Retomada marca continuidade de política cultural no parque
A retomada da programação cultural no Parque das Dunas, neste início de abril, recoloca em funcionamento dois projetos já incorporados à rotina da capital — Bosque Encena e Som da Mata — e evidencia a existência de uma política cultural baseada em recorrência e não em eventos isolados . A reabertura coincide com o domingo de Páscoa, o que amplia o fluxo esperado de público e reforça o uso do parque como espaço de convivência coletiva, combinando função ambiental com ocupação cultural regular.
A escolha por manter atividades gratuitas e abertas a diferentes faixas etárias altera a dinâmica de acesso à cultura na cidade, ao reduzir barreiras econômicas e ampliar a circulação de público em um equipamento urbano já consolidado. Esse modelo de programação contínua transforma o parque em ponto previsível de atividade cultural, o que favorece a formação de hábitos de frequência e reduz a dependência de ações pontuais para atrair público.
Teatro infantil abre programação com foco em público familiar
A abertura da agenda ocorre com o espetáculo “João e Maria na Floresta da Coelhândia”, apresentado no Anfiteatro Pau-Brasil, com proposta voltada ao público infantil e familiar . A utilização de narrativa conhecida, adaptada ao contexto simbólico da Páscoa, amplia a identificação do público e facilita o engajamento, criando um ambiente de acesso mais amplo à atividade cultural.
Além do conteúdo artístico, a apresentação incorpora elementos de acessibilidade, como intérpretes de Libras, o que expande o alcance da atividade e altera o perfil de público potencial. Esse tipo de estrutura amplia a inclusão dentro da programação cultural e redefine o modo como o espaço público é utilizado, ao permitir que diferentes grupos tenham acesso simultâneo às atividades oferecidas.
Música instrumental conecta formação acadêmica ao público
No período da tarde, a programação segue com o retorno do Som da Mata, que recebe a Big Band Jerimum Jazz, grupo formado por estudantes da Escola de Música da UFRN . A participação de músicos em formação insere a universidade no circuito cultural da cidade, conectando produção acadêmica e difusão artística em um mesmo ambiente.
O repertório apresentado combina obras tradicionais do universo das big bands com composições brasileiras, incluindo autores nordestinos, o que amplia a diversidade musical disponível ao público. Essa estrutura permite que a política cultural opere também como instrumento de valorização da produção regional, ao mesmo tempo em que oferece espaço para circulação de novos músicos.
Financiamento via renúncia fiscal sustenta continuidade dos projetos
A viabilização dos projetos ocorre por meio da Lei Djalma Maranhão, que permite o uso de renúncia fiscal municipal para financiar iniciativas culturais com apoio da iniciativa privada . Esse modelo distribui o financiamento entre poder público e patrocinadores, reduzindo a dependência direta de recursos orçamentários e permitindo a manutenção das atividades ao longo do tempo.
Ao mesmo tempo, a participação de empresas como financiadoras indiretas introduz condicionantes na execução da política cultural, já que a continuidade dos projetos passa a depender do interesse privado em manter o investimento. Esse arranjo altera o papel do Estado, que deixa de atuar como financiador exclusivo e assume função de articulador entre recursos públicos e capital privado.
A permanência desse modelo implica que a estabilidade da programação cultural no parque está diretamente vinculada à manutenção dos incentivos fiscais e ao engajamento de patrocinadores, de modo que eventuais mudanças nesse fluxo tendem a impactar a frequência das atividades, reduzir a ocupação regular do espaço e exigir maior aporte direto do poder público para evitar descontinuidade.



































































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