IBGE lança mapas-múndi com países em proporções mais fiéis

Foto: equal-earth.com

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) passou a disponibilizar nesta segunda-feira (7) mapas-múndi que representam com maior fidelidade a proporção territorial entre países e continentes. Os materiais utilizam uma projeção próxima da Equal Earth, na qual África e América do Sul deixam de aparecer visualmente reduzidas em relação a regiões localizadas no Norte do planeta.

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Projeção de Mercator amplia regiões próximas aos polos

Grande parte dos mapas-múndi difundidos em escolas, livros e meios de comunicação deriva da projeção criada por Gerardus Mercator no século 16. Ela foi desenvolvida para facilitar a navegação, preservando ângulos e direções, mas produz distorções progressivamente maiores à medida que os territórios se afastam da Linha do Equador.

Por essa razão, regiões como Groenlândia, Europa e América do Norte aparecem proporcionalmente maiores, enquanto África e América do Sul parecem menores quando comparadas a elas. A diferença não decorre de um erro de medição, mas da escolha matemática utilizada para transformar a superfície curva da Terra em uma imagem plana.

Nenhuma projeção consegue preservar simultaneamente áreas, formas, distâncias e direções. A questão, portanto, não é encontrar um mapa sem distorções, mas decidir quais características serão priorizadas de acordo com a finalidade da representação.

Equal Earth preserva o tamanho relativo dos territórios

A Equal Earth pertence à categoria das projeções equivalentes, concebidas para preservar a proporção das áreas representadas. Isso permite comparar com maior fidelidade o tamanho de países e continentes, embora formas e distâncias continuem sujeitas às limitações inevitáveis de qualquer mapa plano.

A projeção foi apresentada em 2018 pelos cartógrafos Bojan Šavrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny. Seu desenho procura combinar a conservação das áreas com uma aparência visual mais familiar do que outras projeções equivalentes.

Na prática, a mudança impede que regiões próximas aos polos sejam artificialmente ampliadas em relação aos territórios equatoriais. O mapa não altera a geografia do planeta, mas muda a comparação visual que milhões de pessoas aprendem a tomar como retrato natural do mundo.

ONU aprova iniciativa para corrigir representação da África

O lançamento do IBGE ocorre após a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovar, na sexta-feira (4), uma iniciativa destinada a corrigir as distorções dos mapas-múndi mais utilizados. A proposta recebeu 164 votos favoráveis, seis abstenções e apenas um voto contrário, dos Estados Unidos.

A reivindicação foi impulsionada pela União Africana. O argumento é que a projeção de Mercator reduz visualmente o continente africano quando comparado a regiões do Norte global, influenciando não apenas a leitura geográfica, mas também a percepção simbólica do peso territorial dos países.

A própria cobertura oficial da Assembleia Geral reconhece que as distorções da projeção de Mercator contribuem para uma percepção diminuída da África e de outras áreas equatoriais. A decisão, entretanto, não funciona como uma lei capaz de obrigar escolas, editoras ou governos a substituir seus mapas. Sua força é política e institucional: oferece respaldo internacional para que organismos públicos e materiais educacionais adotem outras projeções.

IBGE já produzia mapas alinhados à nova representação

Os mapas que o IBGE coloca à disposição foram produzidos entre 2024 e 2026. Segundo a diretora de Geociências do instituto, Maria do Carmo Bueno, a adesão internacional à Equal Earth reforça o trabalho do órgão brasileiro de acompanhar as inovações cartográficas e adotar representações que respondam às demandas por maior equilíbrio na forma de retratar o planeta.

O público poderá acessar os materiais no site da Loja Virtual do IBGE. A disponibilização reúne versões recentes dos mapas-múndi produzidos pelo instituto e aproxima a cartografia oficial brasileira da mudança respaldada pela Assembleia Geral da ONU.

A substituição de uma projeção consolidada há séculos dependerá da adesão de escolas, editoras, governos e plataformas digitais. Sem essa incorporação, a decisão internacional permanecerá restrita ao plano institucional; com ela, estudantes passarão a aprender geografia por meio de uma representação em que o tamanho visual dos territórios se aproxima mais de suas áreas efetivas.

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