O comércio varejista do Rio Grande do Norte completou 14 meses consecutivos de crescimento e voltou a avançar em ritmo superior ao nacional. Em maio, o volume de vendas aumentou 1,4% na comparação com o mesmo mês de 2025, enquanto o comércio brasileiro cresceu apenas 0,4%.
O desempenho potiguar foi, portanto, três vezes e meia o resultado nacional. A expressão “quase três vezes”, utilizada no levantamento original, subestima a diferença matemática entre as duas taxas.
Os números fazem parte da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e foram analisados pelo Instituto Fecomércio Rio Grande do Norte.
RN alcança terceiro melhor resultado do Nordeste
Com a alta de 1,4%, o Rio Grande do Norte registrou o nono maior crescimento entre as 27 unidades da Federação e o terceiro melhor desempenho do Nordeste.
Na região, o estado ficou atrás apenas de Pernambuco, onde as vendas cresceram 7,4%, e do Ceará, com avanço de 2,6%.
O resultado adquire maior importância porque a comparação ocorre sobre uma base que já era positiva. Em maio de 2025, o varejo potiguar havia crescido 4% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
Isso significa que o avanço atual não decorre apenas de uma recuperação depois de um período de forte queda. O comércio conseguiu ampliar o volume de vendas mesmo depois do crescimento registrado na comparação anterior.
Farmácias e eletrodomésticos puxam vendas
As vendas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos estiveram entre as principais responsáveis pelo resultado de maio.
O desempenho também foi impulsionado pelo segmento de móveis e eletrodomésticos, que costuma depender mais diretamente da renda disponível, do crédito e da confiança das famílias para assumir compras de maior valor.
Os dois setores possuem características diferentes. O consumo em farmácias envolve produtos essenciais, medicamentos e cuidados pessoais, enquanto móveis e eletrodomésticos representam, em grande parte, compras que podem ser adiadas quando o orçamento familiar está pressionado.
A expansão simultânea desses segmentos sugere que o crescimento não ficou restrito a uma única atividade. O levantamento, entretanto, não apresenta as taxas individuais de cada setor no RN nem permite medir quanto cada um contribuiu para o resultado total.
Comércio acumula alta de 5% no ano
Entre janeiro e maio, o comércio varejista potiguar acumulou crescimento de 5%, quase três vezes a média brasileira de 1,7%.
No acumulado do ano, o RN aparece com o quinto maior avanço do país e o segundo melhor resultado do Nordeste, novamente atrás de Pernambuco.
Diferentemente do desempenho mensal, puxado por farmácias, cosméticos, móveis e eletrodomésticos, o crescimento dos cinco primeiros meses foi sustentado principalmente pelas vendas de combustíveis e supermercados.
Esses dois segmentos ocupam parcela significativa do orçamento das famílias. Por isso, a alta precisa ser lida com cuidado: o indicador mede o volume comercializado, mas não revela, sozinho, se houve aumento equivalente do poder de compra ou melhora da situação financeira dos consumidores.
Apenas 13 estados tiveram crescimento
Somente 13 estados brasileiros registraram crescimento do varejo em maio na comparação com o mesmo período de 2025. O dado ajuda a dimensionar o desempenho do Rio Grande do Norte em um cenário nacional marcado por resultados desiguais.
O indicador brasileiro foi pressionado pela retração do comércio nos quatro estados do Sudeste. São Paulo, que possui o maior peso na composição nacional, apresentou queda de 0,9%.
Essa diferença regional explica por que a média brasileira ficou limitada a 0,4%, mesmo com resultados mais fortes em alguns estados do Nordeste.
No confronto com o mês imediatamente anterior, já descontados os efeitos sazonais, o varejo brasileiro variou 0,1% entre abril e maio. Esse número não deve ser confundido com a alta de 0,4%, que compara maio de 2026 com maio de 2025. São indicadores construídos sobre bases diferentes.
Varejo ampliado cresce em ritmo menor
O chamado varejo ampliado, que inclui veículos, motocicletas, peças, materiais de construção e o atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo, também apresentou resultado positivo no RN.
O segmento cresceu 0,4% em maio e acumula expansão de 3,3% nos cinco primeiros meses de 2026.
O avanço foi menor do que o registrado pelo varejo restrito e ocorreu apesar da queda nas vendas dos atacarejos. Isso indica que o crescimento do comércio potiguar não se distribui com a mesma intensidade entre todos os segmentos.
A distinção é importante porque os atacarejos possuem forte presença no consumo das famílias e no abastecimento de pequenos comerciantes. Uma retração nesse setor pode indicar mudança no comportamento dos consumidores, pressão sobre o orçamento ou deslocamento das compras para outros formatos de loja.
Crescimento pode ajudar emprego e arrecadação
A manutenção das vendas em terreno positivo pode ajudar o Rio Grande do Norte por diferentes caminhos. Quando o comércio amplia seu movimento, aumenta a possibilidade de preservação de empregos, abertura de vagas temporárias, reposição de estoques e novos investimentos.
O estado e os municípios também podem ser beneficiados por uma maior circulação de mercadorias, com reflexos potenciais sobre a arrecadação do ICMS e outros tributos ligados ao consumo.
Esses efeitos, porém, não são automáticos. A Pesquisa Mensal de Comércio mede o volume de vendas, não o lucro das empresas, a quantidade de empregos gerados ou a renda efetivamente disponível para as famílias.
Um estabelecimento pode vender mais e, ao mesmo tempo, enfrentar margens menores por causa do aumento dos custos, dos juros, da energia, dos aluguéis ou dos preços cobrados pelos fornecedores. Da mesma forma, crescimento nas vendas de combustíveis e alimentos pode refletir a essencialidade desses produtos, e não necessariamente uma melhora generalizada no padrão de consumo.
Sequência positiva ainda precisa chegar ao trabalhador
Completar 14 meses de crescimento coloca o comércio entre os pontos de sustentação da economia potiguar. A sequência mostra resistência do mercado local e diferencia o RN de estados que encerraram maio com retração.
O resultado também ganha relevância porque atravessa diferentes períodos de comparação e não se limita a uma alta isolada. Ainda assim, o verdadeiro peso econômico dessa expansão será conhecido quando o aumento das vendas produzir efeitos mais amplos sobre empregos, salários, investimentos e sobrevivência dos pequenos negócios.
Os números são positivos. Mas uma economia regional não melhora apenas quando mais mercadorias passam pelos caixas. Ela melhora de fato quando esse movimento fortalece empresas, preserva postos de trabalho e devolve renda à população que sustenta o próprio comércio.
Os dados nacionais podem ser consultados na Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE.




































































