RN aparece entre os estados mais desiguais do Brasil
O Rio Grande do Norte possui atualmente a terceira maior desigualdade de renda do país. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os 10% mais ricos do estado recebem, em média, 16,3 vezes mais do que os 40% mais pobres da população potiguar.
O índice coloca o RN atrás apenas do Distrito Federal, onde a diferença chega a 19,7 vezes, e do Rio de Janeiro, com distância de 16,4 vezes entre ricos e pobres.
Na prática, o levantamento revela que o crescimento econômico e a recuperação parcial da renda observados após a pandemia não foram suficientes para alterar estruturalmente a concentração de riqueza no estado.
Diferença de renda cresceu novamente em 2025
Segundo o IBGE, os 10% mais ricos da população brasileira tiveram rendimento médio mensal de R$ 9.117 por pessoa em 2025. Entre os 40% mais pobres, o valor médio foi de apenas R$ 663 mensais.
No ano anterior, a diferença nacional entre esses grupos era de 13,2 vezes. Em 2025, subiu para 13,8 vezes. Apesar do aumento recente, o índice ainda aparece abaixo dos níveis registrados antes da pandemia de covid-19.
O IBGE considerou no cálculo todas as formas de rendimento das famílias, incluindo salários, aposentadorias, pensões, benefícios sociais, bolsas de estudo, seguro-desemprego, aluguéis e aplicações financeiras.
Desigualdade caiu entre 2019 e 2025, mas segue elevada
Os dados históricos mostram que a desigualdade brasileira sofreu oscilações importantes nos últimos anos. Em 2019, a distância entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres era de 16,9 vezes. Durante a pandemia, o índice chegou a cair para 14,3 vezes em 2022 e 2023, atingindo 13,2 vezes em 2024 antes de voltar a subir em 2025.
Mesmo assim, quando analisado um período mais longo, o rendimento das camadas mais pobres cresceu proporcionalmente acima da renda dos mais ricos. Entre 2019 e 2025, os 40% mais pobres acumularam crescimento de 37,6% nos rendimentos, enquanto entre os 10% mais ricos a alta foi de 11,9%.
O avanço mais expressivo ocorreu justamente entre os 10% mais pobres da população brasileira. Nesse grupo, a renda média mensal saltou 78,7% no período, passando de R$ 150 para R$ 268.
Mercado de trabalho e programas sociais explicam melhora parcial
Segundo o analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, a redução observada nos últimos anos está ligada principalmente à combinação entre recuperação do mercado de trabalho, reajustes do salário mínimo e expansão dos programas de transferência de renda.
A partir de 2020, o governo federal ampliou o alcance dos programas sociais criados ou reforçados durante a pandemia, incluindo Auxílio Emergencial, Auxílio Brasil e posteriormente Bolsa Família. O levantamento também considerou benefícios estaduais e municipais de assistência social.
Mesmo assim, o próprio IBGE reconhece que a desigualdade brasileira continua em patamar elevado, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste, onde a renda média permanece abaixo da média nacional.
Nordeste continua concentrando as menores rendas do país
Os dados regionais revelam que os 40% mais pobres do Nordeste possuem rendimento familiar médio mensal de R$ 449 por pessoa, abaixo da média nacional de R$ 663. Apenas a região Norte apresenta valor semelhante, com R$ 490.
No Sul, o rendimento médio entre os mais pobres chega a R$ 978 por pessoa. Centro-Oeste e Sudeste aparecem logo atrás, com R$ 846 e R$ 842, respectivamente.
Dentro desse cenário regional, o Rio Grande do Norte se destaca negativamente porque combina renda média relativamente baixa com uma das maiores distâncias proporcionais entre ricos e pobres do país.
Desigualdade no RN expõe limites do crescimento econômico regional
O caso potiguar evidencia um problema recorrente da economia brasileira: crescimento econômico não significa automaticamente distribuição de renda.
Nos últimos anos, o Rio Grande do Norte registrou expansão em setores como energia eólica, turismo, serviços e comércio. Mesmo assim, parte importante dessa riqueza continua concentrada em parcelas pequenas da população, enquanto grandes contingentes permanecem dependentes de empregos precários, informalidade e programas sociais.
Isso ajuda a explicar por que estados nordestinos podem apresentar crescimento econômico em determinados setores sem reduzir significativamente a distância estrutural entre os grupos mais ricos e mais pobres.
Diferença de renda afeta muito mais do que consumo
A desigualdade não se limita apenas à diferença salarial entre indivíduos. Ela altera acesso à educação, saúde, moradia, mobilidade urbana, crédito, segurança e oportunidades de ascensão econômica ao longo das gerações.
Quando a concentração de renda permanece elevada por períodos prolongados, ela tende a consolidar estruturas sociais mais rígidas, dificultando mobilidade econômica e ampliando dependência de políticas compensatórias do Estado.
No Rio Grande do Norte, os números do IBGE mostram justamente isso: embora os mais pobres tenham melhorado parcialmente sua renda nos últimos anos, a estrutura geral da desigualdade continua praticamente intacta.

































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