Estudante de Currais Novos faz campanha para continuar curso de Medicina
A estudante de Medicina Evelyn Luara de Medeiros Farias, de 24 anos, natural de Currais Novos, iniciou uma campanha de arrecadação para conseguir permanecer no curso superior em Campina Grande, na Paraíba. Mesmo sendo beneficiária do Fies Social com financiamento integral, ela afirma enfrentar dificuldades para custear despesas básicas e a taxa mensal de coparticipação exigida pelo programa.
Atualmente cursando o quarto período de Medicina, Evelyn relata que a situação financeira da família se agravou após o desemprego da mãe. A universitária também possui deficiência auditiva e afirma que a campanha se tornou necessária para evitar interrupção da graduação.
Segundo a estudante, a mensalidade complementar do Fies gira em torno de R$ 1.140. Além disso, ela precisa manter gastos com aluguel, alimentação, transporte, água, energia elétrica, internet e materiais acadêmicos.
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Família recorreu a rifas, vendas e trabalhos extras
De acordo com o relato divulgado na campanha, a família já realizou rifas, venda de alimentos, comercialização de produtos e trabalhos informais para tentar manter a permanência da estudante na universidade.
O pai trabalha atualmente como motorista de aplicativo em Natal. Uma tia atua na higienização do Hospital Mariano Coelho, em Currais Novos.
A própria Evelyn afirma ter trabalhado anteriormente em eventos e ações promocionais em supermercados para complementar a renda familiar durante períodos de maior dificuldade financeira.
“Tudo o que peço é uma ajuda para seguir me mantendo no curso e custear meu aluguel, alimentação, transporte, água, luz e internet”, declarou a estudante.
Universitária vendeu tablet e depende de notebook emprestado
Segundo a campanha, as restrições financeiras já começaram a impactar diretamente as condições acadêmicas da estudante. Evelyn afirma que precisou vender o próprio tablet para comprar uma geladeira usada e móveis básicos para o apartamento onde mora atualmente.
Hoje, ela utiliza um notebook emprestado para acompanhar as atividades do curso de Medicina.
A situação da família em Currais Novos também aparece descrita como vulnerável. Segundo o relato, a residência da mãe da estudante não possui saneamento básico. A avó da jovem, de 71 anos, realiza tratamento na Liga Contra o Câncer.
Ainda de acordo com a campanha, familiares chegaram a cogitar vender a única propriedade da família para tentar custear a graduação da estudante.
Caso expõe limite estrutural do acesso ao ensino superior
A trajetória de Evelyn evidencia um problema recorrente do ensino superior brasileiro: conseguir ingressar na universidade não significa necessariamente possuir condições materiais para permanecer nela.
Nos últimos anos, programas como Fies, Prouni e políticas de expansão universitária ampliaram o acesso de estudantes de baixa renda a cursos historicamente restritos às elites econômicas, especialmente Medicina. O problema é que parte significativa desses programas cobre apenas mensalidades, sem resolver os custos permanentes da sobrevivência universitária.
Na prática, muitos estudantes continuam enfrentando dificuldades para pagar aluguel, alimentação, transporte, internet, material acadêmico e despesas cotidianas básicas mesmo após conquistar vaga no ensino superior.
Medicina continua sendo curso de permanência extremamente cara
O caso se torna ainda mais delicado em cursos como Medicina, cuja carga horária extensa frequentemente dificulta conciliação entre estudo e trabalho.
Além disso, estudantes precisam lidar com gastos elevados relacionados a livros, equipamentos, deslocamentos e atividades práticas. Em cidades universitárias, o custo da moradia também costuma pressionar ainda mais o orçamento familiar.
Isso ajuda a explicar por que parte dos estudantes de baixa renda depende de redes informais de solidariedade, campanhas online e arrecadações coletivas para conseguir concluir a formação acadêmica.
Campanhas revelam transferência do suporte estudantil para redes sociais
A multiplicação de vaquinhas virtuais envolvendo universitários também revela uma mudança importante nas formas de sobrevivência estudantil no Brasil contemporâneo.
Diante da insuficiência de políticas permanentes de assistência estudantil, muitos alunos passaram a recorrer diretamente às redes sociais e ao financiamento coletivo para manter despesas básicas de permanência acadêmica.
Nesse modelo, dificuldades individuais acabam sendo expostas publicamente como tentativa de mobilizar solidariedade social diante da ausência de suporte institucional suficiente.
No caso de Evelyn, a campanha não envolve apenas continuidade universitária. Ela também revela como o acesso ao ensino superior ainda depende fortemente da capacidade financeira das famílias, mesmo quando existem programas públicos de financiamento educacional.

































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