Novo tratamento contra câncer no SUS não causa queda de cabelo

Foto: Google/reprodução

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Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) passarão a ter acesso ampliado à imunoterapia para tratamento contra câncer, modalidade considerada menos tóxica do que a quimioterapia tradicional e que, em muitos casos, não provoca queda de cabelo. A mudança foi oficializada após sanção da Lei nº 15.379/2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A nova legislação determina que o SUS ofereça imunoterapia sempre que o tratamento apresentar superioridade terapêutica ou maior segurança em relação às opções convencionais disponíveis.

Segundo especialistas, a medida representa avanço importante na ampliação do acesso público a terapias oncológicas mais modernas e menos agressivas ao organismo.

Tratamento estimula o próprio sistema imunológico

A imunoterapia funciona de maneira diferente da quimioterapia tradicional.

Enquanto a quimioterapia ataca diretamente células que se multiplicam rapidamente — incluindo células saudáveis — a imunoterapia busca estimular o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater células cancerígenas.

O hematologista Douglas Covre Stocco explica que um dos mecanismos usados pelo câncer para escapar das defesas naturais do corpo envolve o bloqueio da proteína PD-1, responsável pela comunicação entre células imunológicas.

Segundo ele, a imunoterapia atua justamente reativando essa capacidade de reconhecimento.

“Essa imunoterapia faz com que o PD1 fique sensível novamente, para que as células de defesa identifiquem as células cancerosas e combatam”, explica o especialista.

Imunoterapia tende a causar menos efeitos colaterais

Uma das diferenças mais perceptíveis para os pacientes está na redução dos efeitos colaterais tradicionais associados ao tratamento oncológico.

A oncologista Juliana Alvarenga afirma que a imunoterapia, de forma geral, costuma ser menos tóxica porque não agride diretamente células saudáveis do organismo da mesma forma que a quimioterapia convencional.

Por isso, pacientes submetidos ao tratamento frequentemente não apresentam queda de cabelo, náuseas intensas ou fraqueza severa — sintomas bastante associados à quimioterapia clássica.

“Na quimioterapia, os medicamentos agem em células que se multiplicam rapidamente e isso inclui não só o câncer, mas também células saudáveis”, explica a médica.

Tratamento ainda possui riscos e efeitos colaterais

Apesar de menos agressiva em muitos casos, a imunoterapia não é isenta de riscos.

Douglas Stocco alerta que, justamente por atuar sobre o sistema imunológico, o tratamento pode provocar reações autoimunes em diferentes órgãos do corpo.

Entre os efeitos possíveis estão inflamações intestinais, alterações hormonais, problemas pulmonares e, em situações mais raras, até encefalite autoimune.

“Os efeitos colaterais são, em geral, diferentes, mas eles ainda acontecem”, afirma o especialista.

Respostas podem ser mais duradouras

Outra característica apontada pelos especialistas é o potencial de respostas prolongadas ao tratamento.

Segundo Juliana Alvarenga, em alguns pacientes o sistema imunológico “aprende” a continuar combatendo o tumor mesmo após o encerramento da terapia.

Isso pode permitir controle mais duradouro da doença, inclusive em determinados casos de câncer metastático.

A incorporação da imunoterapia também amplia possibilidades terapêuticas para tumores hematológicos, como linfomas, além de alguns tipos de tumores sólidos.

Tecnologia amplia pressão sobre estrutura do SUS

A chegada da imunoterapia ao SUS revela uma transformação mais profunda na oncologia pública brasileira.

Tratamentos contra câncer estão deixando gradualmente de funcionar apenas através de protocolos padronizados e passando a incorporar terapias biológicas altamente específicas, personalizadas e tecnologicamente sofisticadas.

Isso representa avanço importante para os pacientes, mas também amplia a pressão financeira e estrutural sobre o sistema público de saúde.

Imunoterapias costumam possuir custos elevados, exigem acompanhamento especializado e dependem de infraestrutura médica mais complexa do que tratamentos tradicionais.

Na prática, o desafio do SUS deixa de ser apenas oferecer acesso formal à tecnologia.

Passa também a envolver capacidade real de financiamento, distribuição regional e manutenção contínua dessas terapias em um sistema de saúde que já opera sob forte pressão orçamentária.

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