A deputada estadual Isolda Dantas (PT) chamou o candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) de “calango” durante uma caminhada com o candidato Cadu de Lula (PT), na terça-feira 20, em Mossoró. A declaração provocou uma resposta de Allyson, que postou um vídeo nas redes sociais acusando os adversários de promoverem uma “campanha do ódio”.
A fala de Isolda ocorreu durante uma caminhada na Avenida Presidente Dutra, que terminou com a tradicional descida do Alto de São Manoel. Ao lado de Cadu, a parlamentar provocou o adversário e o desafiou a entregar a senha do celular, fazendo uma referência indireta à investigação da Polícia Federal que atingiu a gestão de Allyson na Prefeitura de Mossoró.
“Eu sei que tem um calango aí que todo debate inventava de desafiar algo que não tinha nem sentido. Pois nós vamos fazer um desafio: calango, entregue a senha do celular”, declarou a deputada.
Na sequência, Isolda contrapôs Cadu a Allyson. “Nós não estamos nem querendo sigilo bancário. Nós só queremos a senha do celular, porque esse que está aqui do meu lado tem as mãos limpas. Não tem a Polícia Federal batendo na porta dele não”, afirmou.
Um vídeo com o trecho do discurso foi publicado pela própria Isolda Dantas em suas redes sociais.
A expressão “calango” vem sendo utilizada por adversários para criticar a neutralidade de Allyson na disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A provocação associa o animal, frequentemente visto sobre muros, à avaliação de que o candidato estaria “em cima do muro” ao evitar uma declaração de apoio a um dos concorrentes à Presidência.
Já a menção à Polícia Federal remete à Operação Mederi, deflagrada em 27 de janeiro para apurar suspeitas de fraudes em licitações e desvios de recursos destinados à compra de medicamentos em municípios potiguares, entre eles Mossoró. Allyson, então prefeito, foi alvo de busca e apreensão em sua residência, onde foram recolhidos um celular, um notebook e dois HDs pessoais. O candidato nega irregularidades e declarou anteriormente ter solicitado a retirada do sigilo da investigação, além de afirmar que seu celular estava à disposição da Justiça.
Em fevereiro, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo com base em relatórios sigilosos da investigação apontou que policiais federais registraram que Allyson teria negado fornecer a senha do celular durante a apreensão. O ex-prefeito nega e diz que seu aparelho foi entregue “aberto”.
No vídeo divulgado em resposta a Isolda, Allyson concentrou sua manifestação no uso do apelido. Primeiro, ele acusou os adversários de promoverem uma “campanha do ódio”. “Deputada, a boca fala do que o coração está cheio. E o povo está vendo essa campanha do ódio de vocês”, afirmou Allyson.
Depois, o candidato do União Brasil passou a apresentar o calango como símbolo de resistência e de identificação com o sertão. “Mas o calango é filho legítimo do sertão. Nasceu onde o sol castiga. Onde a terra racha e onde a vida ensina desde cedo a gente a ser forte”, disse.
O candidato descreveu características do animal e as associou à capacidade de enfrentar dificuldades. “É bicho ligeiro e resistente. Conhece o cheiro da terra, o calor das pedras e cada canto do sertão. Não se assusta com a seca, não se aperreia com o sol”, afirmou. Em outro trecho, acrescentou: “É um pedacinho da nossa terra, da nossa história, da nossa infância, da nossa raiz”.
Ao longo da resposta, Allyson também relacionou a imagem do calango à sua narrativa de origem humilde. “O calango não nasceu em berço de ouro, não. Nasceu no meio da luta e aprendeu que, para viver no meio do sertão, não basta ser forte. Tem que ser valente, ligeiro e ter coragem”, declarou.
A manifestação procurou transformar a provocação em um elemento de mobilização eleitoral. “O calango pode até ser pequeno no tamanho, magrinho, mas carrega dentro de si a grandeza do povo forte do sertão”, disse Allyson, antes de classificar o ataque como preconceito. “Meu povo, vamos combater o preconceito e mostrar a força de quem é nordestino, potiguar de verdade.”
Ao encerrar, o candidato pediu o compartilhamento do vídeo e incorporou o apelido ao pedido de apoio para a votação de domingo 25. “Estou com o calango 44 com muito orgulho para a gente vencer as eleições e mudar o Rio Grande do Norte no domingo”, afirmou. Na gravação, Allyson não respondeu diretamente à cobrança de Isolda sobre a senha do celular.
Imagem: Reprodução
Fonte: Agora RN






































































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