A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) interditou 109 instalações operadas pela Brava Energia na Bacia Potiguar após auditoria que identificou descumprimento de requisitos mínimos de segurança operacional. O Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (SINDIPETRO-RN), que teve acesso ao documento de fiscalização, afirma que os riscos apontados pelo órgão regulador revelam um cenário de fragilidade estrutural que vinha sendo denunciado pela entidade.
Segundo o relatório da Superintendência de Segurança Operacional e Meio Ambiente (SSO), “o operador não apresentou, para diversas instalações, evidências de atendimento às condições mínimas de segurança com relação aos sistemas de combate a incêndio, plano de resposta a emergências, tanques e sistemas de descarga, válvulas de segurança, estudos de riscos, contenção primária, integridade mecânica, projetos, entre outros”. Também foi registrada “a falta ou quantidade insuficiente de detectores de chama, gás natural e H₂S, além de problemas na gestão de mudanças e no gerenciamento de elementos críticos”.
O documento destaca ainda a reincidência. De acordo com os auditores, “embora o operador tenha sido notificado a realizar o autodiagnóstico em novembro de 2023, durante a presente auditoria, finda em 10 de outubro de 2025, não foi apresentada à ANP evidência de atendimento às recomendações, mesmo após dois anos do recebimento da notificação”.
Papel do sindicato
Para o coordenador-geral do SINDIPETRO-RN, Marcos Brasil, os dados comprovam que a interrupção das operações não é um episódio isolado, mas resultado de um processo de precarização. Ele afirma:
“O que está documentado pela ANP confirma nossas denúncias: a falta de investimentos compromete a segurança dos trabalhadores, ameaça o meio ambiente e impacta a arrecadação do Estado. Não se trata apenas de produção, mas de responsabilidade operacional”.
O sindicato afirma que a interdição reforça a necessidade de políticas públicas e privadas que garantam a continuidade da produção com segurança. “A Bacia Potiguar é estratégica para o Rio Grande do Norte, mas isso exige compromisso com manutenção, infraestrutura e gestão de risco”, pontuou Marcos Brasil.
Versão da empresa
Em comunicado ao mercado, a Brava Energia afirmou que está mobilizada para “implementar todas as adequações solicitadas pela ANP” e prevê a conclusão dos trabalhos no quarto trimestre de 2025. A companhia estima um impacto de 3.500 barris de óleo equivalente por dia na produção, o que representa aproximadamente 8,95% da produção do Estado.
Contexto econômico
A interdição ocorre em meio a um movimento regional pela retomada dos investimentos em petróleo onshore. Em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do RN, participantes defenderam a atividade como indutora de empregos, arrecadação e desenvolvimento regional. O SINDIPETRO-RN lidera a campanha por novos investimentos, mas ressalta que expansão deve ocorrer com segurança e fiscalização.
“Superar a estagnação exige garantir investimentos efetivos em operação e infraestrutura e estabelecer uma política energética que combine segurança operacional, geração de empregos e compromisso com o desenvolvimento sustentável”, destaca o documento do sindicato.
Imagens: Reprodução
Fonte: Agência Saiba Mais







































































