BNDES destina R$ 17 milhões para fortalecer coletivos periféricos e amplia oportunidades no RN

Foto: Tiago Lima

Publicidade

Enquanto muitas organizações comunitárias lutam para manter suas atividades por meio de trabalho voluntário e pequenas doações, uma nova iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende ampliar a capacidade de atuação desses grupos. O banco lançou o edital BNDES Periferias Fortes – Nordeste, que destinará mais de R$ 17 milhões para fortalecer organizações da sociedade civil que desenvolvem projetos em comunidades periféricas de oito estados nordestinos, entre eles o Rio Grande do Norte.

A iniciativa prevê a seleção de 85 organizações sem fins lucrativos, que poderão receber até R$ 100 mil, no caso de entidades de pequeno porte, e até R$ 300 mil para organizações de médio porte. O programa também oferece uma jornada de fortalecimento institucional com mentorias, capacitações especializadas e acompanhamento técnico durante seis meses, buscando ampliar a capacidade de gestão e sustentabilidade dos projetos contemplados.

O maior desafio nem sempre é criar projetos, mas mantê-los funcionando

Em bairros periféricos do Rio Grande do Norte, coletivos comunitários frequentemente assumem funções que ultrapassam suas próprias finalidades originais. Muitos desenvolvem atividades culturais, esportivas, educacionais e de assistência social em territórios onde a presença permanente do poder público é limitada. Apesar da relevância desse trabalho, a maior parte dessas iniciativas enfrenta dificuldades para acessar editais públicos, captar recursos e estruturar sua gestão administrativa.

Essa limitação produz um efeito recorrente: organizações que conseguem mobilizar voluntários e desenvolver projetos de impacto acabam encontrando dificuldades para crescer, manter equipes, ampliar atendimentos ou estabelecer parcerias institucionais. Em muitos casos, a falta de estrutura administrativa pesa mais do que a ausência de boas ideias.

O edital aposta no fortalecimento institucional

Diferentemente de programas voltados exclusivamente ao financiamento de projetos, o edital do BNDES procura fortalecer a própria capacidade de gestão das organizações participantes. Durante o processo, os coletivos terão acesso a conteúdos sobre planejamento estratégico, governança, captação de recursos, comunicação, transparência, sustentabilidade financeira e até inteligência artificial aplicada ao terceiro setor. Ao final da formação, cada entidade deverá apresentar um plano de fortalecimento institucional e sustentabilidade.

Outro diferencial é o apoio à formalização de coletivos que ainda não possuem registro jurídico. Essa etapa costuma representar um dos principais obstáculos para organizações comunitárias, que frequentemente deixam de acessar recursos públicos e privados justamente por não atenderem às exigências burocráticas previstas em editais de financiamento.

O Rio Grande do Norte pode ampliar sua economia social

No Rio Grande do Norte, onde centenas de coletivos atuam em comunidades urbanas e rurais, a abertura do edital representa uma oportunidade que vai além da obtenção de recursos financeiros. O fortalecimento dessas organizações amplia a capacidade de desenvolvimento local em áreas como geração de renda, cultura, esporte, educação, saúde, direitos humanos, meio ambiente e desenvolvimento comunitário.

Na prática, iniciativas comunitárias costumam alcançar territórios onde políticas públicas enfrentam maiores dificuldades de implementação. Ao fortalecer essas organizações, amplia-se também a capacidade de articulação entre sociedade civil, instituições públicas e setor privado, criando redes locais capazes de produzir soluções permanentes para problemas sociais.

Investimento busca reduzir desigualdades territoriais

O programa prioriza organizações lideradas por mulheres, jovens, pessoas negras e moradores das próprias comunidades periféricas. Segundo o BNDES, o objetivo é reconhecer iniciativas já existentes e ampliar sua capacidade de gerar impacto social nos territórios onde atuam. Desde 2024, a estratégia nacional BNDES Periferias já destinou R$ 355 milhões em recursos não reembolsáveis para ações desenvolvidas em comunidades urbanas de diferentes regiões do país.

Mais do que financiar projetos isolados, o banco aposta na construção de organizações mais estruturadas e financeiramente sustentáveis, capazes de manter suas atividades mesmo após o encerramento do período de apoio financeiro.

Inscrições seguem abertas até agosto

Podem participar organizações sem fins lucrativos e coletivos com histórico comprovado de atuação em seus territórios. As ações desenvolvidas devem beneficiar populações de baixa renda em áreas como geração de emprego e renda, educação, saúde, esporte, justiça, meio ambiente, serviços urbanos e desenvolvimento regional. As inscrições permanecem abertas até 12 de agosto por meio da plataforma do Instituto Ekloos, parceiro do programa.

Para o Rio Grande do Norte, onde inúmeras iniciativas comunitárias dependem da mobilização voluntária para continuar funcionando, o edital representa uma oportunidade de transformar projetos que hoje sobrevivem com recursos limitados em organizações mais estruturadas, sustentáveis e capazes de ampliar seu impacto social.

Sair da versão mobile