Quando a temperatura sobe e o asfalto ferve, aumentam as crises respiratórias. Depois da chuva forte, a água parada vira criadouro de mosquitos. Nas enchentes, espalham-se infecções que passam longe do debate público. É nesse cenário que a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, por meio do Programa de Pós-Graduação em Demografia (PPGDem/UFRN) assume papel estratégico em um consórcio internacional aprovado pela fundação britânica Wellcome Trust.
O projeto Participatory Analytics for Climate-Health Adaptation in Disadvantaged Urban Communities in Brazil, traduzido livremente como Análise Participativa para a Adaptação de Comunidades Urbanas em Desvantagem ao Clima e à Saúde no Brasil, terá duração de três anos e contará com financiamento superior a quatorze milhões de reais. A iniciativa busca transformar evidências sobre clima e saúde em políticas públicas capazes de alcançar as comunidades urbanas mais vulneráveis.
As ações acontecem em Natal, Curitiba e Niterói por meio dos Participatory Urban Living Labs (PULLs), uma abordagem participativa da Universidade de Glasgow (Glasgow, Escócia). Em Natal, a UFRN será responsável pela coordenação de R$ 2,4 milhões destinados ao projeto. A equipe, liderada pelo professor Járvis Campos, docente e pesquisador do PPGDem, conta com a participação dos cientistas Karina Meira e Marcos Gonzaga (PPGDem), Cláudio Moisés Santos e Silva, do Departamento de Ciências Atmosféricas e Climáticas (DCAC), e Mozart Fazito, do Departamento de Turismo (DTur), além de alunos e colaboradores.

Nos PULLs, moradores, gestores e cientistas co-produzem diagnósticos, métodos e soluções de adaptação climática. É ciência cidadã na prática mobilizando oficinas de mapeamento participativo, uso de plataformas como o OpenStreetMap e coleta e análise de dados conduzidas pelas próprias comunidades. Parte significativa do orçamento vai diretamente para iniciativas locais definidas por esses grupos.
O PACHA integra o programa Climate Impacts Awards: Unlocking urgent climate action by making the health effects of climate change visible, lançado em 2023 para apoiar equipes transdisciplinares que aliem ciência de excelência, comunicação e engajamento social. A chamada prevê até 2,5 milhões de Libras Esterlinas por projeto (cerca de R$ 17,5 milhões no câmbio atual) e exige uma teoria de mudança clara, com caminhos para influenciar decisões de políticas dentro do próprio período de execução. A proposta é tornar visíveis impactos frequentemente invisibilizados, inclusive na saúde mental, e reduzir desigualdades.
O projeto já conta com parceiros confirmados, como o Instituto Navegar, a instituição Grão de Mostarda, o Instituto Casa D’Água e o projeto Mãos Solidárias. Esse laço se fortaleceu nos últimos anos no Fórum Potengi, que promove seminários e ações contínuas com comunidades ribeirinhas às margens do Rio Potengi.

Para enfrentar os desafios locais, o projeto utilizará dados meteorológicos coletados por mais de 80 estações instaladas pelo Grupo de Estudos Observacionais e de Modelagem da Interação Biofera-Atmosfera (GEOMA/UFRN), em parceria com a SEMURB, base que já serviu para a elaboração do Plano Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas.
A iniciativa conta com apoio institucional da Prefeitura de Natal, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB) e da Secretaria de Saúde, que também participou da submissão da proposta. A coordenação global está a cargo da Universidade de Glasgow, por meio de seu centro de pesquisa, e o consórcio inclui ainda a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), a Fundação Getulio Vargas (FGV) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O grupo integra dados ambientais e sociais com o objetivo de identificar os determinantes das vulnerabilidades e estimar os efeitos de eventos extremos, como ondas de calor e enchentes. O escopo da pesquisa abrange doenças respiratórias e cardiovasculares, enfermidades infecciosas, agravos transmitidos por vetores, como dengue e malária, e os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde mental. Ao final do projeto, a UFRN também contribuirá para a construção de uma base nacional de dados sobre clima e saúde em comunidades urbanas, fortalecendo a produção de evidências para políticas públicas mais eficazes.

Segundo o professor Járvis Campos, do PPGDEM/UFRN, o PACHA se apoia em uma cooperação construída com o Urban Big Data Centre (UBDC) da Universidade de Glasgow e com a Fundação Getulio Vargas. “Esse projeto é fruto de uma rede de pesquisa que já vem desenvolvendo vários projetos e que já está bastante consolidada, sendo, portanto, estratégica para a internacionalização do PPGDem”, afirma. Nos últimos anos, essa rede desenvolveu iniciativas em comunidades urbanas brasileiras sobre moedas sociais, microfinanças, urban analytics e métodos demográficos aplicados às vulnerabilidades sociais e ambientais.
Fonte: Agecom/UFRN


































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