Tenho uma fé abalável naquilo em que acredito: nas forças divinas, no poder das palavras, na imaginação como caminho de liberdade e na minha capacidade de ser como sonho.
Ter uma fé abalável é tudo que posso, por mais que eu entenda que não é o que se propõe. A fé se anuncia como rocha, mas a vejo como bandeira tremulando em mastro firme.
Minhas esperanças me cutucam todos os dias e acendem velas dentro de mim. Velas de aniversário com números, velas brancas de sétimo dia, velas aromáticas, velas compridas em candelabros, velas de chuvisco, velas em lamparinas, velas redondas e vermelhas, velas do tipo vulcão. São elas que me dão alguma luz e ignição.
Porém, como a chama e os tecidos, minha natureza se move, oscila na direção e intensidade. Não acho que esse seja um tipo de fé fraca, pois é a que me acompanha por toda a vida. É consistente como o sol, que também não arde o dia inteiro e tem a elegância de se ausentar para que descansemos dele.
Não acho também que, no que se refere ao divino, isso seja heresia, pois não acredito em um Deus estático e sisudo. Do contrário, não haveria borboletas.
Uma fé abalável é tudo que posso oferecer. Desconfiar de sua suficiência seria questionar a suficiência de tudo que há.
Imagem: Reprodução
Victória Rincon é uma talentosa escritora, jurista e poetisa que traz uma riqueza única de experiência e sensibilidade ao mundo das palavras. Com dois livros publicados na área jurídica e uma paixão ardente pela crônica e poesia, ela é uma figura multifacetada que deixa sua marca distintiva em tudo o que faz.








































































