Livro transforma memória pessoal em eixo central da narrativa poética
O jornalista e escritor Wender Gomes fará nesta semana o lançamento de “Aquilo que Ficou”, primeiro livro do autor, obra construída a partir de temas ligados à memória, identidade e pertencimento. O lançamento acontece nesta terça-feira (6), em Canguaretama, cidade natal do escritor, e terá uma segunda apresentação na quinta-feira (8), em Natal.
A publicação utiliza a poesia como estrutura para revisitar experiências da infância, relações familiares e elementos da formação afetiva do autor no interior do Rio Grande do Norte. Em vez de organizar os textos como relato cronológico, o livro trabalha a memória como reconstrução fragmentada, articulando lembranças pessoais com referências territoriais e afetivas ligadas ao litoral sul potiguar.
A proposta desloca o livro da lógica autobiográfica tradicional e aproxima a obra de uma investigação sobre permanência. O eixo narrativo não está centrado apenas no que aconteceu, mas naquilo que resiste ao tempo e continua moldando identidade, linguagem e percepção do território.
Estrutura da obra utiliza quatro atos para reorganizar lembranças e identidade
“Aquilo que Ficou” foi dividido em quatro partes: “antes de saber”, “há terra em mim”, “meu centro” e “aquilo que ficou”. A organização funciona como percurso interno de reconstrução identitária, no qual o autor utiliza a poesia para reorganizar experiências ligadas à origem, pertencimento e memória afetiva.
Segundo Wender Gomes, o livro não pretende apenas registrar lembranças, mas investigar como a identidade continua sendo reformulada ao longo do tempo. A ideia central da obra parte da percepção de que certas experiências permanecem mesmo após rupturas, deslocamentos e mudanças pessoais.
Esse tipo de construção altera a relação entre autobiografia e poesia. A memória deixa de funcionar apenas como registro nostálgico e passa a operar como mecanismo de reconstrução subjetiva, em que lembranças servem para reorganizar a percepção do presente.
Território potiguar aparece como elemento permanente da narrativa
Natural de Canguaretama, o autor utiliza referências geográficas e culturais do Rio Grande do Norte como parte central da obra. O livro menciona elementos ligados ao território afetivo da região, incluindo o braço de rio em Cunhaú, lembranças da casa da avó e imagens associadas à ancestralidade familiar.
Essas referências funcionam menos como descrição paisagística e mais como mecanismo de pertencimento. O território aparece integrado à construção emocional dos poemas, conectando memória individual e espaço físico dentro da mesma estrutura narrativa.
Ao utilizar referências locais como matéria poética, a obra transforma experiências regionais em linguagem literária e aproxima o livro de uma tradição de escrita vinculada à memória territorial nordestina.
Lançamentos ocorrerão em Canguaretama e Natal com encontros abertos ao público
O primeiro lançamento do livro será realizado nesta terça-feira (6), às 19h, na Escola Estadual Fabrício Maranhão, em Canguaretama, local onde o autor estudou durante a infância. A escolha do espaço reposiciona a escola não apenas como cenário do evento, mas como parte da própria trajetória narrada na obra.
Já a segunda apresentação acontecerá na quinta-feira (8), também às 19h, no Araçá Café Bistrô, em Natal. O encontro reunirá leitores, convidados, amigos e integrantes do circuito cultural potiguar para marcar a chegada do livro ao público da capital.
A realização de dois lançamentos em cidades diferentes acompanha a própria lógica da obra, que articula deslocamento, origem e permanência como partes da mesma construção identitária.
Projeto foi viabilizado por política pública de incentivo cultural
“Aquilo que Ficou” foi realizado com apoio da Fundação José Augusto, da Secretaria Estadual de Cultura e de mecanismos ligados à Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. O projeto também integra ações do Sistema Nacional de Cultura e do Ministério da Cultura.
A presença de financiamento público na produção do livro evidencia como políticas culturais passaram a ocupar papel central na viabilização de obras independentes fora dos grandes centros editoriais. No caso da literatura produzida no Rio Grande do Norte, esses mecanismos funcionam como estrutura de sustentação para autores que operam fora do circuito comercial tradicional.
A estreia literária de Wender Gomes surge nesse contexto como resultado de uma cadeia que envolve produção cultural regional, incentivo público e fortalecimento de narrativas ligadas à memória e identidade local.

































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