A presença de pombos dentro de uma enfermaria do Hospital Giselda Trigueiro, em Natal, motivou uma denúncia do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde-RN), que cobra providências imediatas da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). Imagens registradas na unidade mostram aves circulando livremente em áreas destinadas à internação de pacientes, situação que, segundo a entidade, representa risco sanitário em um hospital que é referência estadual no tratamento de doenças infectocontagiosas.
De acordo com a diretora do Sindsaúde-RN, Ana Karla, a situação não é inédita. Ela afirma que o sindicato já recebeu outras denúncias envolvendo a presença de pombos nas proximidades da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e até relatos da existência de ratos na unidade. Para a dirigente sindical, a permanência das aves em áreas assistenciais demonstra falhas que precisam ser corrigidas com urgência, principalmente porque muitos pacientes atendidos no hospital apresentam baixa imunidade e maior vulnerabilidade a infecções.
Sindicato aponta risco para pacientes e profissionais
Segundo o Sindsaúde, a circulação de pombos dentro das enfermarias aumenta o risco de contaminação por fungos, bactérias e outros agentes biológicos presentes nas fezes das aves. A entidade defende que ambientes hospitalares devem obedecer a rígidos protocolos de biossegurança e afirma que situações como essa colocam em risco não apenas pacientes internados, mas também profissionais de saúde que atuam diariamente na unidade.
O Hospital Giselda Trigueiro é referência estadual no atendimento de doenças infectocontagiosas, recebendo pacientes encaminhados de diversas regiões do Rio Grande do Norte. Por essa característica, o controle ambiental da unidade possui papel estratégico para reduzir riscos de infecção hospitalar e garantir condições adequadas de assistência.
Sesap anuncia instalação de telas e reforço na manutenção
Após a divulgação da denúncia, a Sesap informou que adotará medidas para impedir a entrada das aves nas enfermarias. Entre as ações anunciadas estão a instalação de telas de proteção nas janelas, reforço na limpeza das áreas frequentadas pelos pombos e campanhas para evitar que aves sejam alimentadas nas dependências do hospital.
A pasta explicou ainda que parte das janelas permanece aberta por necessidade clínica. Pacientes em tratamento contra tuberculose precisam permanecer em ambientes com ventilação natural, já que o uso de ar-condicionado ou ventiladores não é recomendado nesses casos. Segundo a secretaria, essa característica favorece a entrada das aves, razão pela qual a instalação das telas foi definida como solução para conciliar ventilação e segurança sanitária.
Problema reacende debate sobre manutenção da rede hospitalar
Embora a Sesap tenha anunciado providências, o episódio reacende uma discussão recorrente sobre a manutenção da infraestrutura dos hospitais estaduais. Em unidades de alta complexidade, intervenções preventivas costumam ser determinantes para evitar que problemas estruturais afetem diretamente a assistência prestada aos pacientes.
Nos últimos dias, a saúde pública potiguar voltou ao centro das discussões em razão de diferentes episódios envolvendo a rede estadual, como a paralisação dos servidores da saúde, denúncias de falta de medicamentos e insumos no Hospital Tarcísio Maia e a ação ajuizada pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública para cobrar a retomada das obras do Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Walfredo Gurgel. Embora tenham origens distintas, os casos evidenciam desafios relacionados à manutenção da infraestrutura, ao abastecimento e à gestão das unidades hospitalares.
O que está em jogo
Mais do que a presença de aves em uma enfermaria, a denúncia levanta uma questão que afeta diretamente a qualidade da assistência hospitalar. Em hospitais especializados no tratamento de doenças infectocontagiosas, medidas de controle ambiental fazem parte da própria estratégia de segurança do paciente. Quando falhas dessa natureza chegam ao conhecimento público, elas reforçam a necessidade de investimentos contínuos em manutenção preventiva, monitoramento das instalações e conservação da estrutura física das unidades.
A adoção das medidas anunciadas pela Sesap deverá reduzir o risco imediato da entrada de pombos nas enfermarias. O desafio, entretanto, permanece maior: garantir que situações semelhantes sejam prevenidas antes de comprometer o funcionamento de hospitais que desempenham papel estratégico para a saúde pública do Rio Grande do Norte.

