O Rio Grande do Norte está entre os estados brasileiros em situação de alerta para o aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo a nova edição do boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O levantamento aponta que apenas Rondônia, Piauí e Pernambuco permanecem fora das zonas de alerta, risco ou alto risco para crescimento das hospitalizações provocadas por vírus respiratórios.
A análise considera dados coletados entre os dias 14 e 20 de junho e mostra que praticamente todo o país enfrenta pressão causada pela circulação simultânea de diferentes vírus. Entre eles estão o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável principalmente por bronquiolite e pneumonia em crianças, e os vírus influenza A e B, causadores da gripe. Em alguns estados, como Amazonas, Pará e Ceará, a Fiocruz também observa crescimento gradual dos casos de covid-19.
Para o Rio Grande do Norte, o alerta ganha peso porque coincide com o período de maior circulação de vírus respiratórios no estado. Nesta época do ano, hospitais públicos costumam registrar aumento na procura por atendimento de crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, justamente os grupos mais vulneráveis às formas graves dessas infecções.
Influenza responde pela maior parte das mortes
Os dados nacionais mostram que a gripe voltou a ocupar posição central entre os vírus respiratórios de maior gravidade.
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, 53,1% das amostras positivas para vírus respiratórios corresponderam ao vírus sincicial respiratório, seguido por rinovírus (23,9%), influenza A (16,4%), influenza B (7,9%) e covid-19 (2%).
Quando o recorte considera apenas os óbitos, o cenário muda. A influenza A respondeu por 38,3% das mortes, tornando-se o vírus respiratório mais letal no período analisado. Em seguida aparecem rinovírus (21,6%), vírus sincicial respiratório (20,9%), influenza B (12,6%) e covid-19 (7,5%).
Os números ajudam a explicar por que as campanhas de vacinação contra a gripe continuam sendo tratadas como prioridade pelas autoridades sanitárias, especialmente durante o inverno.
Quase 100 mil casos graves já foram registrados no país
Segundo o boletim da Fiocruz, o Brasil notificou 97.813 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) desde o início do ano.
Desse total, 49.511 casos tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório, enquanto outros 7.771 ainda aguardam resultado dos exames.
A SRAG representa a forma mais grave das infecções respiratórias e costuma exigir internação hospitalar. Entre os principais sintomas estão dificuldade para respirar, queda da saturação de oxigênio, desconforto respiratório intenso e comprometimento pulmonar.
Vacinação continua sendo principal proteção
A pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe, afirma que a vacinação permanece sendo a estratégia mais eficaz para reduzir internações e mortes provocadas pelos principais vírus respiratórios.
Segundo a especialista, as vacinas oferecem proteção contra casos graves associados à influenza, à covid-19 e ao vírus sincicial respiratório, especialmente entre idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas imunocomprometidas.
O Ministério da Saúde também mantém a recomendação para que os grupos prioritários atualizem sua vacinação contra covid-19 e gripe, principalmente diante do aumento da circulação viral observado nas últimas semanas.
Alerta é especialmente importante para o RN
Para o Rio Grande do Norte, a inclusão no mapa de alerta da Fiocruz funciona como um sinal para intensificar medidas preventivas antes que o aumento das infecções provoque maior pressão sobre a rede hospitalar.
O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, os hospitais pediátricos e as unidades de pronto atendimento costumam registrar crescimento da demanda durante os meses de maior circulação viral. Embora a maior parte dos casos evolua sem gravidade, pacientes dos grupos de risco apresentam maior probabilidade de necessitar internação.
A orientação das autoridades de saúde é que pessoas com sintomas gripais utilizem máscara ao procurar atendimento médico, mantenham higiene frequente das mãos, evitem contato com pessoas vulneráveis e procurem vacinação caso ainda não tenham recebido as doses recomendadas.
Prevenção reduz impacto sobre o sistema de saúde
A situação observada pela Fiocruz demonstra que os vírus respiratórios continuam representando um dos principais desafios sazonais para o Sistema Único de Saúde.
Cada aumento expressivo nas internações por gripe, bronquiolite ou pneumonia reduz a disponibilidade de leitos para outras doenças e amplia a pressão sobre equipes médicas e serviços de urgência.
No Rio Grande do Norte, onde a demanda hospitalar costuma aumentar nesta época do ano, ampliar a cobertura vacinal e adotar medidas simples de prevenção pode reduzir não apenas o risco individual de adoecimento, mas também evitar sobrecarga da rede pública de saúde nas próximas semanas.

