Vergonha: RN tem menor índice de leitores do país e expõe falha na formação do hábito de leitura

Foto: Freepik

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Estado aparece na última posição em hábito de leitura

O Rio Grande do Norte registrou o menor índice de leitores do Brasil, com apenas 33% da população declarando o hábito de leitura, segundo a 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil . O dado coloca o estado na última posição nacional. A diferença não é marginal.

No cenário geral, 53% dos brasileiros se classificam como não leitores, enquanto apenas 47% afirmam ler livros, número inferior ao registrado em 2019, quando o índice era de 52% . A queda ocorre em escala nacional. O problema não é local.

Como consequência, o RN não apenas acompanha a retração do país, mas se posiciona abaixo da média nacional, indicando que fatores locais ampliam um fenômeno que já é estrutural no Brasil.

Desigualdade regional concentra leitura fora do Nordeste

A pesquisa mostra que o Nordeste possui o menor percentual de leitores do país, com 43% da população declarando o hábito, abaixo dos 48% registrados em 2019 . A redução ocorre ao longo do tempo. O padrão se consolida.

Em contraste, a região Sul concentra o maior índice, com 53% de leitores, evidenciando uma distribuição desigual do acesso à leitura entre regiões . A diferença não é pontual. Ela é regionalizada.

Como consequência, o acesso ao hábito de leitura deixa de ser apenas uma escolha individual e passa a refletir condições estruturais, como oferta de livros, políticas públicas e ambiente educacional.

Formação de leitores depende de políticas que não se consolidaram

A baixa proporção de leitores no estado está associada à ausência de políticas contínuas de incentivo à leitura, segundo avaliação de agentes do setor cultural . O problema não está apenas no indivíduo. Ele está na estrutura.

A formação de leitores depende de acesso a bibliotecas, programas educacionais e estímulo ao consumo de livros desde a infância, elementos que não se distribuem de forma uniforme no território. O hábito não surge espontaneamente.

Como consequência, estados com menor investimento e menor capilaridade dessas políticas tendem a apresentar índices mais baixos, reproduzindo o ciclo de baixa formação de leitores ao longo do tempo.

Mercado editorial local opera com baixa escala

A produção de livros no Rio Grande do Norte ocorre em escala significativamente menor do que em outras regiões do país, com tiragens médias de cerca de 300 exemplares por título, enquanto editoras do Sul e Sudeste produzem entre 5 mil e 15 mil unidades . A diferença é estrutural.

Essa limitação reduz a circulação de obras, dificulta o acesso e restringe a presença de livros no cotidiano da população. O problema não é apenas demanda. É também oferta.

Como consequência, o sistema editorial local opera com menor alcance, o que impacta diretamente a formação de leitores e a sustentabilidade da cadeia produtiva do livro no estado.

Leitura digital cresce, mas não compensa queda geral

Parte do acesso à leitura ocorre por meios digitais, com 30% dos entrevistados afirmando ler livros pela internet e 38% tendo contato com obras em formatos como e-books e audiolivros . O formato muda. O acesso se adapta.

Além disso, 28% utilizam a internet para buscar informações sobre livros e autores, indicando que o ambiente digital amplia formas de contato com a literatura . A tecnologia amplia caminhos.

Como consequência, embora o digital expanda possibilidades de acesso, ele não é suficiente para compensar a queda geral no hábito de leitura, mantendo o índice total em retração.

Diferenças de gênero e idade mostram padrões distintos

A pesquisa indica que mulheres lideram o hábito de leitura no país, com cerca de 50 milhões de leitoras, contra 43 milhões de homens . O comportamento varia entre grupos. O padrão não é uniforme.

Entre faixas etárias, apenas jovens de 11 a 13 anos e pessoas acima de 70 anos não registraram queda no número de leitores, enquanto os demais grupos apresentaram retração . A queda não é homogênea.

Como consequência, o hábito de leitura passa a depender de fatores específicos como idade e gênero, indicando que a formação de leitores não ocorre de forma contínua ao longo da vida.

Políticas nacionais tentam reverter tendência

O governo federal lançou o Plano Nacional do Livro e Leitura 2026-2036, com meta de ampliar a proporção de leitores no país de 47% para 55% . A intervenção é planejada. O objetivo é mensurável.

O plano prevê ampliação do acesso a livros, fortalecimento de bibliotecas e incentivo à produção literária, além de integração com políticas educacionais já existentes . A estratégia é estrutural.

Como consequência, a reversão da queda no hábito de leitura passa a depender da execução dessas políticas ao longo do tempo, especialmente em estados com menor índice, como o Rio Grande do Norte.

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