O 24º Encontro de Astronomia do Nordeste (EANE 2026) é um evento científico, educativo e cultural que reúne astrônomos amadores, pesquisadores, professores, estudantes e entusiastas da ciência de toda a região Nordeste e de outras partes do país. Com cinco décadas de história, o EANE se consolidou como um espaço de troca de experiências, formação, divulgação científica e fortalecimento das comunidades astronômicas. Com inscrições abertas, a edição de 2026 será realizada em Alagoas e atividades previstas no Instituto Federal de Alagoas (Ifal) – Campus Satuba, propondo diálogos entre astronomia, exploração espacial, educação, ciência cidadã, cultura e território.
O primeiro encontro foi realizado ainda em 1975, na cidade de Fortaleza/CE, com o nome de ‘1º Colóquio de Astronomia do Nordeste’, após movimentações prévias em Sousa, na Paraíba (que, inclusive, inaugurará nos próximos anos uma ‘Cidade da Astronomia‘) e a fundação de diversas sociedades estaduais reunindo intelectuais dedicados ao seu avanço local, como esclarece um artigo sobre os primeiros encontros de Astronomia no Brasil e ‘A Importância do Nordeste na Astronomia Nacional’. O Ceará é sinônimo de SBAA, a Sociedade Brasileira dos Amigos da Astronomia, a primeira associação de astronomia amadora (e que permanece em atividade), da qual o pioneiro e renomado astrônomo Rubens de Azevedo foi fundador em 1947, juntamente com outros entusiastas da ciência do céu.
O EANE nasceu justamente da iniciativa de astrônomos amadores da região interessados em fortalecer a troca de experiências, a prática observacional e a divulgação da astronomia. Ao longo dessas cinco décadas, o evento enraizou-se como um dos mais tradicionais encontros regionais do Brasil. Com caráter itinerante, já percorreu diferentes estados nordestinos, passando por capitais e cidades do interior, acompanhando o crescimento das comunidades astronômicas locais e acelerando a formação, integração e valorização da astronomia amadora, educacional e científica na região. Ele aderiu à nomenclatura atual nas edições de 1978 (Recife/PE), 1983 (Fortaleza/CE) e 1994 (Maceió/AL). Entre 2005 e 2013, o formato ‘Encontro Interestadual Nordestino de Astronomia (EINA)’, e, em 2013, retomou a vigente.
Para os curiosos, a Liga Norte-Nordestina de Astronomia (LiNNEA) oportuniza a íntegra da palestra de encerramento do encontro anterior em seu canal no Youtube – confira abaixo.
Por sua vez, as inscrições para a Space Week Nordeste 2026 (SWN 2026) também já estão abertas e o grande evento será realizado em Natal (RN), de 9 a 15 de novembro de 2026, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) – a edição de 2025 ocorreu no Recife e teve um final de semana inteiro de encerramento em dos maiores shoppings do país, o RioMar, atraindo milhares de visitantes. O congresso é um dos principais de ciências espaciais do Brasil, terá atividades de visitas no CLBI (Centro de Lançamento da Barreira do Inferno) e Competição de Minifoguetes (realização da Edição Especial do Festival Regional de Minifoguetes – Nordeste/FRMF-NE).

Fundado em 1965, o CLBI foi a primeira base aérea de foguetes da América do Sul. Em suas seis décadas, tem sido fundamental para pesquisas, lançamentos e experimentos que impulsionam o avanço tecnológico nacional, contribuindo para a soberania científica e para a formação de gerações de profissionais da área espacial.
Vale exaltar que a palestra magna de abertura da Space Week será com o Prof. Dr. Brian P. Schmidt, Prêmio Nobel de Física de 2011. Schmidt é um astrofísico estadunidense-australiano que recebeu o Prêmio, juntamente com Saul Perlmutter e Adam Riess, pela descoberta da expansão acelerada do universo através da observação de supernovas distantes. Embora caiba ponderar que outros cientistas estejam avançando novos estudos sobre o assunto, poucos anos depois da condecoração o astrofísico passou a dividir a agenda da cosmologia com outro fenômeno, muito mais próximo de nós — as mudanças climáticas. Schmidt tornou-se, nos últimos anos, assim como muitos astronautas, um enfático porta-voz do combate às transformações do clima.

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Nordeste Transparente inaugura Videoteca com seção especial sobre a trajetória da Astronomia e do Setor Aeroespacial da Região
A formação dos novos cidadãos da era espacial passa indubitavelmente por uma maior compreensão da ciência e da tecnologia. Eventos assim multiplicam-se e ganham cada vez mais força com essa dinâmica de eventos de natureza regional, promovendo a integração dos envolvidos.
Mas, não somente. Nos últimos anos, o Ceará tem se firmado como um dos estados de maior destaque educacional, tanto na rede pública quanto na privada, especialmente em olimpíadas científicas e competições acadêmicas. Com a participação de 140 equipes, a Olimpíada Cearense de Foguetes, por exemplo, reuniu professores e estudantes, para a aplicação rigorosa de conceitos na prática. Com natureza inclusiva e abrangente, a edição recém-encerrada contou com presença de escolas de todo o Ceará e a OCF reafirmou seu compromisso como uma ação de profundo impacto educacional e democratização da ciência.
Na verdade, o marco inicial da astronomia no Brasil, aliás, foi durante o período de domínio holandês no próprio nordeste brasileiro, onde Georg Marcgrave, da comitiva de Maurício de Nassau, fez o primeiro estudo sistemático sobre a astronomia brasileira e construiu o primeiro observatório das Américas, instalado no Palácio de Friburgo em Recife. Hoje, na região Nordeste, há 28 planetários, entre fixos e móveis, distribuídos, de forma não igualitária, entre os 9 estados nordestinos e uma rede expressiva de pelo menos 12 observatórios, que se dividem entre unidades de pesquisa científica de ponta, observatórios universitários e espaços voltados para a divulgação turística e cultural. Os nossos planetários atuam por excelência na frente de divulgação científica, sempre usando abordagens didáticas para cativar o público.
Felizmente, com o avanço da transformação digital, inúmeras palestras e registros oficiais de eventos realizados nessa seara estão disponíveis on-line, além das séries de ficção científica que ainda são muito populares entre jovens e adultos, como uma fonte de encantamento e combustível precioso para alfabetização científica. Nesse contexto de valorização do conhecimento, o portal Nordeste Transparente agora oportuniza uma videoteca especializada voltada ao ecossistema e à soberania aeroespacial. O objetivo é centralizar e organizar registros audiovisuais que elucidam a trajetória e a evolução das iniciativas na região. Ao reunir esse acervo (mais de 100 vídeos), o portal não apenas cumpre seu papel de fomento à transparência e acesso à informação, mas igualmente ajuda a preservar a memória institucional e tecnológica do Nordeste, servindo como uma fonte de consulta para pesquisadores, estudantes e entusiastas do setor.

Mais do que oferecer uma galeria para ser assistida, descreve-se um panorama holístico e criterioso da conjuntura regional por tópicos que se complementam e facilitam o entendimento das conquistas até aqui. Como não poderia deixar de ser, a seção presta homenagem ao papel fundamental do astrônomo cearense Rubens de Azevedo, não só fundador da SBAA, mas de muitas sociedades, clubes, equipamentos e projetos de difusão em toda a Região e no país, tendo sido uma das mais respeitadas autoridades astronômicas mundiais. O Planetário de Fortaleza resguarda seu nome e seu imenso legado, que jamais deve ser esquecido por todos nós.
Imagens: Divulgação








































































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