O Ministério da Educação (MEC) liberou a consulta às vagas do Sisu+, nova etapa complementar do Sistema de Seleção Unificada criada para preencher vagas que tradicionalmente permanecem ociosas nas universidades públicas.
A ferramenta já está disponível no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior e permite que estudantes consultem cursos, instituições, estados, municípios e modalidades de concorrência antes do período oficial de inscrições, marcado para ocorrer entre os dias 15 e 19 de junho.
À primeira vista, a novidade parece apenas uma atualização burocrática do processo seletivo. Mas o surgimento do Sisu+ revela um problema persistente do ensino superior brasileiro: milhares de vagas oferecidas pelas universidades públicas acabam não sendo ocupadas mesmo após várias chamadas de candidatos. O resultado é um desperdício de estrutura, recursos públicos e oportunidades educacionais em um país onde o acesso ao ensino superior ainda permanece restrito para grande parte da população.
O que é o Sisu+
Segundo o MEC, o Sisu+ funcionará como uma etapa complementar e inédita do Sistema de Seleção Unificada. Poderão participar candidatos que tenham feito pelo menos uma edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos últimos três anos e que também tenham participado da etapa regular do Sisu 2026.
A inscrição ocorrerá pelo Portal Único de Acesso ao Ensino Superior. Após acessar o sistema, o estudante poderá selecionar até duas opções de curso e visualizar informações detalhadas sobre cada vaga, incluindo instituição de ensino, município, turno, modalidade de concorrência e eventuais ações afirmativas específicas adotadas pela universidade.
O MEC informou ainda que o sistema utilizará automaticamente a edição do Enem que apresentar a melhor média ponderada do candidato para o curso escolhido, respeitando os critérios definidos por cada instituição participante.
O problema que o governo tenta resolver
A criação do Sisu+ está diretamente ligada a uma dificuldade enfrentada há anos pelas universidades públicas.
Em diversos cursos, especialmente aqueles com alta rotatividade, candidatos aprovados acabam desistindo da vaga após conseguir aprovação em outra instituição, mudar de cidade, alterar planos acadêmicos ou migrar para o ensino privado. Isso obriga as universidades a realizar sucessivas chamadas de lista de espera para tentar preencher as vagas disponíveis.
O processo gera atrasos administrativos e aumenta o risco de cadeiras permanecerem vazias mesmo após o início das aulas. Quando isso acontece, laboratórios, salas de aula, professores e recursos públicos continuam disponíveis, mas sem alunos ocupando integralmente a estrutura financiada pelo Estado.
O Sisu+ foi desenhado justamente para enfrentar esse gargalo.
A tentativa de criar uma lista nacional permanente
A lógica da nova ferramenta é centralizar e padronizar a oferta das vagas remanescentes.
Em vez de cada universidade realizar processos independentes para preencher lugares ociosos, o sistema permitirá que as instituições utilizem uma estrutura nacional automatizada para convocar candidatos interessados. Segundo o MEC, isso deve acelerar o preenchimento das vagas e reduzir a quantidade de cadeiras que acabam ficando vazias ao longo do ano letivo.
Na prática, o governo tenta transformar um processo fragmentado em um sistema integrado. O objetivo não é aumentar o número de vagas disponíveis, mas melhorar o aproveitamento das que já existem.
Quem pode participar
A nova etapa será restrita a candidatos que participaram de pelo menos uma edição do Enem nos últimos três anos e que também tenham disputado vagas na etapa regular do Sisu deste ano. Isso significa que o programa não abre uma porta totalmente nova de acesso ao ensino superior, mas cria uma segunda oportunidade para estudantes que já participaram do processo seletivo nacional.
Ao todo, 34 instituições públicas de ensino superior aderiram ao programa nesta primeira edição. A expectativa do MEC é que o modelo seja ampliado gradualmente à medida que as universidades avaliem os resultados obtidos com a nova ferramenta.
O desperdício de vagas é um problema pouco discutido
Quando o debate sobre educação superior aparece no noticiário, a atenção costuma se concentrar na falta de vagas. Mas existe um problema paralelo que recebe menos atenção: as vagas existentes que não conseguem ser ocupadas.
Universidades públicas operam com recursos limitados e enfrentam pressões constantes por ampliação de acesso. Nesse contexto, cada cadeira vazia representa um investimento público que não está cumprindo sua função social. O desafio não é apenas criar novas oportunidades de ingresso. É garantir que as oportunidades já financiadas pela sociedade sejam efetivamente utilizadas.
As próximas datas
As inscrições no Sisu+ acontecerão entre os dias 15 e 19 de junho. A manifestação de interesse na lista de espera será realizada de 24 a 26 de junho. O processo de matrícula dos candidatos selecionados na chamada regular começa em 25 de junho, enquanto as convocações da lista de espera terão início a partir de 1º de julho.
Mais do que uma mudança operacional, o Sisu+ representa uma tentativa de tornar mais eficiente o aproveitamento das vagas públicas de ensino superior. O sucesso da iniciativa dependerá menos da tecnologia empregada e mais da capacidade de reduzir um problema antigo do sistema universitário brasileiro: a existência de vagas disponíveis em um país que ainda possui milhões de jovens tentando entrar na universidade.
































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