Gargalo na transmissão limita expansão energética no estado

Foto: Sandro Menezes

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O estado gera mais energia do que consegue entregar ao sistema

O Rio Grande do Norte consolidou sua posição como um dos principais polos de geração de energia eólica do país, com expansão contínua de parques e novos projetos em desenvolvimento, incluindo iniciativas offshore. Esse crescimento, no entanto, passou a enfrentar um limite que não está na capacidade de produzir energia, mas na infraestrutura de transmissão disponível para escoar essa produção até os centros de consumo.

O sistema elétrico nacional vem impondo restrições operacionais para evitar sobrecarga na rede, o que resulta em cortes na geração — especialmente no Nordeste, onde a produção renovável cresce mais rápido que a capacidade de transporte. Na prática, isso significa que turbinas instaladas e prontas para operar deixam de gerar em determinados momentos, não por falta de vento, mas por ausência de rede suficiente para absorver a energia produzida.

Essa desconexão entre geração e transmissão transforma parte da capacidade instalada em potencial ocioso, reduzindo a eficiência do sistema e limitando o retorno sobre investimentos já realizados.

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O problema não está na produção — está na infraestrutura que não acompanhou

A expansão da energia eólica no RN foi impulsionada por condições naturais favoráveis e por um ambiente de investimento que atraiu grandes projetos ao longo da última década. No entanto, a construção de linhas de transmissão não acompanhou o mesmo ritmo, criando um descompasso entre onde a energia é gerada e para onde ela precisa ser enviada.

Esse atraso na infraestrutura não é apenas técnico, mas institucional, porque envolve licenciamento, planejamento e execução em nível nacional, o que torna a solução mais lenta que a própria expansão da geração. A consequência é que o estado passa a operar em um cenário em que produzir mais energia não significa necessariamente vender mais energia.

Esse limite altera a lógica de investimento, já que novos projetos passam a depender não apenas de viabilidade de geração, mas da garantia de escoamento, o que aumenta o risco e reduz a previsibilidade para investidores.

O corte de geração já impacta receita e novos projetos

Quando a geração é limitada por restrições da rede, há impacto direto na receita dos operadores, que deixam de comercializar energia que poderia ser produzida. Esse fenômeno, conhecido no setor como “curtailment”, não apenas reduz ganhos imediatos, mas afeta a viabilidade econômica de novos empreendimentos.

Investidores passam a considerar o risco de não conseguir entregar toda a energia gerada, o que pode levar à revisão de projetos, adiamento de investimentos ou deslocamento de novos empreendimentos para regiões com menor restrição. A implicação é que o RN, mesmo com vantagem natural, pode perder competitividade relativa dentro do próprio país.

Esse movimento também afeta a cadeia produtiva associada à energia, incluindo fornecedores, serviços e empregos ligados à expansão do setor.

A promessa da energia offshore esbarra no mesmo limite estrutural

O avanço de projetos de energia eólica offshore no litoral do RN surge como nova fronteira de expansão, com potencial de aumentar significativamente a capacidade instalada. No entanto, essa nova etapa enfrenta o mesmo gargalo estrutural: sem ampliação da rede de transmissão, a energia adicional gerada terá dificuldade de ser incorporada ao sistema.

Isso cria um paradoxo operacional, em que o estado amplia sua capacidade de geração em escala crescente, mas mantém uma limitação fixa na capacidade de escoamento, o que impede que o potencial se converta integralmente em produção efetiva.

A consequência é que a expansão tecnológica e geográfica do setor não resolve o problema central, apenas o desloca para um patamar maior de capacidade instalada sem correspondente aumento de entrega.

O gargalo transforma liderança energética em perda econômica

Se a infraestrutura de transmissão não for ampliada no mesmo ritmo da geração, o RN tende a consolidar um cenário em que parte significativa da energia produzida não será aproveitada, reduzindo a eficiência do sistema e o retorno econômico do setor. Esse desperdício operacional se traduz em perda de receita, menor atratividade para novos investimentos e limitação do crescimento da cadeia energética.

A consequência mensurável é a combinação de capacidade instalada crescente com utilização efetiva reduzida, o que diminui a produtividade do setor e impacta diretamente a arrecadação e geração de empregos associados. Ao longo do tempo, esse padrão tende a transformar uma vantagem natural — a capacidade de gerar energia — em um ativo subutilizado, condicionado a uma infraestrutura que não acompanha sua expansão.

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