O cristianismo foi literalmente sequestrado pela política e por suas ideologias anexas. E não sei como poderiam ser mais claros os sinais de que algo está profundamente errado. Pois, a devastação da discórdia que se abateu sobre as famílias, as comunidades religiosas, os grupos de amigos e sobre a própria sociedade brasileira fala por si só. E, se as ruínas deixadas pelos extremismos de direita e de esquerda ainda não nos despertam, talvez estas palavras o façam:
“Porque cada árvore é conhecida pelos frutos que produz. Porque não se colhem figos de ervas daninhas, nem se apanham uvas dos espinheiros.” (Lucas 06:44)
Não nos enganemos: a demanda agora não é escolher um lado, mas ter coragem de romper com essa ligação ilegítima que foi criada. Afinal, não apenas o verdadeiro cristianismo nunca teve a ver com projetos de poder, como também não foi ele que procurou a política ideológica como meio de legitimação. Muito pelo contrário: foi a política que se apropriou do discurso cristão, distorcendo-o para chancelar propostas que, de outra forma, seriam encaradas como aquilo que realmente são: pura sandice, carregada de ganância e maldade.
Sim, os sinais estão claríssimos para todos aqueles que têm Deus como guia de suas vidas e não depositam sua esperança em seres humanos. A idolatria de personalidades, as agressões argumentativas e físicas, assim como a celeuma instalada até mesmo entre irmãos em Cristo, jamais serão marcas do Evangelho. Afinal, o cristianismo é agregador de pessoas, resgatador de vidas, reunião de homens e mulheres imperfeitos e pecadores que, de comum acordo, auxiliam-se mutuamente, tendo como meta servir a um só líder: Jesus.
Em tempos de tantos extremos e de propagandas de poder clamando por seguidores, esta mensagem se torna ainda mais pertinente. Pois nossas decisões, enquanto cristãos e seres dotados de consciência crítica, não serão tomadas sem custo. Não existe neutralidade nesse caos que simula organização. No entanto, a decisão essencial não gira em torno de ideologias ou candidatos, mas da disposição de seguirmos, ou não, a ordem de Cristo sobre a evangelização. Afinal, ela só pode ser realizada por meio da misericórdia, do acolhimento, do não julgamento, da pacificação dos ânimos e da cura de feridas pelo amor. São valores em total contradição com aquilo que temos visto na feira de vaidades do mundo político, cuja contaminação se espalhou pelo planeta.
Portanto, tomemos posição no campo de batalha que nos é próprio: o cristianismo. Lembremos que nosso papel é servir e amar o próximo, diretrizes dadas diretamente por Jesus. Qualquer projeto que exclua, dificulte ou impeça esses propósitos deve ser colocado à margem, sob pena de estarmos servindo mais aos homens do que a Deus. Lembremos, enfim, que a nossa pátria maior é o Céu (Filipenses 3:20-21), e que o Senhor de nossas vidas é Jesus (Lucas 6:46).






































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