Caixa e Banco do Brasil liberam novo lote do abono salarial
Os trabalhadores nascidos em maio e junho que receberam até dois salários mínimos em 2024 já podem sacar o abono salarial 2026. O pagamento do novo lote é realizado pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil.
Segundo o governo federal, nesta etapa serão liberados aproximadamente R$ 5,7 bilhões para 4.555.924 trabalhadores em todo o país.
O valor do benefício varia entre R$ 136 e R$ 1.621, de acordo com a quantidade de meses trabalhados formalmente durante 2024. O calendário segue escalonado conforme o mês de nascimento do trabalhador.
Quem tem direito ao benefício
Para receber o abono salarial, o trabalhador precisa cumprir alguns critérios definidos pelo governo federal. Entre eles estão:
- estar inscrito no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos;
- ter trabalhado com carteira assinada por no mínimo 30 dias em 2024;
- ter recebido remuneração média mensal de até R$ 2.766 no ano-base;
- possuir dados corretamente informados pelo empregador no eSocial.
O benefício foi instituído pela Lei nº 7.998/90 e é financiado com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Pagamento ocorre por Caixa e Banco do Brasil
Para trabalhadores da iniciativa privada vinculados ao PIS, os pagamentos são realizados prioritariamente pela Caixa Econômica Federal.
Segundo o calendário divulgado, o crédito pode ocorrer diretamente em conta corrente ou poupança da Caixa, além da Poupança Social Digital movimentada pelo aplicativo Caixa Tem.
Quem não possui conta bancária pode sacar o benefício utilizando Cartão Social e senha em lotéricas, caixas eletrônicos e correspondentes Caixa Aqui. Também existe possibilidade de saque presencial nas agências mediante apresentação de documento oficial com foto.
Já os servidores públicos vinculados ao Pasep recebem o pagamento através do Banco do Brasil.
Governo prevê pagamento para mais de 22 milhões de trabalhadores
A estimativa oficial é de que aproximadamente 22,2 milhões de trabalhadores recebam o abono salarial ao longo de 2026.
O benefício funciona como uma espécie de complemento anual de renda para trabalhadores formais de baixa remuneração e se consolidou ao longo das últimas décadas como uma das principais transferências trabalhistas permanentes do país.
Abono salarial virou instrumento estrutural de renda complementar
Embora frequentemente tratado apenas como calendário anual de pagamentos, o abono salarial passou a ocupar papel estrutural dentro da renda de milhões de trabalhadores brasileiros.
Para parte significativa da população de baixa renda, o benefício funciona como reforço financeiro utilizado para pagamento de dívidas, despesas acumuladas, consumo básico ou reorganização do orçamento doméstico.
Isso ajuda a explicar por que liberações do PIS/Pasep movimentam fortemente economia popular, comércio local e circulação financeira em diversas regiões do país.
Benefício revela dimensão da baixa renda formal no Brasil
Os próprios critérios de acesso ao abono ajudam a revelar uma característica persistente do mercado de trabalho brasileiro: milhões de trabalhadores formais continuam concentrados em faixas salariais relativamente baixas.
O benefício alcança justamente empregados que recebem até dois salários mínimos mensais, faixa que ainda representa parcela expressiva da força de trabalho nacional mesmo após anos de formalização parcial da economia.
Na prática, isso transforma o abono em uma espécie de mecanismo indireto de compensação para um mercado formal que continua operando com salários comprimidos em grande parte dos setores econômicos.
Digitalização mudou forma de acesso ao benefício
O modelo de pagamento também revela uma transformação importante da política social brasileira contemporânea: benefícios trabalhistas passaram a ser operacionalizados quase integralmente por plataformas digitais bancárias.
Aplicativos como Caixa Tem, contas digitais automáticas e sistemas eletrônicos de consulta reduziram dependência do atendimento físico nas agências e ampliaram velocidade de distribuição dos recursos.
Ao mesmo tempo, isso aumentou a dependência tecnológica dos trabalhadores em relação ao sistema financeiro digital, especialmente entre populações mais vulneráveis e com menor acesso à educação digital.
O novo lote do abono salarial mostra justamente isso: além de política trabalhista, o benefício também se tornou peça importante da engrenagem de circulação de renda, bancarização digital e sustentação econômica cotidiana de milhões de brasileiros.









































































