A Prefeitura de Natal iniciou nesta segunda-feira (25) a Estratégia de Vacinação nas Escolas 2026, levando doses contra gripe, Covid-19, HPV e dengue para unidades da rede pública municipal e estadual da capital potiguar. A ação ocorre através de parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Secretaria Municipal de Educação (SME) e Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap), dentro do Programa Saúde na Escola (PSE).
Segundo a prefeitura, o objetivo principal é ampliar a cobertura vacinal entre crianças e adolescentes e reforçar a importância da imunização dentro do ambiente escolar.
Durante esta primeira etapa, estarão disponíveis:
- Vacina contra influenza;
- Vacina contra Covid-19;
- Vacina contra HPV;
- Vacina contra dengue.
A vacina contra HPV será aplicada em crianças e adolescentes entre 9 e 19 anos, enquanto a vacina contra dengue será destinada ao público de 10 a 14 anos.
Prefeitura tenta recuperar cobertura vacinal
A retomada da vacinação dentro das escolas ocorre em meio à preocupação crescente das autoridades sanitárias com a queda dos índices de imunização infantil observada nos últimos anos em diversas regiões do país.
Segundo a chefe do Núcleo de Agravos Imunopreveníveis (NAI), Veruska Ramos, a estratégia também busca fortalecer a parceria entre:
- Saúde;
- Educação;
- Famílias;
para garantir atualização da caderneta vacinal dos estudantes.
A gestora afirmou que a vacinação já vinha sendo realizada em algumas escolas, mas que a abertura oficial da campanha busca ampliar mobilização social e incentivar autorização familiar para aplicação das doses no ambiente escolar.
Escolas voltam a ocupar papel central na vacinação
A campanha revela uma mudança importante da própria lógica das políticas públicas de imunização.
Durante décadas, escolas funcionaram como um dos principais instrumentos de vacinação em massa no Brasil.
Isso ocorria porque o ambiente escolar permite:
- Alcance simultâneo de milhares de crianças;
- Organização territorial eficiente;
- Controle mais amplo da cobertura;
- Integração entre saúde e educação.
Nos últimos anos, porém, parte dessa articulação perdeu força em meio:
- À pandemia;
- À desinformação;
- À queda da confiança institucional;
- Ao avanço da hesitação vacinal.
Agora, municípios começam a reconstruir esse modelo de atuação integrada.
Queda vacinal virou problema estrutural
O retorno das campanhas escolares também responde a um fenômeno mais amplo:
a redução consistente das coberturas vacinais infantis no Brasil.
Nos últimos anos, doenças anteriormente controladas voltaram a preocupar autoridades sanitárias justamente porque milhões de crianças deixaram de receber esquemas completos de imunização.
Isso ocorreu por múltiplos fatores:
- Desinformação nas redes sociais;
- Dificuldade de acesso;
- Perda de campanhas públicas permanentes;
- Impactos da pandemia;
- Crescimento de movimentos antivacina.
Na prática, o país passou a enfrentar risco crescente de reintrodução de doenças imunopreveníveis que haviam sido drasticamente reduzidas nas últimas décadas.
Vacinação escolar amplia alcance social da saúde pública
A estratégia também mostra como escolas passaram a funcionar além do papel exclusivamente educacional.
O Programa Saúde na Escola atua hoje em diversas frentes:
- Alimentação saudável;
- Prevenção da obesidade;
- Promoção da atividade física;
- Saúde mental;
- Direitos humanos;
- Controle de doenças negligenciadas.
Isso transforma o ambiente escolar em espaço permanente de atuação do Estado sobre prevenção, saúde coletiva e acompanhamento social da infância.
HPV e dengue refletem novas prioridades sanitárias
A presença das vacinas contra HPV e dengue na campanha revela mudanças importantes das prioridades epidemiológicas brasileiras.
O HPV está diretamente associado ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer, especialmente câncer de colo do útero.
Já a dengue passou a ocupar posição crítica nas políticas públicas após sucessivos surtos registrados em diferentes estados brasileiros nos últimos anos.
No caso nordestino, fatores como:
- Urbanização acelerada;
- Altas temperaturas;
- Problemas de saneamento;
- Expansão urbana desordenada;
favorecem proliferação do mosquito transmissor.
Isso faz campanhas preventivas ganharem importância ainda maior dentro das estratégias municipais de saúde pública.
Saúde pública depende de confiança coletiva
O avanço da vacinação escolar também evidencia uma característica central das políticas de imunização:
vacinas funcionam coletivamente.
Ao contrário de tratamentos individuais, campanhas vacinais dependem de adesão social ampla para produzir proteção comunitária efetiva.
Por isso, quedas na cobertura não afetam apenas quem deixa de se vacinar.
Elas reduzem proteção coletiva inteira.
Isso ajuda a explicar por que municípios passaram a intensificar ações:
- Dentro das escolas;
- Em comunidades;
- Em campanhas territoriais;
- Em estratégias de busca ativa.
Natal tenta reconstruir cultura de vacinação
A expectativa da prefeitura é que a estratégia contribua para elevar os índices de imunização e ampliar proteção de crianças e adolescentes contra doenças preveníveis.
Mas o esforço vai além da aplicação de doses.
O município tenta reconstruir uma cultura de vacinação que durante décadas foi tratada quase como consenso social no Brasil e que passou a sofrer desgaste crescente nos últimos anos.
E justamente porque campanhas vacinais dependem simultaneamente de confiança pública, logística estatal e adesão familiar, a volta das vacinas ao ambiente escolar revela uma tentativa de recuperar não apenas índices de imunização, mas também a própria capacidade coletiva de coordenação da saúde pública.




































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