O Nordeste produziu, em 2024, todo o sisal colhido no Brasil e mais de 95% da castanha de caju, fava, mamona e melão. Também respondeu por 82,11% da manga nacional. Nessa geografia produtiva, o Rio Grande do Norte ocupa posição central: liderou a produção brasileira de melão com 505.212 toneladas, equivalentes a 61,9% da colheita do país.
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Seis culturas sob liderança regional
Os números fazem parte do Perfil Produtivo Agrícola da Sudene, elaborado a partir da Produção Agrícola Municipal de 2024 do IBGE. O levantamento expõe uma especialização pouco percebida quando o agronegócio brasileiro é resumido aos grãos do Centro-Oeste.
| Cultura | Participação do Nordeste na produção brasileira |
|---|---|
| Sisal ou agave | 100% |
| Castanha de caju | 99,56% |
| Fava | 99,42% |
| Melão | 98,35% |
| Mamona | 95,56% |
| Manga | 82,11% |
A distinção é importante: somente o sisal aparece como produção integralmente nordestina. Nas demais culturas, a participação é quase total ou amplamente majoritária. No caso da castanha de caju, a PAM considera a produção cultivada; a extração vegetal é medida separadamente pelo IBGE.
Melão põe o RN no centro do mapa
O Nordeste produziu aproximadamente 803 mil toneladas de melão, correspondentes a 98,35% da colheita brasileira. O resultado confirma que essa cadeia não está apenas concentrada na região: ela depende diretamente do desempenho dos polos irrigados nordestinos.
O Rio Grande do Norte permaneceu como maior produtor do país, mesmo com uma redução de 19,66% na comparação com 2023. As 505.212 toneladas colhidas movimentaram R$ 858 milhões em valor de produção, alta nominal de 4%. Os números estão na consulta estadual da PAM do IBGE.
Mossoró concentrou 218.373 toneladas, cerca de 42% da produção potiguar. Baraúna colheu 93 mil toneladas; Tibau, 75.645 toneladas. O detalhamento municipal dos dados mostra que a liderança nacional do RN está assentada principalmente no Oeste potiguar.
Esse resultado combina irrigação, conhecimento técnico, especialização das fazendas e uma estrutura logística moldada para atender tanto o mercado interno quanto as exportações. Não é apenas uma vantagem de clima. É uma cadeia organizada para produzir em escala e cumprir janelas comerciais.
Sisal, caju, fava e mamona formam outro bloco
No sisal, a concentração é absoluta. O Nordeste produziu 93,3 mil toneladas em 2024 — todo o volume registrado no país. A fibra abastece atividades que vão do artesanato à fabricação de cordas, tapetes e componentes industriais.
A castanha de caju chegou a 158,5 mil toneladas, com 99,56% da produção nacional. Fava e mamona completam o grupo com participações de 99,42% e 95,56%, respectivamente. São produtos de cadeias diferentes, mas ligados por uma característica comum: praticamente toda a capacidade brasileira de fornecimento está instalada no Nordeste.
Manga, cacau e uva movimentam bilhões
Na manga, a região produziu 1,51 milhão de toneladas, ou 82,11% do total brasileiro. A participação menor que a observada no sisal ou no melão ainda representa um domínio expressivo sobre uma das principais frutas comercializadas dentro e fora do país.
Entre as lavouras permanentes analisadas pela Sudene, o cacau alcançou aproximadamente R$ 6,5 bilhões em valor de produção. A uva movimentou R$ 5,2 bilhões e a manga, R$ 2,9 bilhões. Juntas, as três culturas somaram cerca de R$ 14,6 bilhões — valor da produção agrícola, não faturamento de exportações.
O cacau nordestino chegou a 137,2 mil toneladas, com forte concentração no sul da Bahia. Uva e manga, por sua vez, refletem o avanço da fruticultura irrigada e de polos capazes de produzir com regularidade em áreas de clima semiárido.
Força produtiva também revela dependência nacional
A concentração permite outra leitura. Quando uma região fornece todo o sisal, praticamente todo o melão e quase toda a castanha de caju do Brasil, problemas de água, energia, transporte ou clima no Nordeste deixam de ser questões exclusivamente regionais. Podem atingir preços, abastecimento industrial e contratos de exportação em todo o país.
Os dados também enfraquecem a imagem de uma agricultura nordestina limitada à subsistência. Há cadeias tecnológicas, especializadas e bilionárias funcionando na região. Mas essa liderança não é automática: depende de infraestrutura, pesquisa, segurança hídrica, crédito e logística compatíveis com a importância que o Nordeste já conquistou no campo.

