O número de mulheres negras empregadas no mercado formal em empresas com mais de 100 funcionários passou de 3,2 milhões para 4,2 milhões entre 2023 e 2025, crescimento de 29% segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial . O avanço supera o ritmo geral do emprego feminino no período. A expansão ocorre dentro de um ambiente de maior formalização.
No mesmo intervalo, o total de mulheres com emprego formal subiu 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões . O crescimento das mulheres negras ocorre em ritmo mais acelerado.
Esse movimento indica que a inclusão no mercado formal não ocorre de forma homogênea, concentrando maior expansão em grupos historicamente sub-representados. A entrada no sistema cresce, mas não altera automaticamente sua estrutura.
Diferença salarial aumenta mesmo com avanço na contratação
Apesar do aumento no número de contratações, mulheres passaram a receber, em média, 21,3% menos que homens em empresas de maior porte, percentual superior ao registrado anteriormente . A desigualdade se amplia.
No salário de admissão, a diferença também cresceu, com mulheres recebendo 14,3% menos que homens . A disparidade aparece desde a entrada.
Participação na massa salarial segue abaixo da presença no emprego
A participação feminina no total de salários pagos chegou a 35,2%, enquanto a presença no emprego formal atinge 41,4% . Há diferença entre presença e remuneração.
Esse descompasso mostra que o aumento no número de contratações não se traduz em distribuição proporcional de renda. O sistema absorve mão de obra sem redistribuir salários na mesma proporção.
Além disso, a diferença varia conforme o porte das empresas, sendo mais acentuada em organizações maiores, onde os salários são mais elevados . A desigualdade se intensifica nos níveis superiores.
Como consequência, a expansão do emprego ocorre com manutenção de hierarquias salariais internas. O crescimento não altera a estrutura de remuneração.
Empresas ampliam políticas de inclusão e liderança feminina
O número de empresas com presença feminina em cargos de liderança cresceu 12%, indicando aumento na ocupação de posições de chefia . Há mudança na composição interna.
Também houve crescimento na adoção de políticas voltadas à permanência e progressão profissional de mulheres. O ambiente corporativo passa a incorporar mecanismos de retenção.
Equiparação salarial teria impacto direto na economia
O relatório estima que seriam necessários R$ 95,5 bilhões adicionais por ano para eliminar a diferença salarial entre homens e mulheres . O ajuste tem dimensão econômica.
A correção dessa distorção elevaria em mais de 10% a massa total de rendimentos do país. O impacto vai além do mercado de trabalho.
Se mantido, o modelo atual tende a ampliar a presença de mulheres negras no emprego formal sem alterar a distribuição de renda dentro das empresas, mantendo a desigualdade como parte da estrutura do mercado. O sistema incorpora novos trabalhadores, mas preserva diferenças salariais que afetam diretamente a composição econômica e a capacidade de consumo.

