O maior risco de uma eventual Presidência de Flávio Bolsonaro talvez não esteja sequer nas bravatas ideológicas, nas guerras culturais ou na continuação do projeto político do pai. Está numa questão muito mais concreta, silenciosa e duradoura: o que um governo profundamente alinhado a Donald Trump estaria disposto a conceder aos Estados Unidos justamente quando o Brasil começa a descobrir que possui algumas das riquezas mais cobiçadas do século 21?
Petróleo, terras raras, nióbio, lítio, grafite, urânio, ouro, biodiversidade, água, energia renovável e a Amazônia transformaram o país numa peça central da nova disputa geopolítica mundial.
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A pergunta não nasce de teoria conspiratória nem exige acreditar que haverá fuzileiros americanos desembarcando para carregar minérios brasileiros em navios. Os Estados Unidos perseguirem seus interesses estratégicos é absolutamente normal. China, Rússia, União Europeia e qualquer potência minimamente competente fazem exatamente o mesmo. O escândalo começaria se o Brasil deixasse de perseguir os seus.
É aqui que a relação dos Bolsonaro com Washington precisa ser examinada sem deslumbramento, sem bandeirinhas estrangeiras e sem a infantilidade diplomática de confundir afinidade ideológica entre presidentes com coincidência de interesses entre Estados. Donald Trump governa para os Estados Unidos. Flávio Bolsonaro, se eleito, terá obrigação constitucional de governar para o Brasil. E essas duas coisas inevitavelmente entrarão em conflito em algum momento.
“America First” jamais significará “Brazil First”
O slogan de Trump não poderia ser mais didático: America First. Primeiro os Estados Unidos. Não o Brasil, não os aliados, não os amigos ideológicos, não os presidentes estrangeiros que o admiram. Os Estados Unidos.
Isso não é crítica. É constatação. Trump foi eleito pelos americanos justamente para defender empregos americanos, empresas americanas, cadeias industriais americanas, segurança energética americana e domínio tecnológico americano. Esperar que um governo organizado em torno de “America First” coloque os interesses brasileiros no mesmo patamar é uma espécie de humor involuntário da geopolítica.
O problema surge quando, do outro lado da mesa, aparece um governo cuja relação com Washington deixa de ser pragmática para se tornar emocional e ideológica. Diplomacia entre países adultos exige cooperação onde os interesses convergem e resistência onde divergem. Subserviência começa quando o governante brasileiro passa a medir a qualidade da política externa pela quantidade de elogios recebidos na Casa Branca.
Foi exatamente esse deslumbramento que marcou momentos constrangedores do governo Jair Bolsonaro.
Jair Bolsonaro já ofereceu as riquezas da Amazônia aos americanos
Em Davos, em janeiro de 2019, Jair Bolsonaro encontrou o ex-vice-presidente americano Al Gore. Gore falou sobre sua preocupação com a Amazônia. A resposta do presidente brasileiro entrou para a história da nossa diplomacia por razões nada edificantes: “Temos muitas riquezas e gostaria muito de explorá-la junto com os Estados Unidos.”
Não se tratava de uma montagem produzida por adversários. A conversa foi registrada.
O detalhe mais revelador talvez seja a reação de Al Gore, que respondeu não ter entendido exatamente o que Bolsonaro queria dizer. O americano parecia mais perplexo com a oferta do que o próprio presidente brasileiro com aquilo que estava oferecendo.
É difícil imaginar metáfora mais acabada do problema. Um presidente do Brasil diante de um ex-vice-presidente dos Estados Unidos, falando da região mais estratégica do território nacional e espontaneamente apresentando suas riquezas como objeto de exploração conjunta. Nem foi necessário que Washington pedisse.
Chamar isso de entreguismo não exige caricatura. Entreguismo, nesse contexto, não significa estabelecer qualquer parceria com capital estrangeiro. Seria absurdo imaginar o Brasil fechado a investimentos internacionais. Significa negociar ativos estratégicos sem compreender que quem possui o recurso raro deve ocupar a posição mais forte da mesa, e não a mais agradecida por ter sido convidado a sentar nela.
O Brasil de 2026 vale geopoliticamente muito mais que o de décadas atrás
Há um erro histórico que o país não pode repetir agora. Durante séculos, o Brasil exportou aquilo que possuía de mais valioso em estado bruto e comprou de volta produtos de muito maior valor agregado. Açúcar, ouro, café, borracha, minério de ferro, soja. Mudam os produtos, permanece a tentação colonial.
O século 21 oferece uma oportunidade rara de quebrar esse padrão. A transição energética, a inteligência artificial, a indústria de semicondutores, os carros elétricos, os sistemas militares avançados e a corrida espacial aumentaram dramaticamente o valor estratégico de determinados minerais. E vários deles existem em abundância no subsolo brasileiro.
Terras raras são essenciais para ímãs permanentes utilizados em turbinas eólicas, motores elétricos, eletrônicos sofisticados e equipamentos militares. Nióbio entra em ligas especiais, estruturas aeroespaciais, baterias e aplicações industriais de alto desempenho. Grafite e lítio são fundamentais para armazenamento de energia. Urânio significa energia e soberania tecnológica. Petróleo continua sendo um ativo geopolítico gigantesco mesmo durante a transição energética.
A Amazônia acrescenta outra dimensão. Ali existem minerais, água, biodiversidade, patrimônio genético, capacidade de regulação climática e um volume de conhecimento biológico que a humanidade sequer começou a mapear integralmente. Reduzir tudo isso à pergunta “quanto vale a concessão?” seria administrar o futuro com mentalidade de almoxarife.
Terras raras transformaram o subsolo brasileiro em questão de segurança nacional
A disputa por minerais críticos já não é assunto de geólogos isolados. Tornou-se política de defesa das grandes potências.
Estados Unidos e China disputam cadeias de suprimento porque compreenderam algo que o Brasil precisa compreender imediatamente: possuir a jazida é importante, mas controlar a tecnologia de processamento, refino, transformação industrial e fabricação do produto final é muito mais importante.
É aí que mora a armadilha.
Um país pode possuir uma montanha de minério estratégico e continuar relativamente pobre se apenas escavar a terra, carregar navios e permitir que outro transforme aquela matéria-prima em motores, chips, sistemas de defesa, baterias ou equipamentos médicos vendidos posteriormente por dezenas ou centenas de vezes o valor original.
A soberania mineral brasileira, portanto, não pode ser medida apenas pela nacionalidade do solo. Precisa ser medida por quem controla a cadeia de valor.
Se o Brasil exportar terras raras e importar ímãs de alto desempenho, terá trocado a velha dependência do minério de ferro por uma versão tecnologicamente mais elegante do mesmo problema. Seremos uma colônia 4.0, com relatórios ESG, drones sobrevoando a mina e PowerPoint bilíngue na reunião do conselho.
Petróleo oferece outra dimensão do que está em jogo
O Brasil também se transformou numa potência petrolífera. O pré-sal mudou a escala de nossas reservas e nossa posição internacional, enquanto novas fronteiras exploratórias podem ampliar ainda mais o peso energético brasileiro nas próximas décadas.
Petróleo, porém, nunca foi apenas combustível. É dinheiro, poder diplomático, capacidade industrial, segurança energética e influência internacional. Países já foram invadidos, sancionados, desestabilizados e transformados em peças de xadrez internacional em torno dele.
Por isso, a pergunta correta não é se empresas americanas podem investir no setor brasileiro. Evidentemente podem, dentro das regras nacionais. A pergunta é quem define essas regras, quem fica com a renda produzida, quanto permanece no país, qual conteúdo nacional é exigido, que tecnologia é transferida e quais ativos permanecerão sob controle estratégico brasileiro.
Existe uma distância oceânica entre receber investimento estrangeiro e terceirizar a própria soberania.
Flávio não chega sozinho: o PL saiu das urnas gigantesco
Aqui está a parte que torna o cenário muito mais relevante do que seria uma simples mudança de presidente.
Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno depois de obter cerca de 47% dos votos, contra aproximadamente 45% de Lula, contrariando uma campanha petista que havia subestimado tanto sua candidatura quanto a força do antipetismo. 2
Ao mesmo tempo, o PL conquistou 121 cadeiras na Câmara e 28 no Senado, tornando-se a maior bancada de um partido nas duas Casas desde a Constituição de 1988. É uma transformação substancial do equilíbrio de forças em Brasília e entrega ao partido de Flávio poder muito superior ao possuído por Jair Bolsonaro durante boa parte de seu mandato. 4
É necessário fazer uma correção importante para não transformar preocupação legítima em exagero. O PL não poderá “aprovar tudo” sozinho. São 513 deputados e 81 senadores. Uma emenda constitucional, por exemplo, exige três quintos dos votos nas duas Casas, 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos.
Mas exatamente aí está o verdadeiro risco político. O PL não precisa governar sozinho. Precisa tornar-se o centro gravitacional de um bloco suficientemente grande, atraindo partidos fisiológicos e legendas ideologicamente próximas para construir maiorias. Com a máquina presidencial, liberação de emendas, ministérios, cargos, presidências de comissões e controle da agenda, 121 deputados deixam de ser apenas 121 deputados.
Transformam-se no ponto inicial de uma coalizão.
Um Congresso forte pode converter alinhamento ideológico em política de Estado
Um presidente simpático aos interesses americanos já seria relevante. Um presidente simpático aos interesses americanos apoiado pelo maior partido da Câmara e do Senado é outra categoria de fenômeno político.
Mudanças em mineração, petróleo, empresas estatais, licenciamento ambiental, tributação, concessões, infraestrutura, terras públicas e regras para capital estrangeiro não dependem todas do mesmo instrumento legal. Algumas passam pelo Congresso. Outras podem avançar por decisões administrativas, agências reguladoras, leilões, decretos, privatizações, acordos comerciais ou políticas de financiamento.
É por isso que imaginar uma eventual perda de soberania apenas como uma grande lei chamada “Lei de Entrega das Riquezas Nacionais aos Estados Unidos” é ingenuidade. Países não perdem autonomia assim.
Perdem em parcelas.
Um ativo vendido aqui, uma exigência de conteúdo nacional retirada ali, uma cadeia produtiva entregue acolá, um contrato de longo prazo assinado em condições ruins, uma mina cuja produção futura já nasce comprometida com comprador estrangeiro, uma infraestrutura logística controlada por quem também controla a mercadoria. Quando a sociedade percebe o desenho completo, metade das peças já está parafusada.
O poder americano dispensa qualquer teoria sobre ocupação militar
Também é preciso retirar um exagero do debate para enxergar um risco ainda mais real.
Os Estados Unidos não precisam “tomar” o Brasil militarmente. Seria uma imagem antiquada de dominação. O poder contemporâneo funciona por capital, tecnologia, contratos, propriedade intelectual, cadeias de abastecimento, controle logístico, acesso a mercados, financiamento e dependência industrial.
Uma concessão pode ser revertida. Um contrato pode ser renegociado. Uma privatização pode, em tese, ser desfeita. Portanto, não é correto dizer que uma vez estabelecida determinada presença econômica estrangeira seria literalmente impossível removê-la.
Mas existe algo chamado custo de reversão.
Quando bilhões de dólares foram investidos, contratos internacionais assinados, cadeias industriais construídas, fundos de pensão expostos, empresas listadas em bolsas estrangeiras envolvidas e compromissos diplomáticos estabelecidos, mudar o rumo pode exigir indenizações gigantescas, provocar retaliações comerciais e gerar disputas arbitrais durante anos.
A porta continua existindo. Só fica extraordinariamente pesada.
O interesse americano não é o problema; nossa submissão seria
Há um ponto que precisa ficar cristalino para que a discussão não descambe para antiamericanismo barato.
Os Estados Unidos têm todo o direito de tentar assegurar acesso a minerais críticos brasileiros. Têm o direito de oferecer investimento, financiamento, tecnologia e contratos. Têm o direito de competir com a China, União Europeia, Japão ou qualquer outro ator interessado nos mesmos recursos.
É exatamente isso que uma potência deve fazer.
O Brasil deveria fazer a mesma coisa: colocar americanos, chineses, europeus e outros investidores para disputar quem oferece melhores condições ao país. Transferência de tecnologia. Processamento dentro do Brasil. Formação de mão de obra. Pesquisa nacional. Participação de empresas brasileiras. Receita tributária. Proteção ambiental. Industrialização. Produção de componentes de alto valor agregado.
A diferença entre parceria e entreguismo está nas contrapartidas.
Quem tem aquilo que todos querem não deveria implorar comprador. Deveria organizar leilão.
Trump não é amigo do Brasil; é presidente dos Estados Unidos
Um dos aspectos mais infantis da diplomacia bolsonarista foi a insistência em apresentar relações internacionais como extensão de amizades pessoais.
Trump pode gostar de Jair Bolsonaro. Pode simpatizar com Flávio. Pode compartilhar valores políticos, inimigos ideológicos e linguagem com ambos. Nada disso muda uma vírgula da função constitucional de um presidente americano.
Se determinada medida beneficiar uma indústria dos Estados Unidos e prejudicar uma brasileira, Trump tem obrigação política de defender a americana. Se puder garantir matéria-prima barata para fábricas americanas, tentará fazê-lo. Se puder reduzir a dependência americana da China utilizando recursos brasileiros, isso será uma vitória estratégica para Washington.
O Brasil deveria agir exatamente da mesma maneira.
O problema é imaginar uma negociação entre um America First convicto e um governo brasileiro disposto a considerar o aplauso de Trump como certificado de sucesso diplomático.
Nessa mesa, já sabemos quem chegou disposto a vencer.
A Amazônia não pode virar presente diplomático embrulhado em patriotismo
Existe uma ironia especialmente incômoda nessa história.
O bolsonarismo construiu parte de sua identidade sobre palavras como pátria, bandeira, soberania e nacionalismo. Mas patriotismo não se mede pelo tamanho da bandeira pendurada numa sacada. Mede-se, entre outras coisas, pela disposição de proteger os ativos estratégicos de um país quando potências estrangeiras demonstram interesse neles.
Um nacionalismo que grita contra artistas, universidades e movimentos sociais, mas baixa a voz diante de Washington não é propriamente nacionalismo.
É nacionalismo cenográfico.
A Amazônia pertence ao Brasil não para ser trancada numa redoma, mas também não para ser oferecida a aliados ideológicos como prova de amizade. Explorar racionalmente seus recursos pode ser legítimo. Fazer isso sem ciência, planejamento, controle ambiental, agregação de valor e soberania significa apenas transformar patrimônio estratégico em faturamento de curto prazo.
Floresta não é estoque de liquidação.
O Brasil pode finalmente deixar de ser apenas fornecedor
É justamente isso que torna 2026 diferente.
O mundo está reorganizando cadeias industriais inteiras. A dependência ocidental da China em minerais críticos virou preocupação de segurança nacional. A transição energética exige volumes gigantescos de materiais. Data centers e inteligência artificial ampliam a demanda por energia. Defesa e semicondutores tornaram-se prioridades estratégicas.
Poucos países reúnem simultaneamente território continental, água, alimentos, energia renovável, petróleo, minerais críticos, biodiversidade, indústria relevante e uma população de mais de 200 milhões de habitantes.
O Brasil reúne.
Essa combinação nos oferece algo que historicamente desperdiçamos: poder de barganha.
Não precisamos escolher entre ser colônia mineral de Washington ou de Pequim. Precisamos deixar de pensar como colônia.
Riqueza enterrada não basta; soberania também precisa ser construída
Há quem argumente, com razão, que minério debaixo da terra não alimenta ninguém e que o Brasil precisa de capital externo para transformar recursos naturais em riqueza. É verdade.
Também é verdade que fechar o país ao investimento internacional seria uma estupidez econômica. Estados Unidos podem oferecer capital, tecnologia, mercado consumidor e empresas extraordinariamente competentes. Parcerias com americanos podem ser excelentes negócios para o Brasil.
O erro está em transformar essa verdade numa licença para aceitar qualquer negócio.
Investimento estrangeiro é instrumento. Desenvolvimento nacional é objetivo.
Quando os dois são confundidos, começa o velho truque latino-americano: comemora-se o tamanho do investimento estrangeiro enquanto se esquece de perguntar quanto do valor produzido continuará no país depois que a jazida acabar.
A eleição não é apenas sobre Lula ou Flávio
Reduzir o segundo turno a uma batalha de simpatias pessoais seria desperdiçar a dimensão histórica da escolha.
Flávio Bolsonaro chega à disputa carregando não apenas o sobrenome do pai, mas a promessa explícita de continuidade de parte importante de seu projeto político. O próprio presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que Flávio “aprendeu” com Jair e seguirá diretrizes semelhantes de governo. A diferença agora é que o eventual presidente poderia contar com uma estrutura parlamentar muito mais poderosa do que aquela disponível ao bolsonarismo em momentos anteriores. 1
É dentro desse contexto que a relação com Trump deixa de ser curiosidade diplomática e se transforma em questão estratégica.
O próximo presidente não administrará apenas inflação, segurança, impostos e programas sociais. Administrará uma das maiores oportunidades geopolíticas que o Brasil já teve.
A verdadeira pergunta é quanto valerá o Brasil para os próprios brasileiros
Talvez Donald Trump esteja olhando para nossas terras raras. Talvez empresas americanas estejam olhando para nosso petróleo. Chineses certamente enxergam oportunidades. Europeus também. Japoneses, australianos, canadenses e fundos internacionais não ignorarão um país assentado sobre recursos indispensáveis ao novo século.
Seria estranho se ignorassem.
A questão não é impedir que olhem.
A questão é quem estará sentado do lado brasileiro da mesa quando vierem negociar.
Um governante pode enxergar nossas reservas como oportunidade para construir indústria, tecnologia e poder nacional. Outro pode enxergá-las como fichas úteis para comprar proximidade diplomática, investimentos imediatos e aplausos de uma potência estrangeira.
É aí que o histórico da família Bolsonaro importa.
Quando Jair Bolsonaro encontrou Al Gore e ouviu uma preocupação com a Amazônia, sua resposta não foi explicar uma estratégia brasileira para protegê-la e desenvolvê-la. Foi falar de suas riquezas e manifestar vontade de explorá-las com os Estados Unidos.
O episódio parece pequeno. Não é.
Ele revela uma forma de enxergar o mundo.
E se essa forma de enxergar o mundo chegar novamente ao Palácio do Planalto, desta vez acompanhada por uma bancada gigantesca no Congresso e por um governo Trump obcecado em garantir recursos estratégicos aos Estados Unidos, o Brasil precisará de instituições muito fortes para assegurar que cooperação não se transforme em submissão.
Porque existe uma diferença monumental entre fazer negócios com uma potência e entregar a ela a chave do depósito.
O Brasil passou tempo demais de sua história exportando riqueza e importando futuro.
Agora que finalmente possui algumas das cartas mais valiosas do baralho mundial, seria uma tragédia histórica descobrir que elegemos alguém disposto a jogá-las na mesa apenas para poder dizer que é amigo do dono do cassino.




























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