O Rio Grande do Norte colocou apenas uma escola entre as 50 maiores médias do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025. O resultado aparece em levantamento elaborado a partir dos microdados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), que reúne as instituições com melhor desempenho nacional considerando as cinco áreas avaliadas pelo exame.
A única representante potiguar na lista é o Colégio Ciências Aplicadas, de Natal, que aparece na 41ª colocação nacional, com média de 726,44 pontos. A instituição é privada e figura ao lado de escolas de estados como Ceará, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e Piauí.
O dado chama atenção porque o ranking é amplamente dominado por colégios localizados no Sudeste e no Nordeste, mas com forte concentração em redes privadas especializadas na preparação para vestibulares e exames nacionais. Entre as 50 escolas listadas, apenas duas são públicas, ambas vinculadas a universidades federais.
Ceará domina o topo do ranking
As maiores médias do país ficaram concentradas principalmente em instituições cearenses. As três primeiras posições foram ocupadas por escolas de Fortaleza: Ari de Sá Cavalcante – Mário Mamede, Farias Brito Colégio de Aplicação e Christus Colégio Pré-Universitário.
O Ceará também lidera em número de escolas presentes entre as 50 melhores colocadas. Segundo o levantamento, oito instituições do estado aparecem na lista, empatando com Minas Gerais e São Paulo como as unidades da federação com maior presença no ranking.
O desempenho reforça um fenômeno observado há anos nas avaliações nacionais: a consolidação de grupos educacionais especializados em preparação para o Enem e vestibulares de alta concorrência.
Ranking não mede necessariamente a qualidade de toda a escola
Os próprios dados divulgados levantam uma discussão recorrente sobre a interpretação desses resultados. Algumas das instituições mais bem colocadas registraram forte redução no número de alunos entre o segundo e o terceiro ano do ensino médio ou mantêm modelos altamente seletivos de admissão.
O levantamento aponta que parte dos colégios presentes nas primeiras posições trabalha com grupos reduzidos de estudantes ou concentra os alunos de melhor desempenho em unidades específicas. Isso significa que a média obtida no Enem nem sempre reflete o conjunto da trajetória educacional oferecida pela instituição.
Em alguns casos, o número de matriculados no terceiro ano é significativamente menor do que o registrado no segundo ano, o que sugere processos de seleção ou migração de estudantes ao longo da etapa final da educação básica.
O que explica a presença de apenas uma escola potiguar
A participação de apenas uma instituição do Rio Grande do Norte entre as 50 maiores médias evidencia uma diferença histórica na distribuição dos centros privados de preparação para exames de alta competitividade.
Estados como Ceará, Minas Gerais e São Paulo desenvolveram, ao longo das últimas décadas, redes educacionais voltadas especificamente para vestibulares e olimpíadas acadêmicas, criando ecossistemas que combinam seleção de alunos, carga horária ampliada e forte investimento em desempenho.
Isso não significa que o ensino potiguar esteja restrito a uma única escola de excelência, mas mostra que, quando o critério analisado é exclusivamente a média do Enem, o estado ainda possui presença reduzida entre as instituições que lideram os rankings nacionais.
Resultados individuais também foram divulgados
Além das médias por escola, o MEC disponibilizou os resultados individuais do Enem 2025, permitindo que estudantes consultem seu desempenho e comparem os resultados obtidos nas diferentes áreas do conhecimento.
Os dados também possibilitam análises mais detalhadas sobre o desempenho das instituições de ensino, embora especialistas alertem que indicadores educacionais mais amplos — como permanência escolar, aprendizagem acumulada e contexto socioeconômico dos alunos — não aparecem integralmente em rankings baseados apenas nas notas do exame.

