Instituída em 2016 pelo Ministério da Saúde, a campanha Janeiro Roxo busca ampliar a informação sobre a hanseníase, uma doença antiga, ainda presente no país e cercada por preconceitos. O Brasil ocupa hoje o segundo lugar no mundo em número de novos casos, com cerca de 25 mil diagnósticos por ano.
Apesar de o Rio Grande do Norte não ser considerado área endêmica, a realidade mostra que a doença continua circulando no estado. “Quando fazemos campanhas e capacitações, ainda descobrimos muitos casos”, afirma a terapeuta ocupacional Thaísa Wancy, servidora da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), integrante da referência estadual do programa de hanseníase no Instituto de Medicina Tropical, anexo do Hospital Giselda Trigueiro.
A hanseníase é causada por uma bactéria transmitida pelas vias aéreas superiores, mas não de forma simples como uma gripe. “Ela tem baixa infecciosidade. Precisa de contato íntimo e prolongado, de conviver muito tempo com a pessoa doente”, explica Thaísa. O contágio geralmente se dá com pessoas respirando juntas por um longo período, em espaços fechados ou mal ventilados.
A infecção pode permanecer silenciosa por anos: os primeiros sintomas podem surgir apenas cinco, seis ou até sete anos após o contato com a bactéria.
Entre os sinais mais comuns estão manchas na pele que não coçam, não ardem e apresentam perda de sensibilidade. Quando o diagnóstico demora, os nervos podem ser afetados, provocando perda de força, dormência e risco de ferimentos graves. “Tem paciente que machuca o pé e não sente. Às vezes só percebe quando alguém avisa”, conta.
Um dos principais objetivos do Janeiro Roxo é combater o estigma em torno na doença. De acordo com a terapeuta, ainda é comum que famílias se afastem do paciente após o diagnóstico. “No momento em que a pessoa começa a tomar o remédio, ela já não transmite mais. Não precisa separar talher, banheiro, nem afastar do convívio. A vida continua normal”, enfatiza.
O tratamento é gratuito e pode ser feito nas unidades básicas de saúde. Os casos mais complexos são encaminhados o Instituto de Medicina Tropical do Hospital Giselda Trigueiro, em Natal. Onde, durante o mês de janeiro, estão acontecendo uma série de educativas semanalmente. “A gente discute o que as pessoas já sabem, tiramos dúvidas e desmistificamos muita coisa, porque o preconceito ainda é enorme”, diz Thaísa.
No Rio Grande do Norte, cerca de 100 novos casos são registrados por ano em Natal. Mossoró aparece como a segunda cidade com maior número de diagnósticos. Em campanhas recentes no interior, seis novos casos foram identificados em apenas um dia de atendimento em Cruzeta, três deles em idosos acima de 80 anos. “Essas pessoas têm menos acesso à saúde e ficam muito tempo com a doença guardada, transmitindo dentro da própria família”, alerta.
A hanseníase tem maior incidência em contextos de pobreza e moradias superlotadas, mas não está relacionada à água suja ou falta de higiene pessoal, como muitas informações falsas sugerem. “Não há comprovação científica disso”, reforça.
Para a especialista, a principal forma de prevenção é a informação e o diagnóstico precoce. “Olhar o corpo, observar manchas e procurar o serviço de saúde rapidamente faz toda a diferença. É uma doença traiçoeira, silenciosa, mas tem cura. O que não pode é deixar que o preconceito e o atraso no diagnóstico continuem causando sequelas evitáveis”, conclui.
Imagem: Reprodução
Fonte: Agência Saiba Mais




































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