Refinaria Clara Camarão aumenta combustíveis pela terceira semana. A alta já acumula 55% desde fevereiro.

Foto: Freepik

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A Refinaria Clara Camarão, localizada em Guamaré, voltou a aumentar os preços da gasolina e do diesel comercializados às distribuidoras. Foi a terceira semana consecutiva de reajustes, numa sequência que amplia a pressão sobre o mercado de combustíveis do Rio Grande do Norte e pode chegar, ainda que não de maneira automática ou integral, aos postos e ao bolso dos consumidores.

A gasolina A passou de R$ 3,86 para R$ 3,90 por litro, aumento de R$ 0,04 na nova tabela. Desde 19 de fevereiro, quando era negociado a R$ 2,51, o combustível ficou R$ 1,39 mais caro. Isso representa uma elevação acumulada de aproximadamente 55,4% em menos de cinco meses.

O diesel A S500 teve aumento ainda maior nesta atualização: R$ 0,20 por litro. Na modalidade de venda EXA, o preço avançou de R$ 4,51 para R$ 4,71. Na modalidade LCT, passou de R$ 4,52 para R$ 4,72.

Gasolina sobe R$ 0,15 em três semanas

A atual sequência de aumentos começou no início de julho, quando a gasolina vendida pela refinaria passou de R$ 3,75 para R$ 3,80 por litro. Na semana seguinte, em 9 de julho, houve um novo acréscimo de R$ 0,06, elevando o valor para R$ 3,86.

A terceira correção acrescentou mais R$ 0,04. Em apenas três semanas, portanto, o preço da gasolina A aumentou R$ 0,15 por litro, uma alta de 4% sobre o valor praticado antes da sequência.

Os reajustes ocorreram depois de um período de redução em relação aos preços máximos alcançados durante o ano. Em maio, a gasolina chegou a ser negociada a R$ 4,22 por litro na Clara Camarão. O preço atual ainda está R$ 0,32 abaixo daquele pico, mas voltou a subir de maneira contínua.

Alta acumulada supera 55%

A comparação com fevereiro mostra uma variação muito mais expressiva. Em 19 de fevereiro, a gasolina A custava R$ 2,51 por litro na refinaria. Com o novo valor de R$ 3,90, a diferença chega a R$ 1,39.

Isso significa que, para adquirir mil litros do produto, uma distribuidora que desembolsava R$ 2.510 em fevereiro passou a pagar R$ 3.900, sem considerar outros custos da operação. A diferença é de R$ 1.390 a cada mil litros.

Em uma carga de 10 mil litros, apenas para dimensionar o efeito matemático do aumento, a diferença bruta alcança R$ 13,9 mil. O valor não corresponde necessariamente ao repasse final ao consumidor, mas ajuda a demonstrar a dimensão da mudança ocorrida na origem da cadeia.

Diesel aumenta até R$ 1,43

O diesel A S500 vendido na modalidade EXA custava R$ 3,28 por litro em fevereiro. Com o novo reajuste, passou a R$ 4,71, acumulando alta de R$ 1,43 por litro, equivalente a aproximadamente 43,6%.

Na modalidade LCT, o produto avançou de R$ 3,30 para R$ 4,72 no mesmo período. A diferença é de R$ 1,42 por litro, representando crescimento próximo de 43%.

O valor atual continua abaixo do maior preço registrado pela refinaria em 2026. Em abril, o diesel chegou a se aproximar de R$ 5,80 por litro. Isso mostra que houve uma redução depois do pico, mas também que o mercado voltou a operar sob uma sequência de correções ascendentes.

Preço da refinaria não é valor da bomba

Os R$ 3,90 divulgados para a gasolina e os valores de R$ 4,71 e R$ 4,72 para o diesel não correspondem aos preços cobrados diretamente dos motoristas. São valores da gasolina A e do diesel A S500 comercializados pela refinaria antes das demais etapas da cadeia.

No caso da gasolina, o produto puro ainda precisa ser misturado ao etanol anidro para formar a gasolina C vendida nos postos. Sobre o combustível também incidem tributos, custos de transporte, armazenamento, mistura, distribuição e margens comerciais.

A própria Brava Energia ressalta essa diferença. Um reajuste na refinaria cria pressão sobre o restante da cadeia, mas não permite afirmar que a bomba aumentará exatamente R$ 0,04 na gasolina ou R$ 0,20 no diesel. O repasse dependerá de estoques, contratos, concorrência e decisões de distribuidoras e postos.

Refinaria abastece três estados

A Refinaria Clara Camarão integra o Polo Potiguar e possui capacidade instalada para processar 37,7 mil barris de petróleo por dia, segundo a Brava Energia. A unidade produz gasolina, diesel, bunker e querosene de aviação.

A estrutura atende mercados do Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba. Isso significa que as alterações praticadas em Guamaré podem repercutir além das fronteiras potiguares, embora a composição do abastecimento varie entre as regiões e distribuidoras.

A refinaria foi adquirida pela iniciativa privada no processo de venda do Polo Potiguar pela Petrobras. Atualmente, a operação pertence à Brava Energia, companhia formada após a combinação entre 3R Petroleum e Enauta.

Diferença em relação à Petrobras chama atenção

A Petrobras havia reduzido, em janeiro, o preço médio da gasolina A vendida às distribuidoras para aproximadamente R$ 2,57 por litro. A comparação com os R$ 3,90 cobrados na Clara Camarão aponta uma diferença nominal de R$ 1,33 por litro, ou cerca de 51,8%.

A comparação deve ser feita com cautela. Preços podem variar conforme local de entrega, modalidade contratual, volume, condições logísticas e outras características comerciais. Ainda assim, o distanciamento evidencia que refinarias privadas não são obrigadas a seguir as tabelas da Petrobras.

Cada empresa define sua política de preços de acordo com custos, cotações internacionais, câmbio, oferta, demanda e estratégia comercial. A existência de uma refinaria dentro do Rio Grande do Norte, portanto, não garante automaticamente combustível mais barato aos consumidores do estado.

Privatização não eliminou dependência do mercado

A venda da refinaria e dos campos do Polo Potiguar foi defendida sob o argumento de que a entrada de novos operadores ampliaria a concorrência, aumentaria investimentos e tornaria o mercado mais eficiente. O comportamento dos preços, porém, mostra que a proximidade geográfica entre produção, refino e consumo não é suficiente para impedir aumentos.

A Brava Energia atua como empresa privada e busca rentabilidade em suas operações. Seus preços respondem a critérios empresariais, e não a uma política pública estadual de contenção dos combustíveis.

Isso não significa que cada reajuste seja consequência exclusiva da privatização. O preço dos derivados sofre influência do petróleo, do câmbio, do mercado internacional e da concorrência. Mas significa que o estado perdeu a possibilidade de interferência direta sobre uma estrutura que já pertenceu ao sistema Petrobras, enquanto os consumidores permanecem expostos às decisões comerciais do novo controlador.

Diesel espalha aumento por toda a economia

O diesel possui um efeito econômico mais abrangente do que o gasto direto de quem abastece um veículo particular. É o combustível utilizado no transporte de mercadorias, alimentos, insumos industriais, encomendas e passageiros.

Quando o diesel aumenta, transportadoras podem revisar o preço do frete. O custo adicional percorre a cadeia e pode aparecer no valor de produtos vendidos em supermercados, feiras, farmácias, lojas e restaurantes.

No Rio Grande do Norte, onde boa parte do abastecimento depende do transporte rodoviário, uma alta persistente do diesel pode produzir pressão inflacionária muito além dos postos de combustíveis. O impacto atinge empresas, trabalhadores autônomos, motoristas de aplicativo, taxistas, agricultores e consumidores em geral.

Sequência exige transparência

A Brava Energia informa os valores praticados na refinaria, mas a divulgação isolada dos reajustes não explica integralmente os fatores que produziram cada aumento. Para o consumidor, permanece difícil saber quanto decorre da cotação do petróleo, do câmbio, dos custos da unidade ou da política de margens da companhia.

A transparência é especialmente necessária porque os reajustes ocorreram semanalmente. A alta acumulada de R$ 0,15 em julho não é um movimento irrelevante, principalmente quando se soma ao aumento de R$ 1,39 registrado desde fevereiro.

Também é necessário acompanhar quanto dessas correções será efetivamente repassado pelas distribuidoras. Sem monitoramento dos preços em cada etapa, o consumidor conhece o valor na refinaria e o preço na bomba, mas continua sem enxergar o caminho percorrido entre um e outro.

Consumidor pode sentir efeito nos próximos dias

Os postos trabalham com estoques adquiridos em momentos diferentes. Por isso, um reajuste na refinaria pode demorar alguns dias para aparecer nas bombas ou ser diluído de acordo com os volumes disponíveis e a concorrência local.

Também existe a possibilidade de parte do aumento ser absorvida temporariamente por distribuidoras ou revendedores. Esse comportamento, contudo, tende a ser limitado quando as altas se repetem por várias semanas.

Depois de três reajustes consecutivos, a margem para absorção pode diminuir. O risco agora é que a sequência observada na refinaria se transforme numa nova rodada de aumentos ao consumidor, atingindo não apenas o abastecimento dos veículos, mas o custo do transporte e dos produtos que circulam pelas estradas potiguares.

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