A participação de alunos do Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN) em projetos de caráter social, sobretudo no âmbito do Programa de Pós-graduação em Inovação em Tecnologias Educacionais (PPgITE), tem contribuído para o surgimento de pesquisas científicas aplicadas e tecnologias inovadoras voltadas à acessibilidade e à inclusão digital.
Ao longo deste ano, a atuação de estudantes do IMD em iniciativas como o Projeto de Extensão Inclusão Digital para Idosos (ProEIDI) e o Talento Metrópole tem resultado em um aperfeiçoamento tanto para a pesquisa quanto para a extensão universitária, especialmente no desenvolvimento de novas ferramentas e no aprimoramento do conhecimento científico.
No caso do ProEIDI – ação que há quase 10 anos promove o ensino de tecnologias para pessoas com mais de 60 anos –, um exemplo disso é o trabalho da pós-graduanda do PPgITE Cíntia de Oliveira, bem como de quatro alunos do Bacharelado em Tecnologia da Informação (BTI) do IMD. Ao atuarem no projeto, coordenado pela professora do IMD Isabel Nunes, os estudantes empenham-se na criação de uma plataforma chamada Senior.Code AI, especializada no ensino de programação para idosos, com foco no desenvolvimento de habilidades cognitivas.
Para isso, o sistema, premiado nacionalmente na competição Apps.Edu, reúne um ambiente teórico, um espaço de programação e um sistema de aprendizado com feedback automático baseado em Inteligência Artificial (IA). Atualmente, o estudo encontra-se na fase de implementação da primeira etapa da solução, na qual os participantes trabalham com a geração de exercícios por IA contextualizados para idosos e baseados nos pilares do pensamento computacional.
Segundo Cíntia de Oliveira, o desenvolvimento do Senior.Code AI é possível graças à experiência e à interação com o ProEIDI, que, ao longo dos anos, ajudam a identificar oportunidades de melhoria e a avançar na construção de soluções e métodos de ensino e aprendizagem voltados às pessoas idosas.

Altas habilidades
Outro exemplo é o trabalho de mestrado de Stella Layse Brito, que estudou a aplicação da abordagem STEAM – acrônimo em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática – para o desenvolvimento pessoal de estudantes com altas habilidades do programa Talento Metrópole, iniciativa do IMD especializada em jovens com altas habilidades/superdotação.
O estudo investiga como atividades interdisciplinares mediadas pela abordagem STEAM podem promover competências socioemocionais – como colaboração, comunicação e trabalho em equipe – em alunos superdotados do Talento. A relevância do trabalho se dá, especialmente, pelo fato de que pessoas com altas habilidades podem apresentar dificuldades de socialização, desafios no trabalho coletivo e lacunas no desenvolvimento socioemocional, apesar do alto desempenho cognitivo.
Desse modo, o objetivo é, ao integrar diferentes áreas do conhecimento por meio da STEAM, levantar habilidades socioemocionais que podem ser exploradas a partir da abordagem, além de desenvolver um guia didático para orientar professores sobre o tema. O trabalho acadêmico chegou a ser apresentado em Orlando (EUA) no início deste ano e foi concluído em 2024, na UFRN.

Pesquisa e extensão
Segundo a professora Isabel Nunes, docente do IMD e coordenadora do ProEIDI, pesquisa, extensão e ensino caminham juntos, e os projetos representam uma oportunidade para acolher iniciativas e estudos em diferentes áreas do conhecimento.
“A integração entre pesquisa e extensão é essencial. Aplicar o que é estudado, saindo do âmbito puramente acadêmico e utilizando na prática, é uma forma de validar hipóteses, receber novos insights, acolher críticas e também identificar novos campos a serem estudados”, avalia Nunes.
No caso do ProEIDI, além do Senior.Code AI, a ação atualmente auxilia outras pesquisas, como um estudo de mestrado que investiga a inserção do público idoso negro em projetos de inovação e outro que aborda a criação de um ambiente Moodle para que pessoas com mais de 60 anos possam estudar a distância.

Tecnologias Educacionais
O coordenador do PPgITE, professor Dennys Maia, avalia que diversas ações do programa – como o Esteamulab, espaço voltado a projetos que estimulam a criatividade e a inovação em contextos educacionais por meio da STEAM – ampliam o alcance social da pesquisa e fortalecem o caráter profissional da pós-graduação.
“Eu vejo que essa integração é uma vocação do PPgITE, sobretudo por sermos um programa profissional. As pesquisas dos nossos estudantes dialogam com seus espaços de atuação e levam soluções para a sociedade. No Esteamulab, por exemplo, formamos professores e licenciandos que futuramente vão multiplicar essas práticas em suas escolas. Isso potencializa o impacto das tecnologias educacionais que desenvolvemos”, afirma.
Ainda segundo o professor, a extensão universitária funciona como um vetor para ampliar a circulação das soluções produzidas no Programa. “Quando realizamos oficinas, cursos e formações, trazemos a sociedade para dentro da Universidade e levamos o que produzimos para ser testado e socializado. Isso é essencial para que as tecnologias educacionais cheguem de fato às pessoas”, completa.
Imagens: IMD/UFRN
Fonte: Agecom/UFRN




































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