Finep destinará R$ 220 milhões para inovação na agricultura familiar; medida pode impulsionar projetos no RN

Foto: Tribuna do Norte

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A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançou dois editais que somam R$ 220 milhões em recursos destinados ao desenvolvimento de tecnologias para a agricultura familiar e a aquicultura brasileira. A iniciativa integra o programa CooperaMais Brasil Tecnologia, vinculado ao Plano Safra voltado ao segmento, e pretende estimular a criação de soluções capazes de aumentar a produtividade, agregar valor à produção e ampliar a inclusão socioprodutiva no campo.

Os recursos estarão disponíveis para instituições científicas, empresas e organizações interessadas em desenvolver projetos em parceria obrigatória com cooperativas da agricultura familiar ou da aquicultura. A proposta busca aproximar pesquisa, inovação e produção rural, reduzindo a distância histórica entre o conhecimento gerado nos centros acadêmicos e sua aplicação prática nas pequenas propriedades brasileiras.

Editais financiam pesquisa, máquinas e transferência tecnológica

Do montante anunciado, R$ 100 milhões serão destinados a instituições científicas, tecnológicas e de inovação, com foco em projetos de desenvolvimento de soluções integradas, capacitação, extensão rural e transferência de conhecimento para agricultores familiares.

Outros R$ 120 milhões serão direcionados ao setor empresarial, especialmente para o desenvolvimento industrial de máquinas, equipamentos e insumos adaptados às necessidades da agricultura familiar. A expectativa é incentivar a fabricação de tratores de pequeno porte, implementos agrícolas e tecnologias apropriadas para propriedades de menor escala produtiva.

Segundo a Finep, a iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da segurança alimentar e de estímulo à modernização das atividades desenvolvidas por agricultores familiares em todo o país.

RN possui potencial para captar recursos

No Rio Grande do Norte, os editais podem representar uma oportunidade relevante para universidades, centros de pesquisa, cooperativas e produtores rurais inseridos em cadeias produtivas ligadas à agricultura familiar.

Instituições como UFRN, Ufersa, IFRN e Emparn possuem tradição em pesquisas relacionadas ao semiárido, gestão hídrica, mecanização adaptada, melhoramento genético, agricultura irrigada e desenvolvimento de tecnologias voltadas à convivência com períodos prolongados de estiagem.

O estado também reúne características econômicas que se alinham aos objetivos dos editais. Regiões como o Seridó, Alto Oeste, Agreste e Mato Grande concentram milhares de pequenos produtores que dependem da agricultura familiar para geração de renda e manutenção das economias locais.

Na aquicultura, o RN apresenta forte presença da carcinicultura e da piscicultura, atividades que podem ser contempladas por projetos destinados à inovação produtiva, eficiência no uso da água, automação de processos e agregação de valor aos produtos comercializados.

Tecnologia pode reduzir vulnerabilidade climática

A disponibilidade de recursos para inovação ocorre em um contexto de crescente preocupação com os impactos das mudanças climáticas sobre a produção rural.

No semiárido potiguar, a adoção de tecnologias deixou de representar apenas um diferencial competitivo e passou a ser uma ferramenta de adaptação econômica. Sistemas mais eficientes de irrigação, monitoramento climático, mecanização adequada a pequenas propriedades e técnicas de produção resilientes podem contribuir para reduzir perdas, elevar a produtividade e ampliar a estabilidade da renda no campo.

Nesse cenário, o acesso a financiamento para pesquisa aplicada pode permitir que soluções desenvolvidas localmente sejam transformadas em instrumentos de fortalecimento da agricultura familiar potiguar, aumentando sua capacidade de enfrentar oscilações climáticas e ampliar a competitividade.

Plano Safra prevê quase R$ 100 bilhões para agricultura familiar

A iniciativa da Finep integra o conjunto de ações previstas no Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, que contará com investimentos estimados em R$ 97,3 bilhões destinados a crédito, seguro agrícola, assistência técnica, extensão rural e compras públicas.

Para especialistas do setor, a combinação entre financiamento, pesquisa e inovação pode se tornar um dos principais fatores de transformação econômica das pequenas propriedades rurais brasileiras ao longo dos próximos anos, especialmente em regiões que convivem com restrições ambientais e elevada dependência das atividades agropecuárias.

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