A forma como uma pessoa fala vai muito além da técnica: o sotaque revela origem, história e identidade. Em reflexão baseada em sua experiência em workshops e treinamentos, a especialista em comunicação Alessandra Braga, sócia-fundadora da All Presentations consultoria especializada em comunicação corporativa e treinamentos de alta performance., defende que neutralizar o sotaque, prática ainda comum em ambientes corporativos, pode enfraquecer a autenticidade e a força da comunicação.
“O sotaque é parte da marca pessoal e deve ser compreendido como um elemento de conexão, não como um obstáculo”, afirma Braga. Para ela, pedir para eliminar o sotaque é, muitas vezes, uma tentativa de se adequar a um padrão que ignora a individualidade de quem fala. Em um contexto em que autenticidade é um ativo estratégico, a naturalidade na comunicação se torna cada vez mais valorizada.
Morando em São Paulo há 18 anos, a executiva reconhece que seu próprio sotaque é híbrido, resultado da mistura entre o mineiro e o paulistano. “A percepção da voz muda conforme o contexto e, principalmente, conforme a intenção de comunicação. O ponto central não é apagar traços, mas ter consciência sobre como usá-los, ajustando a expressão sem perder a identidade”, explica.
“O sotaque só se torna um problema quando compromete a clareza da mensagem ou vem acompanhado de outros fatores que sabotam a intenção de fala”, pontua a especialista. Nesses casos, segundo ela, o ajuste está na forma de expressão, e não na mudança de identidade.
Ao longo de mais de dez anos de atuação com pessoas de diferentes regiões do Brasil e do mundo, Alessandra observa que a diversidade de sonoridades pode gerar aproximação, curiosidade e admiração. “O preparo técnico e emocional é fundamental para lidar com contextos em que o sotaque ainda desperta preconceitos, garantindo domínio emocional e intencionalidade na fala”, ressalta.
A especialista também alerta para a importância de não depreciar o próprio jeito de falar. “Isso reforça inseguranças e alimenta o preconceito linguístico”, afirma. Para ela, a voz carrega história e identidade, mas precisa estar alinhada à clareza e à intenção.
Imagem: Divulgação
Fonte: Press Release


































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