Os “corres” estão ganhando espaço na rotina dos potiguares e transformando ruas e bairros em pontos de encontro para quem quer praticar atividade física enquanto aproveita música, diversão e convivência no Rio Grande do Norte. Os eventos reúnem centenas de pessoas para corrida e caminhada, com trios elétricos, dança e promessa de muita animação. O fenômeno começou em Natal, no mês de julho, e já se espalhou pela região metropolitana.
Diferente das corridas de rua, os “corres” são eventos gratuitos e não visam à formação de pódios. Eles viraram um novo hábito de lazer e socialização comunitária, reunindo pessoas de diferentes idades na prática de atividades físicas. Outro efeito percebido nas comunidades onde há “corres” é o fomento à economia local. A TRIBUNA DO NORTE acompanhou dois desses encontros nesta semana.
O Corre de Terça da Cidade da Esperança foi o primeiro desenvolvido em Natal. Tiago Lima, organizador do evento, conta que a inspiração veio de Manaus (AM).
“Um colega [começou] em Manaus, ligado à cultura de lá, com música eletrônica. Eu vi aquilo na realidade de Manaus e disse: ‘O nosso povo é muito eclético. Se eu fizer esse evento aqui e linkar às músicas que a gente tem, à nossa cultura, ao Grafith, ao pagode, ao forró, isso vai ser sucesso’. E assim foi”, afirma.
A estreia foi em 21 de julho deste ano, com cerca de 450 pessoas, e hoje reúne, em média, 20 mil participantes. “O público abraçou justamente pelo formato, que é muito dinâmico. É um evento que consegue promover saúde e entretenimento ao mesmo tempo”, diz Tiago Lima.
Os participantes se multiplicaram durante a concentração do corre nesta terça-feira (6). Por volta das 19h30, começou um show musical, que durou cerca de uma hora. Segundo Tiago Lima, a venda da camisa, que é opcional, é a única fonte de arrecadação do projeto.
“Temos umas ativações a mais para a camisa. Quem está com ela consegue fazer trança, penteado. Tem água, fruta e uma área mais restrita, com mais bonificações, mas não é obrigatório”, explica. Na estrutura da concentração havia estandes com atividades, além de opções de comida e bebida. Duas ambulâncias acompanhavam os participantes. Havia segurança no local.
A família da estudante Maria Luiza Braz, de 19 anos, a motivou a participar do Corre de Terça. “Eu vi a movimentação lá em casa e me interessei para vir junto. Como eu estava começando uma vida mais atlética, estava procurando melhorar a minha saúde”, conta.
Para ela, o evento é muito movimentado. “É incrível como um esporte e essa busca por uma vida saudável conseguem juntar tantas pessoas”, avalia. “Não imaginei que a proporção do corre fosse tão grande quanto a que eu estou vendo nos últimos dias”.
A participante, que intensificou a academia depois de algumas edições do corre, diz que observa muitas amizades surgindo por causa do evento.
A autônoma Elaine Cristina Torres, 40, participa do corre desde a segunda edição, com a família. “O que nos trouxe foi o objetivo de espairecer com a família, brincar, conhecer e fazer novas amizades. Sem falar que é bom para a saúde”, diz. As filhas dela, de 8 e 14 anos, aprovam o evento.
Aparecida Rodrigues, a “tia Cida”, 57, sempre está no corre. “[O evento] levanta a estima, a gente arruma amizade, a gente corre, a gente faz reunião. É muito bom”, conta a vendedora. Cida já praticava zumba antes do corre e, apesar de não completar os 5 quilômetros do percurso, se diverte.
A funcionária pública Andreza Félix, 47, também vê benefícios à saúde. “O movimento nos incentiva a cuidar mais da saúde e sair do sedentarismo. O corre está sendo um movimento muito bom, tirando as pessoas de casa, do sofá”, diz.
José Wellys, 33, conta que estava praticando corrida de rua quando conheceu o corre. “A energia é muito diferente. Aqui não é competição, cada um vai correndo no seu tempo e isso ajuda, se torna mais divertido”, descreve o encarregado de uma padaria.
Comerciantes acompanham o movimento e aproveitam para ganhar uma renda extra durante a programação, que é semanal na Cidade da Esperança. A vendedora de drinks Rejane Soares relata que o corre está ajudando: “Está sendo maravilhoso para o comerciante. Estamos vendendo bastante”, comemora.

Corre na Coophab tem alongamento e dança

Inspirado na Cidade da Esperança, o Corre da Quinta Coophab, em Parnamirim, começou há um mês. A reportagem chegou no início da concentração nesta quinta-feira (8). No local, havia aula de dança coletiva e alongamento. Os participantes podiam fazer massagem e tomar suplementos de forma gratuita, seguindo para a corrida com uma atração musical.
Os organizadores do corre, Ricardo de Paula e Emerson Cristian, dizem que ele começou com um grupo de amigos que queria perder peso.
“O propósito é a prática esportiva. É um evento totalmente gratuito. Dependemos de parceiros para realizar o evento”, explica Ricardo.
O jogador de futebol Felipe Manoel dos Santos, 33, avalia que o corre da Coophab promove saúde. “Correr é vida. Espero que possa ter mais vezes e que mais pessoas possam vir e contribuir com esse projeto maravilhoso”, diz. Ele começou no esporte aos 16 anos e está passando as férias com a mãe, no RN.
As amigas Flávia Fausto, 50, e Kátia Fringinio, 56, moram na Coophab e são presença constante no corre. Flávia corre há 20 anos: “Vim, trouxe as amigas. É divertido, porque tem a dança. Não é só a corrida. E abre portas para as outras pessoas que [ainda] não correm”, destaca a cuidadora.
A esteticista Kátia começou “a correr por conta de ansiedade, estresse e pelo processo de emagrecimento”. O corre, segundo ela, é mais voltado ao lazer, mais descontraído. “Não tem aquela obrigação de manter um ritmo da corrida. Você faz networking com pessoas, ouve histórias. É bem divertido.”
Marcelo Bezerra, 28, mora próximo ao local de concentração e estava curioso para conhecer o evento. “Vou vir para as próximas que estão para acontecer”, garantiu o gestor de projetos. Na visão dele, a ação fortalece a atividade física e a melhoria da qualidade de vida.
Os “corres” estão presentes, semanal ou quinzenalmente, em diversos bairros de Natal. Em uma busca na rede social, é possível encontrar perfis também ligados a São Gonçalo do Amarante, na Grande Natal.

Especialistas veem impactos positivos
Para a psicóloga Thaís Pinheiro, os “corres” podem promover o sentimento de pertencimento a um grupo social e criar novas redes de apoio. Além disso, a corrida em grupo ajuda na socialização, combate o isolamento social e fortalece a autoestima, com impactos positivos na saúde mental dos participantes.
“Trazendo ao benefício da saúde física, ajuda na regulação emocional e alívio de estresses, uma vez que a atividade física estimula a liberação de neurotransmissores como endorfina, dopamina e serotonina, reduzindo os níveis de cortisol (estresse) e ansiedade”, afirma a psicóloga.
Segundo ela, algumas atividades podem passar a sensação de uma “obrigação solitária” ou ser complexas demais para os iniciantes. “Trazendo para esse contexto de unir lazer e socialização, a atividade física […] pode tirar o foco puramente do desempenho técnico e substituí-lo pela diversão.”
O personal trainer Jarian Pedro reforça que o papel dos corres é promover saúde e qualidade de vida, “ajudando as pessoas a criarem uma rotina mais ativa e saudável, até para as pessoas que não têm o hábito de se exercitar.”
Gabriel Procópio, personal trainer, destaca o senso de comunidade, que “ajuda a manter as pessoas unidas e por mais tempo naquele exercício ou atividade física”. “Como numa academia de musculação, por exemplo, se você tem uma dupla, se sente mais motivado”.
Confira Vídeo:
Crédito das Fotos: Adriano Abreu
Fonte: Tribuna do Norte









































































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