A madeira trabalhada no Seridó potiguar ganhou reconhecimento nacional. Mestre Ambrósio, artesão de Acari especializado em arte sacra, foi escolhido entre os 100 vencedores da 6ª edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato, seleção que avalia não apenas a qualidade das peças, mas também identidade cultural, inovação, organização produtiva, gestão, comercialização e responsabilidade socioambiental.
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Arte sacra nascida em Acari chega a outros países
O trabalho de Ambrósio carrega referências religiosas e elementos associados diretamente à cultura do Seridó. Sua produção, porém, já ultrapassou as fronteiras do Rio Grande do Norte e chegou a colecionadores e compradores de Portugal, Itália e Estados Unidos.
A projeção não apagou o caráter familiar da atividade. A esposa, Suzete, e os filhos Milena e Lucas também vivem do artesanato, mantendo contato cotidiano com técnicas e saberes transmitidos dentro do ambiente cultural da região.
Esse detalhe ajuda a explicar por que o reconhecimento vai além da trajetória individual de um artesão. No caso de Ambrósio, criação, renda familiar, memória cultural e transmissão de conhecimento funcionam dentro da mesma cadeia produtiva.
Prêmio avalia muito mais do que acabamento das peças
O Sebrae TOP 100 não seleciona seus vencedores apenas pela aparência ou execução técnica do trabalho. Entre os critérios considerados estão identidade cultural, inovação, organização da produção, gestão, comercialização e responsabilidade socioambiental.
Isso muda o significado da premiação. Para entrar na lista, não basta produzir uma peça artisticamente relevante. O reconhecimento também considera a capacidade de transformar conhecimento tradicional em uma atividade econômica organizada e sustentável.
É justamente nesse ponto que o trabalho de Mestre Ambrósio se conecta a uma discussão maior sobre o artesanato potiguar: a possibilidade de preservar técnicas regionais sem condená-las a permanecer restritas ao consumo local.
RN tem mais de 13 mil artesãos cadastrados
A dimensão econômica do setor aparece nos números do Programa Estadual do Artesanato do Rio Grande do Norte (Proarte). De acordo com os dados citados no material, existem mais de 13 mil artesãos cadastrados no estado, distribuídos por diferentes municípios e técnicas.
O número revela uma atividade que frequentemente é percebida apenas pelo seu valor cultural, embora também envolva produção, geração de renda, circulação de mercadorias e acesso a mercados.
A escolha de Ambrósio entre os 100 destaques nacionais funciona, nesse sentido, como uma vitrine para um setor muito mais amplo. O reconhecimento individual expõe o potencial econômico existente quando técnicas tradicionais encontram canais de comercialização capazes de levá-las para além do território de origem.
Tradição só vira mercado quando encontra estrutura
A gestora de Economia Criativa do Sebrae-RN, Maézia Teodora, destacou justamente a combinação entre identidade regional e capacidade de organização da produção. Segundo ela, o trabalho de Ambrósio reúne história, técnica e vínculo com o território, mas demonstra também que esse conhecimento pode ser transformado em negócio, com gestão qualificada e acesso a mercados externos.
O Sebrae-RN acompanha artesãos em ações voltadas à qualificação de produtos, gestão e comercialização, além de apoiar a participação em feiras e eventos. Entre as iniciativas citadas estão a Brasil Mostra Brasil, em Natal, e a Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), em Pernambuco, uma das principais vitrines do setor no país.
Esse suporte revela uma engrenagem importante. O conhecimento artesanal pode nascer dentro de uma família ou de uma comunidade, mas sua entrada em mercados maiores depende de fatores que ficam fora da bancada do artesão: capacitação, exposição, logística, comercialização e conexão com compradores.
O Seridó viaja sem deixar de ser Seridó
No caso de Ambrósio, a expansão não significou abandonar as referências que deram origem às peças. Segundo o material, cada imagem esculpida leva elementos religiosos e técnicas aprendidas e aprimoradas no próprio Seridó.
É justamente essa combinação que transforma o artesanato em algo diferente de uma mercadoria reproduzível em qualquer lugar. O valor está também na relação entre a peça, o território e a história de quem a produz.
A presença de Mestre Ambrósio entre os vencedores do TOP 100 mostra que tradição e mercado não precisam ocupar lados opostos. Quando existe estrutura para produção e comercialização, um saber local pode alcançar compradores internacionais sem perder a referência cultural que lhe dá identidade.
Para o Rio Grande do Norte, o reconhecimento coloca uma lente sobre um setor formado por milhares de artesãos e sugere onde está parte de seu potencial: não em transformar o artesanato regional em produto genérico, mas em criar condições para que justamente aquilo que o torna potiguar consiga circular mais longe.











































































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