Pane nos elevadores volta a expor crise estrutural no Walfredo Gurgel
Pacientes do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, maior unidade pública de urgência e emergência do Rio Grande do Norte, voltaram a ser carregados pelas escadas após nova pane nos elevadores da unidade. A situação obrigou maqueiros e servidores a improvisarem o transporte manual de pacientes cirúrgicos entre os andares do hospital.
Segundo o Sindicato dos Servidores da Saúde do RN (Sindsaúde), os problemas já vinham causando atrasos em exames e dificuldades de deslocamento interno para pacientes internados. Alguns procedimentos chegaram a ser prejudicados porque determinados pacientes simplesmente não conseguiam ser transportados entre os setores da unidade.
A Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) informou que o conserto dos elevadores estava previsto para o fim da tarde desta segunda-feira (11).
Vídeos mostram pacientes presos em corredores e escadas
Em vídeos divulgados pelo Sindsaúde nas redes sociais, servidores relatam dificuldades extremas para conseguir movimentar pacientes dentro do hospital. A diretora do sindicato, Lúcia “Negona”, afirmou que maqueiros precisaram utilizar escadas para transportar pessoas em macas e cadeiras de rodas entre os setores.
“Os pacientes ficam nas escadas enquanto os maqueiros tentam dar conta da situação. Isso é uma vergonha. Todo mês é a mesma coisa”, declarou a dirigente sindical em vídeo publicado pela entidade.
As imagens reforçam uma cena recorrente dentro do maior hospital de trauma do estado: profissionais tentando manter o funcionamento mínimo da unidade através de improvisos operacionais diante de falhas estruturais persistentes.
Problema se repete meses após episódio semelhante
A pane atual não representa um caso isolado. Segundo a própria reportagem, situação semelhante ocorreu em dezembro do ano passado, quando pacientes também precisaram ser transferidos pelas escadas por causa da paralisação dos elevadores.
Na ocasião, pacientes chegaram a ser amarrados em macas e cadeiras de rodas para permitir o transporte entre os pavimentos da unidade hospitalar.
A repetição do problema revela que a questão deixou de ser episódio pontual de manutenção para se transformar em sintoma estrutural do desgaste operacional enfrentado pelo hospital.
Sesap aponta falha técnica durante manutenção
De acordo com a Sesap, o reparo dos equipamentos já estava programado para ocorrer no sábado anterior. No entanto, uma peça apresentou curto-circuito durante o procedimento, obrigando a equipe técnica a interromper temporariamente o serviço para novo ajuste.
Enquanto o problema persistia, pacientes continuaram dependendo do esforço físico de maqueiros e servidores para conseguir acessar exames, cirurgias e outros setores da unidade.
O cenário evidencia como falhas aparentemente pontuais de infraestrutura podem rapidamente comprometer toda a dinâmica operacional de um hospital que já funciona sob pressão constante de superlotação e alta demanda.
Walfredo virou símbolo do colapso hospitalar permanente
O Hospital Walfredo Gurgel ocupa posição central na rede pública de saúde do Rio Grande do Norte porque concentra atendimentos de trauma, urgência e alta complexidade vindos de diversas regiões do estado.
Isso faz com que qualquer falha estrutural dentro da unidade produza impacto imediato sobre milhares de pacientes, profissionais e serviços interligados à rede hospitalar estadual.
Ao longo dos anos, o hospital passou a conviver com crises recorrentes envolvendo superlotação, corredores ocupados, déficit de profissionais, equipamentos quebrados e gargalos operacionais permanentes.
Problema dos elevadores expõe lógica do improviso crônico
O novo episódio dos elevadores evidencia uma engrenagem que se tornou frequente em parte da saúde pública brasileira: estruturas hospitalares operam continuamente próximas do limite até que falhas básicas passem a comprometer diretamente a dignidade dos pacientes.
Nessas situações, o funcionamento do sistema deixa de depender exclusivamente da infraestrutura e passa a sobreviver através do improviso cotidiano de servidores que tentam compensar manualmente aquilo que o Estado não consegue garantir operacionalmente.
No Walfredo Gurgel, a repetição do transporte de pacientes pelas escadas mostra que o problema ultrapassa a manutenção de elevadores. O que aparece é um hospital funcionando permanentemente em regime de contingência, onde soluções emergenciais acabam se transformando em rotina institucional.

































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