“Programa Antes que Aconteça” entra em vigor hoje (04) e amplia rede de proteção a mulheres

Imagem: divulgação

Publicidade

Programa entra em vigor e reorganiza estrutura de atendimento à violência contra mulheres

Passou a valer nesta segunda-feira (4) o Programa Antes que Aconteça, iniciativa do governo federal voltada à ampliação da rede de prevenção e apoio a mulheres em situação de violência. A medida foi oficializada por meio de publicação no Diário Oficial da União e estabelece novas diretrizes para o funcionamento da estrutura pública de atendimento, com inclusão de serviços, ampliação de unidades e integração entre órgãos.

A entrada em vigor do programa altera a forma como o atendimento é organizado ao criar mecanismos adicionais dentro de estruturas já existentes, especialmente no sistema de segurança pública e assistência social. O objetivo é ampliar a capacidade de acolhimento e resposta em diferentes etapas do atendimento, desde o primeiro contato até situações que exigem proteção imediata.

A mudança ocorre em um contexto de aumento dos registros de violência, o que orienta a ampliação da rede e a criação de novos instrumentos dentro do sistema público, sem substituição das estruturas já em funcionamento.

Salas Lilás passam a integrar atendimento em delegacias e órgãos públicos

Entre as medidas previstas está a instalação das Salas Lilás, espaços destinados ao acolhimento de mulheres e meninas em situação de violência dentro de delegacias e outras instituições públicas. Esses ambientes são estruturados para oferecer atendimento inicial em condições diferenciadas, o que modifica a forma de recepção das vítimas no momento de entrada no sistema.

A criação dessas salas insere um ponto específico de atendimento dentro de unidades já existentes, evitando a necessidade de deslocamento para locais distintos e permitindo integração direta com procedimentos policiais e administrativos. Esse modelo busca reduzir barreiras no acesso inicial ao serviço e organizar o fluxo de atendimento dentro das próprias instituições.

A presença dessas estruturas dentro da rede pública altera o percurso institucional das vítimas, ao concentrar acolhimento e encaminhamento no mesmo espaço físico.

Ampliação de abrigos e serviços móveis expande alcance da política

O programa também prevê a ampliação das casas abrigo, destinadas a mulheres e dependentes em situação de risco iminente. Esses espaços funcionam como medida de proteção emergencial e passam a ter maior capacidade dentro da rede pública, o que altera a disponibilidade de acolhimento em casos que exigem afastamento imediato do ambiente de violência.

Além das unidades fixas, a política inclui atendimento itinerante por meio de vans e estruturas móveis, com oferta de suporte psicológico, jurídico e social. Esses serviços serão direcionados a áreas com menor acesso à rede tradicional, como comunidades afastadas e ambientes escolares, ampliando o alcance territorial da política pública.

A combinação entre estruturas fixas e móveis cria um modelo de atendimento distribuído, permitindo que o sistema alcance diferentes perfis de população e regiões com menor cobertura institucional.

Programa inclui prevenção, educação e autonomia econômica como eixos de atuação

A iniciativa estabelece como objetivos a redução dos índices de violência doméstica e feminicídio, o fortalecimento da rede de proteção e a promoção da autonomia econômica feminina. Esses eixos ampliam o escopo da política ao incluir não apenas o atendimento após a violência, mas também ações voltadas à prevenção e à independência financeira das vítimas.

Também estão previstas ações educativas com foco na igualdade de gênero, especialmente no ambiente escolar. A inclusão desse componente insere a política em uma dimensão formativa, ao vincular o enfrentamento da violência a processos de conscientização e mudança de comportamento social.

Essa estrutura distribui a atuação do programa entre diferentes frentes, combinando atendimento direto, prevenção e ações de médio prazo dentro do mesmo desenho institucional.

Dados de feminicídio orientam expansão da rede e execução do programa

A implementação ocorre após o registro de 1.518 casos de feminicídio no Brasil em 2025, média de quatro mortes por dia, número utilizado como referência para a ampliação das medidas. Esse volume de ocorrências define a necessidade de expansão da rede e orienta a criação de novos instrumentos dentro do sistema público.

O programa foi estruturado a partir de articulação entre a Bancada Feminina do Congresso Nacional, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e os conselhos nacionais de Justiça e do Ministério Público. Esse arranjo institucional distribui responsabilidades entre diferentes esferas e define o modelo de execução das ações previstas.

A entrada em vigor consolida uma política que amplia a rede existente por meio da inclusão de novos dispositivos, reorganizando o atendimento e expandindo a capacidade de resposta do sistema público diante dos casos de violência contra mulheres.

Sair da versão mobile