MEIs do turismo poderão financiar até R$ 21 mil com nova linha federal

Foto: Deposit Photos

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Governo lança crédito voltado a MEIs do turismo inscritos no CadÚnico

O governo federal lançou uma nova linha de crédito destinada a microempreendedores individuais (MEIs) de baixa renda que atuam no setor do turismo. O programa terá juros reduzidos, carência de até seis meses para início do pagamento e será direcionado inicialmente a trabalhadores inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).

Batizada de “Do Lado do Turismo Brasileiro”, a iniciativa foi apresentada pelo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, durante a abertura do 10º Salão do Turismo, realizado em Fortaleza. Segundo o governo, o objetivo é ampliar acesso ao crédito para trabalhadores informais e pequenos empreendedores que atuam em atividades ligadas ao turismo e normalmente enfrentam dificuldades para conseguir financiamento bancário tradicional.

O programa reposiciona o turismo dentro da política social e econômica federal ao conectar inclusão produtiva, formalização e acesso a crédito subsidiado em setores marcados por forte informalidade.

Linha permitirá financiamento de até R$ 21 mil por operação

Segundo o Ministério do Turismo, cada operação poderá financiar até R$ 21 mil. Os recursos serão provenientes do Fundo Geral de Turismo (Fungetur), enquanto o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social destinará inicialmente até R$ 100 milhões ao Fundo de Garantia de Operações (FGO), mecanismo que servirá para reduzir riscos das instituições financeiras participantes.

O modelo busca facilitar aprovação do crédito para trabalhadores de baixa renda que geralmente possuem dificuldade de acesso ao sistema bancário convencional devido à ausência de garantias financeiras e histórico formal de crédito.

Ao utilizar fundos públicos como garantia parcial das operações, o governo transfere parte do risco financeiro para o próprio Estado como forma de ampliar acesso ao financiamento entre pequenos empreendedores vulneráveis economicamente.

Programa terá foco inicial no Nordeste e poderá ser ampliado

A operação começará inicialmente pela região Nordeste, por meio do Banco do Nordeste (BNB). Segundo o governo federal, a previsão é expandir posteriormente a linha de crédito para outras regiões do país conforme o andamento das operações e disponibilidade financeira do programa.

Os interessados deverão manifestar interesse em um canal virtual disponibilizado pelo BNB. Depois disso, passarão por entrevista com agente de crédito responsável pela análise do perfil do negócio, atividade exercida, renda média e finalidade do financiamento solicitado.

Esse modelo tenta combinar expansão do crédito com mecanismos mínimos de avaliação operacional, reduzindo risco de inadimplência em um público tradicionalmente excluído das linhas formais de financiamento empresarial.

Recursos poderão financiar equipamentos, reformas e ferramentas

Segundo o Ministério do Turismo, os recursos poderão ser utilizados para compra de equipamentos, máquinas, utensílios, ferramentas e pequenas reformas relacionadas às atividades turísticas desenvolvidas pelos microempreendedores.

O público-alvo inclui profissionais como guias turísticos, vendedores ambulantes, pequenos comerciantes de praia, trabalhadores autônomos e outros empreendedores que movimentam cadeias locais ligadas ao turismo em diferentes regiões do país.

A escolha desse perfil revela uma tentativa do governo de alcançar justamente a parcela mais pulverizada e informal da economia turística brasileira, normalmente pouco integrada às políticas tradicionais de financiamento empresarial.

Cadastro no CadÚnico e no Cadastur será obrigatório

Para acessar a linha de crédito, os trabalhadores precisarão estar inscritos tanto no CadÚnico quanto no Cadastur, sistema oficial de cadastro do Ministério do Turismo voltado a prestadores de serviços turísticos.

Mesmo pessoas que ainda não possuem MEI formalizado poderão participar da política. Segundo o governo, inscritos no CadÚnico sem empresa aberta poderão criar uma microempresa, realizar cadastro no Cadastur e então solicitar acesso ao financiamento.

Essa exigência transforma o programa também em mecanismo indireto de formalização econômica dentro do setor turístico, estimulando trabalhadores informais a ingressarem no sistema oficial de registros empresariais.

Turismo vira eixo de inclusão produtiva para população de baixa renda

A criação da linha de crédito amplia uma estratégia do governo federal de utilizar setores intensivos em mão de obra como ferramenta de inclusão produtiva para populações vulneráveis. O turismo aparece nesse contexto como atividade com capacidade de absorção rápida de trabalhadores autônomos, pequenos comerciantes e prestadores de serviços locais.

Ao vincular crédito subsidiado ao CadÚnico, o governo transforma uma política tradicionalmente assistencial em instrumento de inserção econômica, aproximando programas sociais de mecanismos de geração de renda e formalização.

O novo financiamento para MEIs do turismo tenta ocupar justamente o espaço entre informalidade e empreendedorismo de sobrevivência, utilizando crédito público como mecanismo para ampliar circulação econômica em uma das cadeias produtivas mais dependentes do trabalho informal no país.

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