Preço da gasolina sobe até R$ 7,49 em Natal e entra na mira do Procon

Foto: Freepik

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Alta repentina nos postos leva Procon a iniciar fiscalização em Natal

O preço da gasolina chegou a R$ 7,49 em postos de Natal nesta terça-feira (5), provocando reação imediata de consumidores e abertura de fiscalização pelo Procon estadual. O aumento chamou atenção porque ocorreu poucos dias após levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontar preço médio de R$ 6,41 na capital potiguar, diferença superior a R$ 1 por litro em parte dos estabelecimentos.

As denúncias sobre reajustes considerados abruptos levaram fiscais do órgão a vistoriar postos para verificar se os aumentos possuem justificativa proporcional ao custo de aquisição do combustível. A fiscalização desloca o foco da simples variação de preço para a composição do repasse aplicado ao consumidor final, especialmente em um mercado marcado por diferenças significativas entre estabelecimentos.

O movimento ocorre em um contexto em que o preço dos combustíveis no estado passou a depender diretamente da política comercial da refinaria Clara Camarão, em Guamaré, após o processo de privatização da unidade.

Procon analisa notas fiscais para identificar possível abuso nos reajustes

Durante as fiscalizações, o Procon requisitou notas fiscais de compra do combustível para comparar o aumento aplicado pelas distribuidoras e refinarias com o valor repassado nas bombas. Em um dos postos vistoriados no bairro Planalto, Zona Oeste da capital, os documentos indicaram acréscimo de aproximadamente 0,25% no valor de aquisição do produto.

Segundo o órgão, a análise busca identificar se houve aumento desproporcional ao custo efetivamente pago pelos postos. Isso porque o reajuste na refinaria não obriga automaticamente que todos os estabelecimentos elevem os preços na mesma intensidade, já que cada posto possui estoque, fornecedores e margens distintas.

Esse modelo de verificação altera a dinâmica da fiscalização ao focar não apenas no preço final exibido ao consumidor, mas na relação entre custo de compra, margem aplicada e velocidade do repasse.

Mercado passa a operar com diferenças maiores entre postos e regiões

O levantamento mais recente da ANP mostrou que os preços da gasolina em Natal já apresentavam forte variação antes do novo aumento. Entre os 18 postos analisados na pesquisa semanal, o litro era encontrado entre R$ 5,97 e R$ 6,88, diferença de quase R$ 1 entre o menor e o maior valor registrado.

Na pesquisa realizada pelo próprio Procon em abril, a Zona Sul apareceu como a região com combustível mais caro da cidade, com média de R$ 6,58 por litro. A nova disparada amplia ainda mais a distância entre bairros e reforça um padrão de preços fragmentados dentro da capital.

Essa dispersão cria um ambiente em que o consumidor passa a depender cada vez mais de pesquisa prévia para abastecer, enquanto órgãos de fiscalização enfrentam dificuldade maior para distinguir reajustes legítimos de possíveis práticas abusivas.

Privatização da refinaria alterou dinâmica do preço dos combustíveis no estado

Parte dos aumentos identificados pelos postos foi associada à refinaria Clara Camarão, localizada em Guamaré, que atualmente opera sob controle privado. Segundo informações apresentadas durante a fiscalização, postos que adquiriram combustível da refinaria já teriam recebido produto com reajuste embutido no preço de compra.

A mudança de controle da refinaria alterou a lógica de formação de preços no mercado potiguar, aproximando os reajustes locais das oscilações internacionais do petróleo e da política comercial adotada pela empresa responsável pela operação. Esse novo modelo reduziu a previsibilidade de preços e aumentou a frequência de variações repassadas ao consumidor.

Com isso, o mercado estadual passou a responder mais rapidamente a alterações de custo na cadeia de distribuição, ampliando o impacto direto sobre postos e consumidores finais.

Fiscalização deve continuar enquanto aumentos forem registrados na capital

O Procon informou que novos reajustes continuarão sendo monitorados individualmente, com análise específica de cada posto fiscalizado. A estratégia busca identificar se os aumentos acompanham efetivamente mudanças no custo de aquisição ou se há ampliação artificial das margens de lucro durante períodos de alta.

Até o momento, nenhum estabelecimento havia sido autuado, mas os documentos recolhidos seguem sob análise técnica. A continuidade da fiscalização indica que o órgão pretende acompanhar não apenas o aumento já registrado, mas também possíveis novos reajustes nos próximos dias.

A escalada da gasolina em Natal amplia a pressão sobre consumidores em um cenário de renda comprimida e custo elevado de transporte, ao mesmo tempo em que expõe como mudanças na cadeia de abastecimento passaram a produzir impactos imediatos no preço final pago nas bombas.

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