A nova ofensiva comercial dos Estados Unidos contra o Brasil atingirá diretamente uma das cadeias produtivas mais estratégicas do Rio Grande do Norte. O sal potiguar foi incluído entre os produtos submetidos à tarifa adicional de 25%, medida que ameaça contratos, exportações, operações portuárias e milhares de empregos no interior do estado. O pescado e os derivados de petróleo, por outro lado, foram poupados nesta etapa.
A decisão foi anunciada pelo governo do presidente Donald Trump após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR. As novas tarifas entram em vigor na próxima quarta-feira, 22 de julho, e deverão atingir aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.
O alívio proporcionado pelas exceções, entretanto, é apenas parcial. Outra investigação aberta pelos Estados Unidos, desta vez relacionada ao combate à entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado, pode acrescentar uma tarifa de 12,5% aos produtos brasileiros. Se as duas cobranças forem cumulativas, a sobretaxa poderá chegar a 37,5% no fim de julho.
No Rio Grande do Norte, a preocupação não é abstrata. As vendas do estado para os Estados Unidos já caíram fortemente desde o início da guerra tarifária. Dados do comércio exterior mostram que o RN foi o estado brasileiro que mais perdeu exportações para o mercado norte-americano no primeiro semestre de 2026, com retração estimada em 72%.
Sal potiguar é o principal atingido
Responsável por aproximadamente 98% da produção nacional de sal marinho, o Rio Grande do Norte mantém uma relação histórica com o mercado dos Estados Unidos. O produto extraído principalmente na Costa Branca abastece indústrias químicas, alimentícias e diferentes cadeias produtivas norte-americanas.
Segundo o Sindicato da Indústria da Extração do Sal do Estado do Rio Grande do Norte (Siesal-RN), os Estados Unidos responderam por 47% dos negócios internacionais da indústria salineira potiguar nos últimos seis anos. O mercado americano absorveu cerca de 27% dos embarques externos do produto, numa média anual próxima de 530 mil toneladas.
A nova tarifa pode reduzir ou até eliminar a competitividade do sal potiguar diante de concorrentes como Chile, México, Egito e Namíbia, cujas exportações poderão entrar nos Estados Unidos em condições tributárias mais favoráveis. O Siesal-RN estima que aproximadamente 4 mil empregos diretos estejam sob risco, sem contar os trabalhadores vinculados ao transporte, às operações portuárias, à distribuição e aos serviços prestados à indústria.
Custo logístico impede uma troca rápida de mercado
A situação do sal é diferente daquela enfrentada por produtos de maior valor agregado. Como se trata de uma mercadoria pesada e de preço proporcionalmente baixo, o custo do frete representa uma parcela decisiva do valor final. Isso reduz drasticamente o número de mercados aos quais o produto pode chegar de maneira competitiva.
Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, a produção potiguar consegue disputar compradores nos Estados Unidos, no oeste do continente americano e no leste da África. Levar esse mesmo sal para a Ásia, contudo, pode se tornar economicamente inviável devido à distância e ao custo do transporte marítimo.
A Europa também não representa uma substituição imediata, pois é abastecida principalmente por produtores do Norte da África e do Oriente Médio. Não basta, portanto, retirar as toneladas destinadas aos Estados Unidos e oferecê-las a outro país. A localização geográfica, o preço do frete e a concorrência internacional limitam essa possibilidade.
Contratos já estão sob impasse
A indústria salineira afirma que a insegurança comercial começou antes mesmo da nova decisão americana. Desde o primeiro tarifaço, empresas passaram a enfrentar dificuldades para firmar contratos de médio e longo prazo, mantendo apenas negócios pontuais com compradores dos Estados Unidos.
O presidente do Siesal-RN, Airton Torres, explicou que a instabilidade impede planejamento e reduz a previsibilidade necessária para produção, embarque e investimentos. Mesmo quando uma tarifa é suspensa ou reduzida, o risco de uma nova mudança permanece incorporado às decisões dos importadores.
A situação pode afetar também o Terminal Salineiro de Areia Branca, conhecido como Porto-Ilha, estrutura utilizada para o escoamento da produção em grande escala. Uma redução prolongada dos embarques atingiria não apenas as salinas, mas toda uma cadeia logística construída em torno da atividade.
Pescado escapa, mas setor ainda carrega prejuízos
A exclusão do pescado da nova sobretaxa trouxe alívio para outra cadeia exportadora importante do Rio Grande do Norte. Atum, lagosta e outros produtos pesqueiros estão entre os itens que poderão continuar entrando no mercado norte-americano sem a tarifa adicional de 25%.
O setor vinha operando sob forte incerteza. A pesca oceânica potiguar emprega aproximadamente 1,5 mil trabalhadores com carteira assinada e depende dos Estados Unidos como principal destino do atum capturado e processado no estado. Em 2025, o segmento exportou cerca de US$ 13,8 milhões, resultado considerado abaixo de seu potencial histórico.
Entre janeiro e maio de 2026, as vendas externas de pescado do RN caíram 63,5%. A redução ocorreu depois de um período de tarifas, suspensão de operações e perda de contratos. A retirada do pescado da nova lista evita um agravamento imediato, mas não devolve automaticamente os compradores, os contratos e os empregos já atingidos pela instabilidade anterior.
Ásia ajuda, mas não substitui mercado americano
A indústria pesqueira encontrou algum alívio com o aumento das vendas de lagosta para China e Taiwan. A abertura desses mercados permitiu compensar uma parcela das perdas e demonstrou a importância da diversificação dos destinos comerciais.
Essa saída, porém, não resolve integralmente a dependência do mercado norte-americano. O atum potiguar possui uma cadeia comercial consolidada com os Estados Unidos, e novos compradores não são conquistados apenas por meio de decisões diplomáticas. São necessários acordos sanitários, adaptação de produtos, logística e confiança comercial.
O setor também defende a reabertura do mercado europeu para o pescado brasileiro, fechado desde 2018 por questões sanitárias. A dependência excessiva de um único comprador transformou uma decisão tomada em Washington numa ameaça direta à renda de trabalhadores instalados a milhares de quilômetros da Casa Branca.
Derivados de petróleo também ficam de fora
Os derivados de petróleo, outro componente relevante das exportações do Rio Grande do Norte para os Estados Unidos, também foram incluídos entre as exceções. Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado, a pauta potiguar destinada ao mercado americano estava concentrada principalmente em petróleo, pescado, sal e produtos de confeitaria.
A exclusão do petróleo e do pescado reduz a parcela da economia potiguar atingida nesta rodada. Isso explica por que o Governo do Estado avalia que o impacto poderá ser menor do que o inicialmente temido.
O quadro, contudo, permanece preocupante porque o sal possui importância que ultrapassa o valor bruto das exportações. A produção está territorialmente concentrada, sustenta municípios da Costa Branca e movimenta transporte, comércio, serviços e infraestrutura portuária. O efeito econômico de uma tarifa não pode ser medido apenas pela quantidade de dólares que desaparece da balança comercial.
RN já perdeu mais de 60% das vendas aos EUA
Entre janeiro e maio de 2026, o Rio Grande do Norte exportou US$ 24,7 milhões para os Estados Unidos, valor equivalente a 5,1% de todas as vendas externas do estado naquele período. O resultado representou queda de 60,8% em comparação com os cinco primeiros meses de 2025, com perda de aproximadamente US$ 38,2 milhões.
Somente em maio, a retração chegou a 87,2%, o que significou US$ 26,1 milhões a menos em negócios. Quando considerado o primeiro semestre completo, levantamento da Confederação Nacional da Indústria aponta redução de 72%, a maior entre os estados brasileiros.
A diferença entre os percentuais decorre dos períodos analisados: o primeiro compara janeiro a maio; o segundo considera o semestre. Os dois indicadores, porém, conduzem à mesma conclusão: o comércio do Rio Grande do Norte com os Estados Unidos já estava em forte retração antes da nova tarifa.
Açúcar e confeitaria também merecem atenção
Além do pescado, o setor de açúcares e melaços sofreu queda de 45% nas exportações potiguares durante os cinco primeiros meses de 2026. A nova lista norte-americana inclui açúcar orgânico e diferentes produtos agrícolas entre os itens submetidos à cobrança adicional.
A pauta do Rio Grande do Norte para os Estados Unidos também inclui balas, pirulitos e outros produtos de confeitaria. A extensão do impacto sobre cada uma dessas mercadorias dependerá da classificação tarifária específica usada nas operações de exportação.
Isso exige que os governos federal e estadual apresentem um levantamento detalhado por código de produto e por empresa. Anunciar genericamente que determinado setor foi atingido ou poupado não é suficiente para que empresários decidam sobre produção, contratos, estoques e empregos.
Tarifa nacional atinge 2,4 mil empresas
No conjunto do país, a Secretaria de Comércio Exterior estima que aproximadamente 2,4 mil empresas brasileiras serão diretamente afetadas. Essas companhias respondem por cerca de 18% das exportações nacionais destinadas aos Estados Unidos, representando transações que chegaram a US$ 7,4 bilhões quando considerada a pauta de 2024.
Os setores mais expostos são madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. O governo federal promete oferecer linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de apoiar a busca por compradores em outros países.
O plano de socorro deverá retomar instrumentos do Plano Brasil Soberano, utilizado depois da primeira rodada de tarifas. A expectativa é de que o volume de recursos seja menor desta vez, pois a lista de exceções protegeu mais da metade da pauta exportadora brasileira.
Exceções revelam os limites do próprio tarifaço
Aeronaves, petróleo, carne bovina e café foram poupados. Juntos, esses produtos representaram aproximadamente um terço das exportações brasileiras para os Estados Unidos no primeiro semestre. Mais de 2,1 mil itens ficaram fora da sobretaxa.
A justificativa americana para as exceções é essencialmente doméstica: são produtos que os Estados Unidos não conseguem produzir em quantidade suficiente ou a preços considerados razoáveis. Tarifá-los poderia provocar escassez, aumento de custos industriais ou pressão sobre os consumidores norte-americanos.
Essa seleção expõe uma contradição da política tarifária. Washington pune os produtos brasileiros quando entende que pode substituí-los, mas os preserva quando a tarifa ameaça a própria economia americana. A proteção do café, do petróleo, das aeronaves e da carne não representa uma concessão política ao Brasil; representa uma proteção aos compradores e às empresas dos Estados Unidos.
Brasil terá a maior tarifa média da América do Sul
Embora a alíquota anunciada seja de 25%, a tarifa efetiva média aplicada ao Brasil deverá ficar em 18,17%. O cálculo considera o peso de cada mercadoria na pauta exportadora e os produtos que foram excluídos da cobrança.
Ainda assim, o Brasil passará a enfrentar a maior tarifa média entre os países da América do Sul. Antes da nova medida, o índice brasileiro estava em 11,66%, empatado com o Uruguai e abaixo dos 12,92% aplicados ao Paraguai.
O distanciamento em relação aos países vizinhos pode reduzir a competitividade brasileira não apenas diante de produtores dos Estados Unidos, mas também de fornecedores argentinos, chilenos, uruguaios e de outras economias que permanecerão submetidas a tarifas menores.
Cobrança pode subir para 37,5%
A tarifa de 25% pode não representar o ponto final. O governo Trump conclui outra investigação contra aproximadamente 60 países, acusados de não impedir adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
O Brasil foi colocado no grupo de países sujeitos a uma tarifa adicional de 12,5%. De acordo com o relatório norte-americano, o país possui compromissos contra o trabalho escravo, mas não teria uma proibição legal e um sistema de fiscalização considerados suficientes para bloquear a entrada de produtos fabricados nessas condições.
O governo brasileiro espera uma decisão no fim de julho. A principal dúvida é se os 12,5% substituirão uma tarifa global temporária de 10% ou serão acumulados com os 25% já confirmados. No pior cenário em análise, determinados produtos brasileiros poderão enfrentar uma sobretaxa de 37,5%.
Pix vira argumento numa disputa comercial
Entre as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a tarifa de 25% está o Pix, sistema público de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. O governo americano sustenta que o modelo concede vantagens competitivas a uma infraestrutura estatal diante de empresas privadas de pagamento.
A crítica se concentra no fato de o Banco Central atuar simultaneamente como regulador e operador do sistema, estabelecer as regras e não buscar lucro com a cobrança de tarifas. Para Washington, empresas americanas poderiam ser prejudicadas ao disputar espaço com uma plataforma pública de baixo custo.
A argumentação brasileira segue em sentido oposto. O Pix não impede a operação de cartões, bancos, fintechs ou bandeiras estrangeiras. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o mercado de cartões cresceu 150% depois da implantação do sistema, enquanto a maior perda de espaço ocorreu sobre cheques e dinheiro em espécie.
Pequenos negócios dependem do sistema
A disputa em torno do Pix alcança diretamente pequenos empresários e trabalhadores autônomos em todos os estados, inclusive no Rio Grande do Norte. Pesquisa do Sebrae mostra que 59% dos donos de pequenos negócios consideram o sistema seu principal meio de recebimento.
Entre os microempreendedores individuais, 97% utilizam o Pix. Para 28% dos MEIs, a ferramenta representa mais de 75% do faturamento; outros 20% afirmam que metade dos recebimentos chega por meio do sistema.
O mecanismo reduziu taxas, eliminou intermediários e permitiu o recebimento imediato das vendas. Transformar essa infraestrutura em justificativa para taxar sal, madeira, calçados ou açúcar revela o quanto a discussão ultrapassou a lógica tradicional do comércio exterior.
Pressão também envolve tecnologia e geopolítica
Além do Pix, o governo americano questiona decisões brasileiras relacionadas a plataformas digitais, regulação das grandes empresas de tecnologia, propriedade intelectual, combate à corrupção, etanol e desmatamento.
Especialistas também identificam uma dimensão geopolítica. A aproximação comercial do Brasil com a China, a participação no Brics e as discussões sobre formas de pagamento menos dependentes do dólar colocam o país no centro da disputa por influência entre as duas maiores potências econômicas.
O Pix Internacional, ainda em desenvolvimento, poderia futuramente conectar sistemas de pagamentos instantâneos de diferentes países. A hipótese de que essa expansão tenha influenciado Washington é uma interpretação de analistas, não uma justificativa oficialmente assumida pelo governo americano.
Itamaraty denuncia exigência de “capitulação”
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que os Estados Unidos exigiram uma abertura completa do mercado brasileiro sem oferecer contrapartidas equivalentes. Segundo o chanceler, aceitar os termos significaria uma “capitulação”.
Vieira também contestou a alegação de que o Brasil teria se recusado a negociar. Desde março de 2025, segundo o Itamaraty, foram realizadas mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou telefônicas, incluindo 11 contatos com o representante comercial americano e o secretário de Estado, Marco Rubio.
O chanceler lembrou ainda que os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos. Em 2025, 76% das importações brasileiras originárias dos Estados Unidos teriam entrado no país sem imposto de importação.
Motivação econômica se mistura à política
O governo brasileiro sustenta que as justificativas técnicas não explicam integralmente a medida e aponta uma motivação política relacionada ao governo Lula, à atuação do Supremo Tribunal Federal e ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Analistas citados nos documentos também observam que países sul-americanos com economias protecionistas não receberam tratamento semelhante. A Argentina, por exemplo, mantém políticas de proteção comercial, mas possui alinhamento político mais próximo de Trump sob o governo de Javier Milei.
Essa comparação não elimina os conflitos comerciais reais entre Brasil e Estados Unidos, mas reforça a percepção de seletividade. O tarifaço combina proteção industrial, arrecadação, pressão diplomática e afinidades ideológicas, dificultando uma solução baseada apenas em concessões tarifárias.
Lei de Reciprocidade permite reação
O governo brasileiro anunciou que iniciará os procedimentos para acionar a Lei de Reciprocidade Econômica. A norma permite suspender concessões comerciais, aumentar impostos, retirar isenções, restringir importações de bens e serviços e adotar outras contramedidas contra países que prejudiquem a economia nacional.
As respostas devem ser, na medida do possível, proporcionais aos danos provocados. A legislação também pode ser aplicada quando uma medida estrangeira tenta interferir em decisões consideradas legítimas e soberanas do Brasil.
A lei, no entanto, não obriga o governo a retaliar imediatamente. Ela determina que a diplomacia seja acionada para tentar reduzir ou eliminar a necessidade das contramedidas. A reciprocidade funciona como instrumento de pressão, mas uma escalada impensada também poderia elevar custos para empresas e consumidores brasileiros.
RN precisa disputar espaço no plano de socorro
O Governo Federal promete linhas de crédito, apoio à manutenção de empregos e ajuda para a abertura de novos mercados. O Rio Grande do Norte precisa garantir que esses instrumentos considerem a realidade específica da indústria salineira.
Crédito para capital de giro pode impedir demissões imediatas, mas não resolve o problema estrutural de um produto pesado, dependente de transporte marítimo e com poucas alternativas economicamente viáveis aos Estados Unidos. A proteção também precisa alcançar empresas de transporte, trabalhadores portuários e prestadores de serviços vinculados à cadeia.
A participação do estado deve incluir ainda negociações diplomáticas para retirar o sal da lista, medidas de redução de custos logísticos e uma estratégia de diversificação que seja tecnicamente possível. Não adianta recomendar ao setor que procure novos compradores sem calcular quanto custa levar 530 mil toneladas a esses mercados.
Uma decisão distante que chega à Costa Branca
O tarifaço foi anunciado em Washington, discutido em Brasília e justificado por questões que incluem Pix, plataformas digitais, desmatamento e propriedade intelectual. Seus efeitos, porém, podem aparecer em Areia Branca, Mossoró, Macau, Grossos e outros municípios ligados à produção e ao transporte do sal.
É nesse ponto que a discussão deixa de ser uma disputa abstrata entre Lula e Trump. Contratos suspensos significam menos embarques. Menos embarques significam redução de turnos, queda na contratação de serviços, diminuição da renda e pressão sobre a arrecadação municipal.
O pescado ter escapado e os derivados de petróleo terem sido poupados evitam um choque ainda maior. Mas o sal permanece exposto, e o histórico recente mostra que a instabilidade tarifária já foi suficiente para reduzir drasticamente o comércio potiguar com os Estados Unidos. Para o Rio Grande do Norte, soberania comercial não é apenas uma palavra de discurso diplomático: é a defesa concreta de empregos, empresas e municípios que não podem ser tratados como danos colaterais de uma disputa política internacional.




































































