acolhendo as propostas apresentadas pelo professor Anderson Pessoa.
Atualmente, o coletivo conta com cerca de 20 músicos interessados, mas o professor Anderson afirma que o número de pessoas envolvidas tende a ser muito maior. A proposta é estimular a criação de novos grupos de música instrumental para ampliar a presença desses artistas nos espaços culturais da cidade.
Para Luara Ateyeh, estudante do curso técnico de canto popular da EMUFRN e responsável pela produção do coletivo, o Maturi ajuda a enfrentar uma dificuldade bastante comum na carreira musical. Segundo a estudante, a sensação de estar fazendo tudo sozinho pode ser bastante desmotivadora. “Em conjunto, fica muito mais leve. Cada pessoa assume uma função, e isso ajuda a fazer acontecer”, afirma.
Além da organização de apresentações, o grupo pretende atuar na articulação entre músicos, na negociação com espaços culturais e na promoção de atividades como oficinas e tributos. Outro objetivo é estimular a colaboração entre os artistas, diminuir a chamada concorrência desorganizada e promover a formação de plateia.
Para Breno Oliveira, estudante do curso de Bacharelado em Música da EMUFRN, o coletivo também deve contribuir para a inserção de artistas no mercado de trabalho ao reunir pessoas com diferentes níveis de experiência. “Vai criar uma relação mais colaborativa entre os músicos”, afirma o aluno.
O Coletivo Maturi não limita os grupos a uma composição instrumental específica. Entre os instrumentos mais presentes estão saxofone, trompete, trombone, baixo, bateria, guitarra e piano, tradicionalmente associados ao jazz. No entanto, há espaço para outros instrumentos, como violino, rabeca e violão, incentivando formações variadas.
A formalização dessas ações como projeto de extensão visa garantir a continuidade, a ampliação do impacto e uma maior articulação entre a Universidade e a comunidade externa. Ao longo dos últimos dois anos, o coletivo vem estabelecendo parcerias com espaços culturais, mobilizando o público e contribuindo para a reativação da cena instrumental local.
Fonte: Agecom/UFRN

