Uma nova temporada da NBA se aproxima e, para manter os fãs de basquete com o arremesso calibrado, tivemos o lançamento de NBA 2K27, a nova entrada da tradicional franquia de jogos da 2K Games. O título tenta se diferenciar de seu antecessor de diversas maneiras, mas será que isso é o suficiente para fazer a experiência valer a pena? É isso o que veremos nesta análise.
Falando o nosso idioma
Eu não poderia deixar de iniciar essa análise destacando o fato de NBA 2K27 chegar com menus e legendas em português brasileiro, algo inédito na história da franquia NBA 2K. É importante destacar que essa é uma vitória de toda uma comunidade brasileira de jogadores, criadores de conteúdo e fãs de basquete virtual, que insistiu por muitos anos até que isso se tornasse realidade.
E devo confessar: dado o costume de acessar os títulos da franquia em inglês, eu até me perdi nos menus (principalmente do MyGM e do MyNBA) durante as primeiras horas de jogatina. Mas logo consegui me ambientar e desfrutar de cada um dos modos de jogo, compreendendo totalmente as cutscenes do MyCAREER, os diálogos presentes nos modos citados acima e vários detalhes sobre os jogadores, tudo diretamente em nosso idioma.
Obviamente, a tradução não é perfeita, ainda mais se tratando de uma primeira versão. Certamente, é algo que deverá ser ajustado e aprimorado em versões futuras.
O jogo da precisão
Uma das principais premissas do NBA 2K27 é o foco em uma jogabilidade com mais fisicalidade e precisão, seguindo um ritmo um pouco mais cadenciado. A tecnologia ProPlay foi aprimorada e, de maneira geral, funciona bem, ainda que, em alguns momentos, a movimentação e o passe pareçam ter um pequeno delay.
Defensivamente, a contestação de arremessos é feita de forma muito mais natural, o que significa que defensores mais fortes conseguem interromper o avanço adversário com maior facilidade, enquanto jogadores mais altos e com maior envergadura (o maior exemplo aqui é, literalmente, Victor Wembanyama) vão “fechar a porta” para você com algum toco humilhante.
A qualidade da defesa também influencia diretamente nas chances de um adversário acertar ou não um arremesso, e alguns ícones destacam a direção e a qualidade da marcação. E isso nos leva ao outro lado dessa moeda: o sistema de ataque, que também foi aprimorado.
Agora, a precisão se faz ainda mais necessária para que você possa pontuar, pois o jogador precisa necessariamente acertar o timing verde de arremesso para pontuar. Assim, é fundamental entender o estilo de cada atleta (alguns contam com uma mecânica de arremesso mais lenta ou mais rápida) ou construir um estilo próprio (no caso do MyCAREER e do THE CITY) que case melhor para você.
A precisão também se expande para as enterradas, que agora contam com um medidor. Ou seja, é preciso considerar se você está totalmente livre ou se há algum adversário entre você e a cesta, pois a dificuldade de finalizar a jogada vai variar de acordo com cada cenário.
Demanda algum tempo até se acostumar totalmente com isso, mas vejo como um fator interessante, pois traz uma curva de aprendizado maior ao jogo, exigindo que você pratique e aprimore o seu gameplay para melhorar o aproveitamento de arremessos.
Basquete para todos os gostos
Outro ponto bastante destacado pela 2K para o NBA 2K27 é a adição dos modos MyNBA Legacy e MyCAREER Eras. O primeiro permite seguir a carreira (e a linhagem) de um jogador real por até 100 temporadas, enquanto o segundo permite que você volte no tempo para trilhar uma carreira no basquete em diferentes eras da NBA, enfrentando os grandes talentos da época ou se juntando a eles, se preferir.
Acho que a ideia do MyNBA Legacy é um acerto, principalmente pela possibilidade de seguir na liga por meio da linhagem de jogadores, em que um filho pode assumir características e insígnias do pai para dar sequência à carreira. Porém, o fato de ter que administrar a franquia simultaneamente à carreira do jogador pode sobrecarregar um pouco a experiência.
O MyCAREER Eras, por sua vez, se aproveita do cuidado que a franquia NBA 2K vem apresentando com a parte visual ao longo da última década e entrega uma ambientação que merece destaque, especialmente pelos filtros que se assemelham às transmissões de TV da era representada naquele momento e pelos vestiários fidedignos. Mas, na prática, o modo acaba caindo em um problema que já impacta a série há alguns anos: as microtransações.
Isso porque, para cada uma das eras (seis ao todo, abordando desde os anos 1980 até a dinastia do Golden State Warriors em 2016), uma build nova é criada do zero, com os tradicionais 60 de classificação geral, exigindo que os jogadores passem horas e mais horas jogando até que seu player seja de um nível minimamente decente ou escolham um caminho mais fácil e rápido: comprar VC (moeda do jogo).
E, por falar no VC, vale destacar que, ao menos no PlayStation 5, o custo dessas moedas caiu em relação ao NBA 2K26. Porém, a possibilidade de consegui-las dentro do próprio jogo também diminuiu, pois o passe de temporada padrão, que é gratuito, não conta mais com a moeda entre suas premiações por subir de nível, enquanto os marcos de carreira demoram para recompensar os jogadores com moedas.
O MyCAREER que passa na era atual, intitulado “Fire & Concrete”, apresenta uma trama arrastada, que soa como um amontoado de histórias dos jogos anteriores da franquia sendo recicladas, e na qual é quase impossível gerar alguma identificação com qualquer um dos personagens. A adição do modo cooperativo é o que dá alguma sobrevida ao modo, permitindo que um amigo assuma o papel de Trace Miller, um dos companheiros de equipe do seu jogador, e possa dividir a responsabilidade de comandar uma franquia rumo aos títulos.
The City permite que MyPLAYERS masculinos e femininos joguem juntos pela primeira vez, e de forma equilibrada, já que atributos como altura e envergadura são iguais para homens e mulheres. O MyTEAM, por sua vez, trouxe de volta os leilões e também apostou em um sistema reformulado de XP, abrindo espaço para uma experiência um pouco menos dependente das microtransações para conseguir ter cartas melhores, enquanto modos multiplayer rotativos entregam alguma variação entre uma jogatina e outra.
O MyNBA recebeu novidades que aprimoram ainda mais o sistema de gestão, incluindo o sistema de promessas aos atletas que são agentes livres, além das relações entre jogadores, diretamente influenciadas por suas personalidades e outros acontecimentos que podem impactar a dinâmica de como um elenco é construído, interferindo nas classificações gerais de cada um.
E isso se aplica também ao MyWNBA, que recebeu exatamente o mesmo nível de atenção. Por outro lado, o The W (uma espécie de MyCAREER feminino) parece meio rushado e simples demais, além de não contar com uma história propriamente dita.
Entre erros e acertos
NBA 2K27 traz melhorias em pontos fundamentais, como a jogabilidade, além de adicionar novas experiências que são válidas numa busca por inovação. No entanto, alguns problemas seguem sendo os mesmos de anos anteriores, o que deixa a impressão de que o título poderia ir além e ser ainda melhor.
Prós
- Menus e textos em português do Brasil;
- Gameplay valoriza a fisicalidade e a precisão nos arremessos;
- Adição de novos modos de jogos.
Contras
- História esquecível do MyCAREER;
- Foco excessivo em microtransações.
NBA 2K27 – PC/PS5/XSX/Switch 2 – Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS5
Análise feita por José Carlos Júnior
Fonte: GameBlast
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