A secretária municipal de Infraestrutura de Natal, Shirley Cavalcanti, afirmou nesta quarta-feira (3) que 94% da areia utilizada na engorda da praia de Ponta Negra permanece preservada na área costeira dos 4,6 quilômetros do aterro hidráulico. A declaração foi dada durante coletiva convocada pela pasta para esclarecer dados do relatório técnico da Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec/UFRN), que apontou movimentação de quase 40% da faixa de areia emersa da praia.
A entrevista ocorreu após a divulgação de informações do monitoramento técnico contratado pela Prefeitura do Natal, que indicou recuo de 39,27% no volume de areia visível entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026. O dado gerou questionamentos sobre uma possível perda de material da obra de aterro hidráulico.
Segundo Shirley Cavalcanti, o relatório citado é de fevereiro deste ano e analisava apenas a faixa emersa, ou seja, a parte da areia que fica visível fora da água. A secretária afirmou que o próprio estudo não permitia concluir se houve perda definitiva de sedimentos sem a realização de levantamento topobatimétrico, que avalia também a parte submersa. “Esse termo perda é usado na metodologia aplicada pela Funpec nos estudos dele. Mas dentro do estudo é dito que é 40% da faixa emersa que se movimentou”, afirmou.
De acordo com a titular da Seinfra, a Funpec realizou no mês de maio um novo estudo com batimetria, que ainda está sendo elaborado para apresentação formal à Prefeitura. A análise, segundo ela, permitirá indicar com maior precisão para onde a areia se deslocou.
“Dentro do próprio estudo está dito que eles não podem afirmar o que foi perdido, ou o que foi movimentado, ou para onde foi movimentado, sem o estudo topobatimétrico. Então, esse estudo nós temos agora. A Funpec fez o estudo da batimetria agora no mês de maio, que é o relatório que eles estão elaborando para nos apresentar”, disse.
A secretária afirmou que, em conversas técnicas com a fundação, foi informado que parte relevante da areia se deslocou para a área submersa da praia, especialmente na região usada para banho. Segundo ela, isso explica relatos de banhistas sobre mudanças na profundidade e na força das ondas após a obra.
“Conforme a batimetria, boa parte dessa areia se movimentou. A gente tem os locais que a areia se movimentou mais, como o pé do Morro do Careca, e ela se reposicionou. E boa parte dessa areia está na parte submersa, que é a área do banho. [..] Isso faz parte da dinâmica costeira, do processo natural de acomodação da praia”, declarou.
Shirley disse ainda que o estudo topobatimétrico aponta preservação de 94% da areia da engorda. Para a Prefeitura, a perda efetiva seria de 6%, percentual considerado dentro do esperado nos estudos ambientais que subsidiaram o licenciamento da obra. “Esses 6% já são previstos, esses percentuais de perda já são previstos, desde os estudos ambientais de início, de antes da engorda”, afirmou.
A secretária também reforçou que a movimentação da areia faz parte da dinâmica natural de uma obra costeira. Segundo ela, o aterro hidráulico não é uma estrutura estática e depende da ação do mar, das correntes e dos ventos. “A gente está tratando de uma obra que não é estática. Ela depende da natureza, ela depende da dinâmica costeira da praia. Então, vocês nunca vão ver engorda nenhuma do mundo com a areia imóvel. Ela vai sempre se movimentar”, disse.
No detalhamento da Funpec, os pesquisadores dividiram a praia em três setores, apontando o entorno do Morro do Careca, classificado como Área C, como o ponto mais crítico em termos proporcionais. Esse trecho apresentou uma redução de 51,87%, o que equivale a uma perda de 111,1 mil metros cúbicos em relação ao volume inicial.
Em termos absolutos, a maior variação ocorreu na Área A, correspondente à Via Costeira, onde o volume encolheu 207 mil metros cúbicos, representando uma queda de 49,74%. Já a Área B, que compreende o trecho central de Ponta Negra, foi a menos impactada, registrando um decréscimo de 21,21%, ou menos 82,7 mil metros cúbicos. A Seinfra, no entanto, sustenta que parte desse material foi redistribuída para outros trechos da praia e para a área submersa.
Segundo Shirley, a região central de Ponta Negra chegou a ganhar volume de areia. “A Praia Central, que é a grande faixa, ela engordou. Então, boa parte dessa areia foi para a faixa central. Ela engordou, em média, 10 metros, visualmente. Então, essa movimentação já era esperada”, afirmou.
A titular da Seinfra afirmou ainda que o novo relatório da Funpec, referente ao levantamento de maio, aponta que a engorda está cumprindo a função de proteção costeira. Segundo Shirley Cavalcanti, a perda identificada está dentro do percentual previsto nos estudos técnicos e é considerada pela pasta como parte do comportamento esperado da obra, que mantém sua finalidade de proteção costeira de Ponta Negra.
Imagem: Felipe Salustino
Fonte: Tribuna do Norte





































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