Empresas do RN lideram Nordeste em valor médio de dívidas, aponta Serasa

Foto: Freepik

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O Rio Grande do Norte registrou 90.093 empresas inadimplentes em fevereiro de 2026, acumulando R$ 1,82 bilhão em dívidas, segundo dados da Serasa Experian . Apesar de não liderar em número de empresas no vermelho, o estado aparece no topo quando o critério é o valor médio das dívidas. O destaque ocorre pela intensidade do endividamento.

A dívida média por empresa no RN chegou a R$ 20,2 mil, acompanhada por uma média de 6,1 pendências por CNPJ e ticket médio de R$ 3.337 . Os indicadores mostram concentração de passivos.

Esse padrão revela um sistema em que menos empresas concentram volumes maiores de dívida, elevando o grau de comprometimento financeiro por negócio. A inadimplência deixa de ser apenas quantitativa.

RN difere de outros estados pelo peso das dívidas

Estados como Bahia, Pernambuco e Ceará possuem maior número absoluto de empresas inadimplentes, mas apresentam valores médios inferiores por empresa . A diferença está na composição.

Enquanto esses estados concentram volume, o RN concentra intensidade, com débitos mais elevados distribuídos entre menos empresas. O perfil muda.

Crédito restrito dificulta reorganização financeira

O aumento do endividamento está associado a condições de crédito mais restritivas, com juros elevados e maior dificuldade de acesso a novas linhas . O ambiente financeiro limita reação.

Mesmo com a redução da taxa básica de juros, o custo do crédito permanece alto na ponta, influenciado por fatores como risco e condições de financiamento das instituições . O acesso não melhora.

Esse cenário impede que empresas renegociem dívidas antigas ou alonguem prazos, levando ao acúmulo de passivos em atraso. O problema se prolonga.

Como consequência, a inadimplência deixa de ser pontual e passa a operar como ciclo contínuo de endividamento. A recuperação se torna mais difícil.

Pequenos negócios concentram maior vulnerabilidade

Micro e pequenas empresas representam cerca de 95% dos CNPJs inadimplentes no país, com forte presença nos setores de serviços e comércio . A exposição é maior.

Esses negócios dependem mais de capital de giro e têm menor acesso a crédito em condições favoráveis. O impacto financeiro se intensifica.

Endividamento empresarial segue em alta no país

O Brasil registrou 8,8 milhões de empresas inadimplentes em fevereiro de 2026, com dívidas que somam R$ 204,6 bilhões . O volume nacional cresce.

Em um ano, o total de débitos aumentou em mais de R$ 40 bilhões, indicando ampliação do problema em escala nacional. O sistema pressiona empresas.

Se mantido, o modelo atual de crédito restrito tende a ampliar a concentração de dívidas nas empresas, especialmente em economias com predominância de pequenos negócios, como no Rio Grande do Norte. O endividamento deixa de ser uma condição temporária e passa a integrar o funcionamento do ambiente econômico, limitando investimento, crescimento e capacidade de recuperação financeira.

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