O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpre agenda no Rio Grande do Norte nesta quinta-feira (3) para participar da inauguração de mais uma etapa das obras da transposição do Rio São Francisco. A cerimônia será realizada no município de Luís Gomes, no Alto Oeste potiguar, e marcará a entrega do Túnel Major Sales, estrutura estratégica do Ramal do Apodi, integrante do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF).
Com aproximadamente 6,5 quilômetros de extensão, o túnel é apontado pelo governo federal como um dos segmentos tecnicamente mais desafiadores de todo o empreendimento. A estrutura permitirá o avanço das águas do São Francisco em direção ao Oeste do Rio Grande do Norte, reforçando o sistema hídrico de uma das regiões historicamente mais afetadas pela escassez de água no semiárido nordestino.
A visita presidencial recoloca em evidência uma das maiores obras de infraestrutura hídrica já executadas no Nordeste. Mais do que uma intervenção de engenharia, a transposição tornou-se um instrumento de reorganização econômica e social em áreas marcadas por ciclos recorrentes de estiagem, baixa disponibilidade hídrica e dependência de sistemas emergenciais de abastecimento.
Túnel Major Sales é peça central do Ramal do Apodi
Segundo informações do governo federal, o Túnel Major Sales possui capacidade para transportar até 20 metros cúbicos de água por segundo, sendo considerado um dos principais elementos estruturantes do Ramal do Apodi.
O empreendimento integra o Projeto de Integração do Rio São Francisco e deverá beneficiar aproximadamente 750 mil pessoas distribuídas em 54 municípios do Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba.
A expectativa é que a ampliação da oferta hídrica contribua para reduzir a vulnerabilidade de cidades dependentes de reservatórios sujeitos a longos períodos de estiagem, além de fortalecer atividades econômicas ligadas à agricultura, pecuária e abastecimento urbano.
Obra possui impacto estratégico para o Rio Grande do Norte
No caso potiguar, a chegada das águas do São Francisco é tratada há décadas como uma das principais soluções estruturais para enfrentar os efeitos da seca no interior do estado.
O Alto Oeste concentra municípios que convivem historicamente com limitações de abastecimento e com elevada dependência das condições climáticas. A integração ao sistema hídrico nacional tende a oferecer maior previsibilidade para o consumo humano, para a produção agrícola e para o planejamento de políticas públicas relacionadas à segurança hídrica.
Além do aspecto social, especialistas apontam que obras dessa dimensão possuem potencial para alterar dinâmicas econômicas regionais, permitindo maior estabilidade produtiva em áreas tradicionalmente impactadas pela irregularidade das chuvas.
Agenda presidencial inclui entrega de ônibus escolares
Durante a passagem pelo Rio Grande do Norte, Lula também participará da entrega de 20 ônibus escolares do programa Caminho da Escola, iniciativa vinculada ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
Segundo dados oficiais, o estado foi contemplado com 130 veículos nas duas etapas do programa, totalizando investimentos estimados em R$ 62,5 milhões.
A medida busca ampliar a capacidade de transporte escolar, especialmente em municípios do interior, onde longas distâncias entre comunidades rurais e unidades de ensino representam um dos fatores de evasão e dificuldade de acesso à educação básica.
Transposição avança após décadas de debates
A transposição do Rio São Francisco figura entre os projetos mais discutidos da história recente da infraestrutura brasileira.
Defendida por sucessivos governos como mecanismo para ampliar a disponibilidade de água no semiárido, a iniciativa também foi alvo de questionamentos relacionados a custos, cronogramas, impactos ambientais e efetividade da distribuição dos recursos hídricos.
Com a inauguração do Túnel Major Sales, o governo federal busca demonstrar a continuidade das obras remanescentes do sistema e reforçar a narrativa de conclusão gradual de um projeto iniciado há quase duas décadas.
Para o Rio Grande do Norte, a expectativa é que a consolidação do Ramal do Apodi represente não apenas mais água disponível, mas uma mudança estrutural na relação entre o estado e um dos seus principais desafios históricos: a convivência com a seca.

